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João Crisóstomo das Chagas e a "Conquista".


João Crisóstomo das Chagas, o comprador do crioulinho que fora de dona Maria da Silva Pereira, mulher de Francisco de Oliveira Galante, e madrinha de Manoel, filho de Joaquina e neto de Manoel Antônio Rates, é citado nos inventários de Antônio de Arantes Marques e de Manoel Pereira.

O que nos chama a atenção no Inventário de Antônio de Arantes Marques são alguns nomes já nossos conhecidos. É o caso de João Francisco Junqueira e sua mulher Ana Hipólita Villela; Francisco Antônio Junqueira; Ana da Cunha de Carvalho. No entanto, há, neste inventário, um dado a ser estudado com muita atenção. Ele aparece na folha 29, numa Escritura de Compra e Venda, cujo comprador é Manoel Rufino de Arantes. O mesmo dado se repete na folha 42, numa procuração que João Francisco Junqueira dá a várias pessoas, entre elas, ao próprio João Crisóstomo das Chagas. A citação, que aparece nos documentos é "fazenda da Conquista, digo do Campo Grande", freguesia de Baependi. (...) sita na freguesia de Aiuruoca (?).

É interessante notar o termo "Conquista", logo a seguir corrigido como "Campo Grande", ou apenas "Conquista". O Projeto Partilha não se deteve na dimensão territorial contida entre os limites citados pelo documento de posse do Sertão do Campo Grande. Nem tão pouco aos detalhes de tal limites. Ocorreu, no entanto, em 1759, por ocasião da limpeza da área e com Bartolomeu Bueno do Prado. Parece-nos, no entanto, as referidas escrituras acima estavam dentro dos limites estabelecidos pela referida carta de 1759. Já postamos os termos do documento, no entanto, voltamos com os dados.

"Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil setecentos e cinquenta e nove anos em o primeiro de novembro do dito ano em o Quilombo do Creça, aonde eu Escrivão adiante nomeado vim com o Reverendo Padre João Corrêa de Melo, Capelão da Expedição dos Quilombos e Vigário da Vara das Conquistas e Sertão do Campo Grande, e o Rio Grande Abaixo, e desde o de Agoapé até a Barra do Sapucaí, e sendo aí diante das testemunhas adiante assinadas, tomou o Reverendo Vigário da Vara Posse Judicial e atual por comissão e ordem do Exmo. Rev. Sr. Bispo de Mariana de todas aquelas Conquistas e Terras Vertentes a elas; e suas adjacentes por pertencerem ao mesmo Bispado, e logo nos mais dias fez o dito Reverendo Vigário atos paroquiais em virtude das ordens do dito Senhor Bispo, que para tudo trazia, dizendo missas e administrando os sacramentos da Igreja, cuja posse tomou o Reverendo Vigário da Vara, mansa e pacificamente, sem contradição de pessoa alguma; e para de tudo constar, mandou fazer este auto de posse, em que assinou, sendo a tudo presentes o Comandante da dita Expedição Bartolomeu Bueno do Prado, e o Capitão Francisco Luís de Oliveira, Marçal Lemos de Oliveira, que todos assinaram com o dito Reverendo Vigário da Vara, e eu Manoel Carneiro Basto (?) que o escrevi e assinei. Manoel Carneiro Basto. O Padre João Corrêa de Mello, O Comandante Bartolomeu Bueno do Prado, Marçal Lemos de Oliveira."1

Projeto Partilha - Leonor Rizzi

Próximo artigo:

1. Miranda, Marcos Paulo de Souza - Jurisdição dos Capitães, 2003, p.29.

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