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Carmo da Cachoeira: A Fronteira entre SP e Minas

Padre Gilberto Paiva, apresentando a obra "O Clero Paulista no Sul de Minas: 1801-1900", de autoria do Pe. Hiansen Vieira Franco: O Estado de Minas Gerais apresenta certas particularidades históricas no seu processo formativo, que fogem ao padrão de outros estados da federação. Sem contar os movimentos contestatários e independentistas no período colonial e o desenvolvimento da arquitetura barroca no século XVIII, Minas tem algo de diferente. O povo mineiro é o povo que mais emigra no Brasil, só perdendo para o povo nordestino, somados os nove estados que formam esta região do país. Paralelamente ao movimento de saída do estado, os mineiros recebem diversas influências, sobretudo dos estados vizinhos. O Triângulo Mineiro tem suas peculiaridades, que incluem ideias separatistas. Enquanto a Bahia exerce influência sobre o norte do estado, a Zona da Mata e a região de Juiz de Fora são influenciadas pelo Rio de Janeiro . Por fim, o Sul de Minas , que recebe forte influência d...

Carmo da Cachoeira: Notas de Natal e um inventário de 1788

Em 25 de dezembro de 2008, enquanto a maior parte dos cachoeirenses se ocupava com ceias, fogos e discursos previsíveis, a professora Leonor Rizzi publicou anonimamente, no campo de comentários de uma de suas matérias, algumas frases que, à primeira vista, pareciam deslocadas: uma referência a um estudo sobre Almeida Faria publicado na revista Nau Literária e uma passagem sobre romances de António Lobo Antunes e José Saramago . Ontem, ao revisitar esse material, localizei essas notas “laterais” e só então percebi o que, de fato, ela estava fazendo ali. Aqueles comentários funcionam como chave de leitura do próprio trabalho de Leonor sobre a história de Carmo da Cachoeira e do sul de Minas , ao evidenciar as tensões e opressões reprimidas por trás das relações sociais registradas nos antigos documentos. Nada disso é gratuito. Como demonstração prática de método, ela anexou, logo em seguida, a transcrição de um inventário de 1788, que também reproduzo, tal como ela o fez, na segun...

Natal, memória e partilha em Carmo da Cachoeira

Talvez uma das coisas de que a professora Leonor Rizzi mais gostasse em Carmo da Cachoeira fossem as festividades cristãs . Via nelas não apenas a beleza dos ritos, mas, sobretudo, o protagonismo e a visibilidade que conferiam às pessoas da comunidade, tantas vezes deixadas à margem da memória histórica e cultural. Graças à homenagem póstuma oferecida pela Câmara Municipal a Dona Leonor, por iniciativa da vereadora Maria Beatriz Reis Mendes (Bia), revisitei a cidade. Confesso que a primeira parada no “ Estação Café com Arte ”, no Bairro da Estação , indicada pela própria vereadora, teve algo de peregrinação afetiva: eu caminhava pelos espaços tentando adivinhar o que, ali, chamaria mais a atenção de Leonor. Foi então que encontrei algo que, tenho certeza, a encantaria: a confecção artesanal do frontão do palco do Auto de Natal deste ano. Naquele trabalho paciente das mãos, na madeira, na tinta e nos detalhes, reconheci o mesmo espírito que atravessava os textos que ela escreveu, n...

Carmo da Cachoeira: o centro cultural Café Estação com Arte

O Bairro da Estação que a Profª Leonor sonhou Hoje, quem chega ao bairro da Estação, em Carmo da Cachoeira , encontra um espaço acolhedor: as antigas ruínas da ferrovia se transformaram em um pequeno centro de cultura e turismo em torno do “ Estação Café com Arte ” . Onde antes havia paredes caindo e abandono, há agora um lugar vivo, que recebe visitantes, conversa com a memória e faz a paisagem respirar de outro modo. Este texto nasce justamente desse contraste: da lembrança de uma Estação em ruínas à experiência recente de rever o local totalmente recuperado, por ocasião da homenagem prestada à professora Leonor Rizzi pela Câmara Municipal , por iniciativa da vereadora cachoeirense Maria Beatriz Reis Mendes (Bia) . A impressão é imediata: poucas coisas a alegrariam tanto quanto ver esse lugar, que a marcou pela ruína, renascer como polo de cultura. Foto original recuperada por IA de Evando Pazzini Para compreender o significado disso, recorremos aos próprios textos de Leonor sobr...

Mais Lidas nos Últimos Dias

Padre Manoel Francisco Maciel no pátio da escola.

A jude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço " comentários " para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região. Próxima imagem: Mapa com as fazendas limítrofes. Imagem anterior: A antiga escola particular de Carmo da Cachoeira.

A família do Pe. Manoel Francisco Maciel em Minas.

A jude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço " comentários " para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região. Próxima imagem: Sete de Setembro em Carmo da Cachoeira em 1977. Imagem anterior: Uma antiga família de Carmo da Cachoeira.

Da Ilha de Açores a Passa Tempo - As Três Ilhoas.

Por volta de 1720, João de Rezende Costa, que residia na Ilha de Santa Maria, Freguesia  de Nossa Senhora das Angústias, Arquipélago dos Açores, foi informado que Portugal estava tentando conseguir povoadores para colonizar o Brasil, pois estava sentindo-se ameaçado pela Espanha, que polemizava a respeito das terras ao Sul do Brasil. E, para isso  estava  arrebanhando  voluntários, principalmente na  Ilha de  Açores, já excessivamente povoados. Com a recente morte de seus pais,e não vislumbrando chances de se desenvolver lá, pois os bens deixados por eles seriam insuficientes para si e um irmão casado,decidiu vir para o Brasil. Uma embarcação partiu rumo ao Brasil, juntamente com gente do Pico, Faial (Ilha de Açores) e Santa Maria, e nela estavam João e Diogo Garcia, entre muitos outros. Depois de  dois meses de viagem,ambos decidiram que iriam para a Comarca do Rio das Mortes, nos sertões de Cataguases. Desembarcaram no Rio de Janeiro e  to...