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Limpeza étnica em Minas Gerais.

Para as autoridades, dentre elas o Conde de Valadares (1768-1773) , o povoamento desta área e de outras também localizadas em regiões identificadas como Sertões, estava atrelado à sua “limpeza”. Ignácio Correia de Pamplona foi muito claro em uma de suas cartas ao referido Conde. Para ele, o povoamento das “...terras era uma empresa difícil e que já havia sido tentado muitas outras vezes e sempre sem sucesso graças à oposição do gentio bravo e a de negros que por todos os lados cercavam este continente...”. Isto fazia com que as fazendas ficassem desamparadas e que logo seus sesmeiros as abandonassem.

Para tornar aquela região habitável, ou seja, livre dos que se consideravam como malfeitores, foram estabelecidas várias expedições com o objetivo de civilizar a área e, se possível fosse, localizar ouro. O objetivo das expedições era, portanto, tornar aquela região habitável e produtiva. Em um dos documentos, Pamplona chegou mesmo a dizer que não podia sossegar enquanto não visse efetuadas: “... as lisonjeiras esperanças que tenho de ver nele um pequeno retrato da Europa naquela parte que respeite as searas de trigo, centeio, legumes, criações e ainda frutas.”

A ocupação do Sertão ligava-se diretamente a um processo de conquista da região.

Era necessário tomar estas terras dos índios que ali habitavam e para isso havia duas possibilidades: aldeá-los ou exterminá-los caso colocassem empecilhos a esta tarefa. Além disso, em muitos casos, era necessário destruir os quilombolas através das expedições e trazer para o controle colonial a população de vadios que vivia clandestinamente ou nos Presídios localizados nos Sertões.

Os vadios que viviam nos Sertões, ou os que para lá fugiam, eram para as autoridades mineiras do século XVIII, um outro grave problema porque não estavam inseridos no mundo do trabalho, não pagavam impostos e viviam de uma maneira perigosa:

“O contínuo desassossego em que tem andado o Arraial do Arasuahi e seus subúrbios com insultos de mortes e outros distúrbios que nele a cada passo sucedem suscitado por uns poucos malfeitores atrevidos e vagamundos que por aquele continente andam sem temor a Deus em respeito a Justiça... . No Sertão são tão freqüentes as mortes e insultos que parece se esquecem os homens da sua racional natureza para se revestirem na de feras que mais indômitas que estas executam toda a qualidade de delitos sem o menor receio que os obrigue a depor sua crueldade; por não haver emenda a tanto mal e já que Deus foi servido trazer a V. Ex.a. a estas alturas para terror destes malévolos esperam estes povos todos da sua inata piedade ponha termo a tanto dano....”

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

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