Temos sido testemunhas de uma transformação cultural ao longo dos séculos. Mesmo diante das dificuldades recentes, vejo um espírito de esperança e otimismo emergindo, como brotos novos na primavera, rumo a um futuro cheio de promessas. Lembramos que nossa herança cultural, que sempre foi um espelho da alma humana, parece agora ser ofuscada pela velocidade vertiginosa das mudanças que vivemos. Estamos numa era em que a informação e a tecnologia, frequentemente desprovidas da essência e do vínculo com nossas raízes, estão a moldar um novo rosto para o nosso mundo. As antenas de comunicação, que se espalham por cidades e campos, são símbolos desta mudança. Notamos uma inclinação a se afastar do amor pelas nossas origens, esquecendo-se de que somos todos parte deste “pedacinho de chão”, que deu forma e sentido às nossas vidas. No entanto, graças a Deus, ainda há aqueles entre nós que mantêm aceso o amor e a devoção por este lugar, espalhando luz, amor e os valores essenciais que enobrecem ...
Nosso passado quilombola Jorge Villela Não há como negar a origem quilombola do povoado do Gundú , nome primitivo do Sítio da Cachoeira dos Rates , atual município de Carmo da Cachoeira. O quilombo do Gundú aparece no mapa elaborado pelo Capitão Francisco França em 1760 , por ocasião da destruição do quilombo do Cascalho , na região de Paraguaçu . No mapa o povoado do Gundú está localizado nas proximidades do encontro do ribeirão do Carmo com o ribeirão do Salto , formadores do ribeirão Couro do Cervo , este também representado no mapa do Capitão França. Qual teria sido a origem do quilombo do Gundú? Quem teria sido seu chefe? Qual é o significado da expressão Gundú? Quando o quilombo teria sido destruído? Porque ele sobreviveu na forma de povoado com 80 casas? Para responder tais questões temos que recuar no tempo, reportando-nos a um documento mais antigo que o mapa do Capitão França. Trata-se de uma carta do Capitão Mor de Baependi, Thomé Rodrigues Nogueira do Ó , dirigida ao gove...