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Sem o Barão a cidade torna-se escura e abandonada.


O araial de Carmo da Cachoeira que, segundos contavam os antigos, tivera o seu período áureo nos bons tempos do Barão de Lavras, João Alves de Gouvêa, havia decaído, vamos assim dizer, do seu esplendor passado e encontrava-se em estado de verdadeira decadência.

Da iluminação pública, feita com lampiões de querosene, a única então conhecida, pois não havia ainda a eletricidade, restavam apenas alguns postes, já carcomidos pelo passar dos anos e dos lampiões somente um retava, na porta principal da igreja; das duas bandas de música que animavam e alegravam as concorridas festas religiosas que aqui se realizavam, nem uma restava; as ruas escuras, cheias de buracos e matos; a praça principal, era capim, guaxuma, baldrana e assapeixe de ponta a ponta; casas em ruínas e animais soltos pelas ruas, transformavam a localidade em verdadeiro povoado sertanejo, completamente abandonado.

Prof Wanderley Ferreira de Rezende

trecho do Livro: Carmo da Cachoeira: Origem e Desenvolvimento.

Próxima matéria: É inaugurado um cinema em Carmo da Cachoeira.
Matéria Anterior: O orador de Carmo da Cachoeira e o Governador

Comentários

Anônimo disse…
João Alves de Gouveia foi um cidadão de grande importância histórica para o Distrito do Carmo da Boa Vista. Exerceu vários cargos, inclusive eletivos, portanto, o cidadão reconhecia e aprovava sua forma de ação. Por motivos ignorados, deixou de continuar receber homenagem e reconhecimento do povo cachoeirense. Foi retirado seu nome de uma rua. Era a homenagem que o povo lhe prestava. Veio a decadência ... ... e a DÍVIDA, QUE O POVO CACHOEIRENSE, UM DIA, RESGATARÁ. Cf. na Wikipédia alguns dados sobre o único Barão de Lavras - JOÃO ALVES DE GOUVEIA. O Distrito do Carmo da Boa Vista pertencia a Lavras do Funil, lembram-se?), portanto, dizer que o nome foi retirado porque ele não é daqui, e sim de Lavras, demonstra falta de conhecimento histórico sobre as origens e a constituição da sociedade cachoeirense. Por acaso, não existem outras ruas na cidade com nomes de pessoas que não nasceram aqui? E onde está a homenagem ao nosso primeiro morador, Manoel Antonio Rates. Talvez, tenhamos que rever, com mais cuidado, a questão maior, e que está acima das religiões e partidos políticos - a questão do respeito a cada ser humano que, a sua maneira, e do seu jeito, cooperou para construir a história deste PARAÍSO - CARMO DA CACHOEIRA, no Sul de Minas Gerais, a terra da diversidade cultural e religiosa. João Alves de Gouveia, o Criador o abençoa e lhe derrama as bençãos pelos seus feitos em prol de seu berço Natal. Que a Luz, a Paz e a Harmonia acompanhem a trajetória de sua consciência. Na terra tudo é transitório. Tudo passa, tudo passará.

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