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Os aimorés, puris e botocudos como empecilhos ao desenvolvimento.



Para o Padre Manoel Vieira Nunes, os aimorés eram tão bárbaros que sua servidão estaria plenamente justificada. Chega a afirmar que nem mesmo alguns negros africanos eram tão bárbaros como estes, e que “... bem pode ser que da Costa da Guiné para cá tenham passado negros e servos com muito menos justificado do que estes bárbaros principalmente os aimorés...” (Carta do Padre Manoel Vieira Nunes ao Conde de Valadares)
Aos que defendiam a não escravização indígena, alega que suas posições poderiam parecer absurdas. Entretanto, é de opinião que estas posturas favoráveis aos indígenas haviam partido de “...sujeitos nada zeladores do bem comum...” e com “... simulada piedade estabelecida nesta América...”. (Carta do Padre Manoel Vieira Nunes ao Conde de Valadares)
Os religiosos tiveram um papel muito complexo no que se refere às atitudes com relação aos índios.
Em vários momentos aproveitaram-se de uma situação não muito bem definida, e obtiveram algum tipo de controle sobre uma mão-de-obra bastante significativa. Muitos conseguiram autorização e ajuda para entrar nos Sertões e catequizar os índios. Todavia, na maioria dos casos, estes religiosos passavam a controlar – via doação de sesmaria para o aldeamento – uma enorme faixa de terra. Usavam os índios como mão-de-obra, compravam escravos africanos, recebiam ajuda do governo e acabavam por arrendar partes das terras que pertenciam aos índios aos colonos. Estes, além da terra, obtinham também os indígenas como trabalhadores mediante um aluguel pago diretamente ao religioso. A lei determinava que esta jornada de trabalho fosse apenas por um período estabelecido, devendo o indígena voltar ao aldeamento ao término do prazo.
Entretanto, era comum o índio permanecer em poder do fazendeiro e aparecer, anos depois, em seus inventários - como índios administrados.
Esta situação permaneceu até o século XIX e o Aldeamento do Etueto é um exemplo desta situação.
O aldeamento da Imaculada Conceição do Etueto foi criado durante o ano de 1875, no Vale do Manhuaçú, para abrigar os índios Puri, vistos como empecilho ao desenvolvimento econômico da região, não só porque eram índios violentos e arredios ao contato com o branco, mas também porque viviam em violentas e intermináveis guerras com os Botocudos provocando, desta maneira, uma onda generalizada de insegurança local. A razão da inimizade entre os Puri e os Botocudos estava nas tentativas de controle das terras na região pelos dois grupos. Este problema ficou ainda mais acirrado a partir do momento em que os Puri começaram a penetrar cada vez mais para o interior de Minas Gerais fugindo do avanço provocado pela expansão do café e encontrando pelo caminho seus inimigos Botocudos.



Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

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