Resquícios de nossa alma sertaneja Manuseando antigas escrituras, numa delas, ao se referir ao Morro do Cruzeiro diz: “Estrada Real” . Assim reconhecida pelos poderes públicos, pelo menos após a proclamação da República. Completando o termo “Estrada Real” descreve o local como sendo “junto ao pasto da Izalina” . Buscamos enriquecer e/ou acrescentar as informações com quem dá notícias acertadas sobre nosso passado. Conversamos então com Manoel Ferreira Dias - o Neca e, também, com seu Santo Chagas (in memorian). Levando as mãos como indicativa de lugar, seu Santo Chagas disse: (...) descia do morro, que a gente já conhecia com o nome de ‘Estrada Real’, vindo daqueles fundões de Nepomuceno, Coqueiral e outros fins de mundo, e seguia ladeando o pasto da Izalina. Ela era da Família Souza, gente poderosa por aqui, poderosos também, os Figueiredos, os ‘Ribeiro de Rezende’, os Garcia, os ‘Vilhena Reis’ que, casando-se entre eles, se fortaleciam ainda mais, formando verdadeiros clãs. Otávio J...
Nosso passado quilombola Jorge Villela Não há como negar a origem quilombola do povoado do Gundú , nome primitivo do Sítio da Cachoeira dos Rates , atual município de Carmo da Cachoeira. O quilombo do Gundú aparece no mapa elaborado pelo Capitão Francisco França em 1760 , por ocasião da destruição do quilombo do Cascalho , na região de Paraguaçu . No mapa o povoado do Gundú está localizado nas proximidades do encontro do ribeirão do Carmo com o ribeirão do Salto , formadores do ribeirão Couro do Cervo , este também representado no mapa do Capitão França. Qual teria sido a origem do quilombo do Gundú? Quem teria sido seu chefe? Qual é o significado da expressão Gundú? Quando o quilombo teria sido destruído? Porque ele sobreviveu na forma de povoado com 80 casas? Para responder tais questões temos que recuar no tempo, reportando-nos a um documento mais antigo que o mapa do Capitão França. Trata-se de uma carta do Capitão Mor de Baependi, Thomé Rodrigues Nogueira do Ó , dirigida ao gove...