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A lógica da conquista e da dominação.

As autoridades coloniais e metropolitanas entendiam que o Sertão mineiro precisava ser controlado e civilizado - com base em suas próprias concepções do que viria a ser “civilizado” - devido às suas riquezas e possibilidades econômicas, mas para isto era imprescindível sua conquista.

Conquistar uma região nunca foi tarefa simples. Desde que o homem pôde ser entendido como membro de uma comunidade, as tensões nas fronteiras de seus territórios de domínio foram permanentes e sempre oscilaram em favor de um grupo ou de outro. Constantemente esteve presente a aventura de partir para terras desconhecidas a fim de conquistá-las e logo a crença na superioridade de um grupo frente aos demais os impulsionava nessa direção. O ideal civilizador capaz de acabar com a barbárie, também foi um elemento presente nos movimentos das sociedades humanas em busca de novas regiões. Em função destas premissas, torna-se necessário delimitar alguns conceitos.

Conquista é, dentre várias definições possíveis, um movimento de povoamento que ocorre quando um grupo mais desenvolvido tecnologicamente inicia um processo de agressão sobre um outro menos aparelhado. Assim, para que tal ocorra efetivamente, é necessário que o agressor, ou o conquistador, detenha um potencial bélico dotado de maior tecnologia ou mais adaptado às novas condições históricas ou mesmo ambientais¹. Conquistar tem, portanto, no mínimo duas concepções: uma é o avanço sobre terras controladas por povos com menor tecnologia; a outra concepção que está inserida neste termo é o de que se conquista além das terras, riquezas e homens.

Uma das grandes conseqüências da dominação de uma sociedade por outra é que juntamente com o domínio ocorre, quase sempre, o controle sobre o meio ambiente que era explorado pelo grupo subjugado, em geral áreas ricas e com boas possibilidades de proporcionar benefícios aos seus novos desbravadores.

Como estes “novos controladores” são possuidores de uma tecnologia mais avançada ou mais adaptada as novas necessidades, suas relações com a natureza são de esfera diversa daqueles. Desta maneira, o meio ambiente passa a refletir, em última instância, as concepções de vida do novo grupo que o domina. Um exemplo desta situação é a coivara, também conhecida como queimada. Enquanto os indígenas brasileiros viviam organizados em seus próprios sistemas sociais ela não era um grande problema para a natureza, pois uma área queimada e explorada era alguns anos depois abandonada, e tinha tempo para se recuperar. Além disso, como a população dos grupos era relativamente pequena, não havia a necessidade de se derrubar e queimar imensas áreas para o plantio. Um outro fator que atenuava os efeitos da queimada sobre o meio ambiente como um todo, era que muitos grupos indígenas ainda não haviam se dedicado às práticas agrícolas, vivendo apenas da caça e da coleta.

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

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1. Dicionário de Ciências Sociais. FGV verbete: conquista.

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