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Mostrando postagens com o rótulo Escravidão

Carmo da Cachoeira: Notas de Natal e um inventário de 1788

Em 25 de dezembro de 2008, enquanto a maior parte dos cachoeirenses se ocupava com ceias, fogos e discursos previsíveis, a professora Leonor Rizzi publicou anonimamente, no campo de comentários de uma de suas matérias, algumas frases que, à primeira vista, pareciam deslocadas: uma referência a um estudo sobre Almeida Faria publicado na revista Nau Literária e uma passagem sobre romances de António Lobo Antunes e José Saramago . Ontem, ao revisitar esse material, localizei essas notas “laterais” e só então percebi o que, de fato, ela estava fazendo ali. Aqueles comentários funcionam como chave de leitura do próprio trabalho de Leonor sobre a história de Carmo da Cachoeira e do sul de Minas , ao evidenciar as tensões e opressões reprimidas por trás das relações sociais registradas nos antigos documentos. Nada disso é gratuito. Como demonstração prática de método, ela anexou, logo em seguida, a transcrição de um inventário de 1788, que também reproduzo, tal como ela o fez, na segun...

Criança de cinco anos vendida em Minas.

Saibam quantos este publico instrumento de escriptura de venda virem que sendo no anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e sessenta e seis ( 1866 ) aos (ilegível) dias do mes de abril (rasgado) Cachoeira do Carmo e termo (rasgado) em meu cartório compareceram (ilegível) os poderes da procuração bastante que apresentou e ao diante vai transcripto, e como comprador Manoel Antonio Teixeira , reconhecidos pelos (rasgado) de que faço menção, pelo mesmo procurador foi dito, em presença de suas testemunhas abaixo nomeadas, e assignadas que seu cliente é senhor e possuidor de duas escravas huma de nome Leopoldina de idade de cinco annos mais ou menos e natural da Cidade de Campanha e que (rasgado) produção e a segunda de nome Joanna de idade de doze annos, solteira natural da freguesia de Lambary que houve por compra que fes a Cressencio Rangel Furquim , e porque as possuí livres (ilegível) de qualquer embargo, penhora, ou hypotheca, com todos os se...

O subdelegado e o espancador de escravos.

João de Medeiros Teixeira , assina arogo de Paulo Francisco Mafra , no ano de 1865 , conforme pode-se ver: " Ilmo. Snr. Subdelegado de Pollicia. Diz Paulo Francisco Mafra morador neste Distrito de Caxoeira que para bem de seo Direito e Justissa precisa que V. S. inquira as testemunhas Joaquim Macedo, Ignácio Cubas e Antonio de Brito Cubas para descobrimento da verdade sobre espancamento de seo escravo Manoel para cujo fim precisa que V. S. Mande por despaxo (ilegível) as testemunhas menciadas e ao Réo Thomé Bernardes de Magalhães para ver jurar debaixo da (ilegível) de vivencia ao Réo, e de obdiência as testemunhas ". O documento segue com deferimento. Ano - 1865. Segue a sigla E. R. M. Abaixo segue o seguinte: " Assigna arogo de Paulo Francisco Mafra, João de Medeiros Teixeira ." Projeto Partilha - Leonor Rizzi Próxima matéria: Rol de testemunhas em Cachoeira - 1865. Artigo Anterior: Genealogia e venda de escravos de Bento Esaú.

Genealogia e venda de escravos de Bento Esaú.

B ento Izau dos Santos ( Esaú ou Ezaú ) , segundo a obra " Genealogia da Família Reis ", era filho de Maria Claudina Vilela ( Vilella ) , nascida na cidade de Aiuruoca - MG, casada com o cap. José Esaú dos Santos ( Ezaú ) , filho de Antônio Esaú dos Santos ( Ezaú ) e Ana dos Santos de Jesus. Bento, casou-se em primeiras núpcias com Mariana Generosa dos Reis , filha do alferes Manuel dos Reis e Silva e Ana Generosa de Sousa Meireles ( Souza ou Meirelles ) . Não tiveram filhos. Em segundas núpcias casou-se com Ana Generosa dos Reis ( Anna ) , irmã de Mariana Generosa dos Reis , sua primeira esposa, filha de Manuel dos Reis e Silva e Ana Generosa de Sousa Meireles ( Souza ou Meirelles ) . Tiveram apenas um filho, Manuel Esaú dos Santos , casado com Arminda Esaú dos Santos . Em terceiras núpcias casou-se com Barbara Delminda de Siqueira , filha de Valério Augusto de Siqueira e Emerenciana Bárbara de Andrade Vilela . Tiveram apenas um filho, Horácio Esaú dos Santos...

Francisco vende o escravo João à Domingos.

E scriptura de venda de um escravo de nome João crioulo, de vinte seis annos de idade, solteiro, que Francisco José de Oliveira faz a Domingos Teixeira de Rezende ( Resende ) , por seo bastante procurador tenente coronel José Fernandes Avelino , pela quantia de um conto e sete centos mil réis na forma abaixo declarado: S aibão quantos este publico instrumento de escriptura de venda virem, que sendo no anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo, de mil oito centos e setenta aos vinte sete dias do mes de dezembro do dito anno nesta Freguesia da Cachoeira do Carmo , Termo da Cidade de Lavras , em meo cartório, ahi presentes partes havidas e contratactadas, como vendedor, Francisco José de Oliveira, representado por seo bastante Procurador tenente coronel José Fernandes Avelino e como comprador Domingos Teixeira de Rezende, ambos moradores desta Freguesia, reconhecidos pelos próprios de que fasso menção, e pelo Procurador do vendedor me foi dito em prezença de duas testemunhas adi...

Um sítio arqueológico em Carmo da Cachoeira.

F oi com muita surpresa que, no ano de 2005, o Projeto Partilha encontrou na Fundação de Ensino Superior do Vale do Sapucaí um precioso trabalho. Entrando em contato com a autora do mesmo recebemos, em 06 de fevereiro de 2006 uma gentil cartinha com o encaminhamento do referido material. Trata-se de um levantamento arqueológico feito no Cemitério dos Escravos . Eis o teor da comunicação, e o relatório da Arqueóloga Maria Luiza de Luna Dias (Dovica) , responsável pelo estudo. Santa Rita do Sapucaí, 06 de fevereiro de 2006. Prezada Leonor, Envio-lhe os xerox solicitados com muita demora, desculpe, são as contingências da vida. As fotos que tenho foram danificadas por enchente e estou recuperando via computador. Mandei edita o DVD com as reportagens sobre o Cemitério da Chamusca , mas ainda não está pronto. Envio-lhe cópia futuramente. Estou temporariamente em Santa Rita. Vi uma referência histórica uma vez, que a capela primitiva de Carmo da Cachoeira ficava em São Bento Abade e fôra...

Os índios como arma contra quilombolas.

A nos depois foi enviada aos sertões uma expedição com o objetivo de resgatar uma moça que havia sido seqüestrada por quilombolas , aproveitando para destruir os quilombos que fossem encontrados no caminho. A expedição realmente conseguiu recuperar a moça, prender alguns negros e matar outros. C ontinuando sua jornada encontrou com outro quilombo que ao ser atacado foi defendido por uma série de flechas disparadas por índios que ali viviam em contato com os negros fugidos. Três Capitães do Mato ficaram feridos, “...dois com duas flechas presas no pescoço e com grande perigo de vida ” ¹ . A solução proposta foi a de utilizar nas próximas investidas contra o quilombo, os índios “...mansos de Frei Ângelo que se acham no Xopotó ” ² . Estes índios eram na realidade do grupo Coroado e estavam aldeados há alguns anos na região e serviam também como mão-de-obra para os fazendeiros. O curioso desta situação é que um mesmo quilombo propiciou dois tipos de contatos com indígenas: os que conv...

Mais Lidas nos Últimos Dias

O Capitão Diogo Garcia da Cruz.

G ravura da obra O Capitão Diogo Garcia da Cruz de Ricardo Gumbleton Daunt , onde se lê: O Capitão Diogo Garcia da Cruz neto de Diogo Garcia e Júlia da Caridade naturais da Ilha do Faial e sua geração. A Edição de que o Projeto Partilha dispõe foi editada em São Paulo - 1974 foi revista, ampliada e atualizada pelo Professor Caio de Figueiredo e Silva. Próxima imagem: Denise Garcia e os Garcia Frades. Imagem anterior: As três ilhõas de José Guimarães.

Ave Maria na Igreja Matriz N. Srª. Carmo

Recital de Piano e Canto em Carmo da Cachoeira Além do pianista Francis Vilela e das mezzo-sopranos Larissa Amaral e Maisa Nascimento, durante a apresentação do tema Berceuse da Suíte Dolly, de Gabriel Fauré houve a participação especial do pianista Hélcio Barone Júnior, formado pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade São Paulo. Um momento especial, raro, em que os espectadores puderam apreciar uma apresentação de pianos a quatro mãos. A Ave Maria, ou ave-maria, também chamada de Saudação Angélica, é uma oração, que saúda a Virgem Maria baseada nos episódios da Anunciação e da Visitação (Lucas 1:28-42). Segundo São Luís Maria Gringnon de Montfort, cada vez que se reza a Ave Maria, a Virgem Maria no céu louva a Deus por nós com seu canto, o Magnificat  A Ave Maria é repetida várias vezes na recitação do Santo Rosário, uma oração completa, porque nela reside a história da nossa salvação ao meditar os mistérios da vida de Jesus e Maria; incluindo as orações, do Credo; o Pai...

Hino do Centenário de Carmo da Cachoeira

letra: Haroldo Ambrósio Caldeira música: Álvaro Arcanjo Athaíde interpretação: Glória Caldeira teclado: Teresa Maciel do Nascimento estúdio de som: João Paulo Alves Costa - DjeCia edição de vídeo: Rícard Wagner Rizzi Letra do Hino do Centenário Cem anos de existência bem vivido Cantemos este hino de alegria Saudando essa data memorável do nosso centenário nesse dia. Cachoeira, Carmo da Cachoeira, Berço de um povo acolhedor Ergue hoje um pavilhão Rendendo Graças ao Senhor.