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Palanques e trincheiras na defesa dos quilombos.

Observando os mapas do Quilombo de São Gonçalo, o da Samambaia e o do Ambrózio, todos com uma duração temporal grande permitindo, em última instância, uma certa estabilidade populacional e social capaz de gerar uma sociedade mais complexa, propiciadora de elementos materiais mais duráveis, percebe-se que eles possuíam muitas semelhanças e dentre elas, a delimitação de seus territórios por fossos, estrepes e trincheiras. Neste território se dava a vida social do grupo, ou seja, as relações econômicas, sociais e provavelmente políticas. As casas dos quilombos estavam divididas entre moradias e casas para atividades específicas, como por exemplo, ferraria, casa do curtume e a casa dos pilões.

No Quilombo do Campo Grande, em 1746, foi localizado mais de 600 negros vivendo com “... fortaleza, cautelas e petrechos tais que se entende pretendem se defender-se...”1

Uma outra referência sobre o mesmo quilombo, afirma que os quilombolas se defenderam por mais de 24 horas, protegidos por um palanque. Gomes Freire noticia ao rei, informando-o que foi preciso atacar “... com fogo e dar terceiro assalto para render uma forma de trincheira a que recolheram depois de destruído o primeiro palanque...”

Este documento permite a identificação de, no mínimo, duas formas de proteção usada pelos quilombolas: o palanque e, depois que este já estava destruído, a trincheira.

A segurança dos quilombos contou com influências africanas e também com as condições do terreno onde se localizava. Os trabalhos realizados pela equipe da arqueologia da Universidade Federal de Minas Gerais propiciaram o encontro na região da Serra da Canastra, no Quilombo do Ambrózio, restos de um fosso de proteção com dimensões variando de 1,5 a 2,0 m. de largura por 2,0 a 3,0 m. de profundidade, circundando uma área de aproximadamente 90,0 m. de comprimento por 70,0 m. de largura. Ao norte, além do fosso, os quilombolas contavam também com a proteção de um brejo. Além desses dois elementos de segurança havia a oeste o Morro do Espia, ponto mais alto da região usado por eles para observação.2

O uso de espiões foi uma outra forma utilizada pelos quilombolas, colocados em pontos estratégicos com a missão de avisar assim que fossem avistadas as tropas enviadas para liquidar o quilombo ou qualquer outro inimigo. Em 1768, o Capitão Mor Manoel de Souza Moreira dava notícia ao governador da Capitania que ao atacar um quilombo nas margens do Rio das Velhas, somente havia conseguido aprisionar oito quilombolas porque os demais fugiram avisados pelos espiões, antes mesmo da tropa chegar ao quilombo.3

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

Próximo Texto: A importância e o trabalho dos ferreiros.
Texto Anterior: Os ataques aos brancos e os quilombos fortificados.

1. RAPM, 1093. Jan-jun. p. 619-621.
2. GUIMARÃES, Carlos M. & Lanna, Ana l. D. Arqueologia de quilombos em Minas Gerais. In: Pesquisas, Rio Grande do Sul, Instituto Anchietano de Pesquisas, p. 147-164, 1980. p. 150.
3. APM, Cod 159. P. 83v a 85. 11.12.1768

Comentários

Peço que a senhora Márcia Amantino informe aos leitores:

1 - Qual a fonte de que se valeu para dizer que o Mapa do Campo Grande é de 1770?

2 - Usei os dados Cunha Matos para fazer referência a 6 pessoas por fogo. Qual a fonte que usou para colocar apenas 4 pessoas por casa?

3 - Qual o nexo, qual a ligação lógica entre quilombo atacado em 1746 e o "fosso" localizado em Ibiá?
Gostaria que ela tentasse refutar o que está ESCRITO na segunda edição de meu livro, pp. 495-513.

Um abraço do
Tarcísio
Unknown disse…
Sobre o mesmo assunto, sugiro aos colegas assistirem o vídeo da palestra que proferi em Araxá, sob o título "Quilombo do Campo Grande e Triângulo Mineiro - histórias roubadas do povo" in
http://www.mgquilombo.com.br/site/Multimidia/vdeos/quilombo-do-campo-grande-e-triangulo-mineiro-historias-roubadas-do-povo.html
Agradeço teu comentário Professor Tarcísio e informo que coloquei temporariamente teu vídeo no destaque lateral do blog.

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