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Manoel Pereira de Carvalho

Antonio Pereira de Carvalho inventariou em 1781 os bens de sua mulher Ana Branca de Toledo, que segundo Ary Florenzano era descendente de "Amador Bueno". Dezoito anos depois, em 1797, teve por sua vez seu inventário aberto por sua esposa Águida Maria, filha de Manoel Antônio Rates

“Manoel Pereira de Carvalho, natural de São João del Rey, filho natural de João Pereira de Carvalho já falecido e de Joana Pereira de Carvalho, preta forra escrava que havia sido de seu pai João, também já falecida, casado com Aguida Maria de quem tive cinco filhos, um deles já falecido. Estão vivos: João, Manoel, Aguida e Luzia que todos vivem em minha companhia.”

Bens:
- oito escravos;
- sítio onde vive (300$000);
- outro sítio em sociedade com Manoel da Silveira Goularte (800$000); e
- herança do pai da inventariante Manoel Antônio Rates (88$890).

Dotes:
- a Luzia Pereira de Carvalho, casada com Antônio Ferreira de Morais (dois escravos); e
- a Aguida Maria casada com Manoel José Rodrigues, moradores na Aplicação do Espírito Santo das Catandubas, Freguesia de Lavras (dois escravos).

Declaração assinada em Cachoeira em 26 de janeiro de 1786:
"Digo eu Manoel Pereira de Carvalho que ajustei com meu filho Manoel Pereira por 25 oitavas por ano para me feitorizar e administrar a minha fazenda por me achar molesto e não poder andar"; Monte Mor – 2:533$990

Declaração de 1837:
Diz: Joaquim José Rodrigues filho da falecida Aguida Maria de Jesus e neto de Manoel Pereira de Carvalho que todo os herdeiros são moradores no Curato do Espírito Santo da Varginha. Termo da Vila de Lavras onde existe a fazenda do casal. Viúva inventariante deste inventário faleceu em 1816. Testamenteiro seu filho João Pereira de Carvalho, sem que tenha sido feita a partilha.

Comentários

Anônimo disse…
Águida.
Saudamos o Teu Ser Interno!
Você nem imigina o quanto nos ajudou. Muita gratidão por tudo, especialmente por existir. Poderemos avaliar o quanto você foi vítima de preconceitos, numa sociedade como a constituida no regime colonial. O primeiro por ser mulher, a seguir por ser negra e um terceiro, se vier a constatar,por ser filha natural.
Que a Luz preencha o Teu Ser e ilumine a Tua Vida Interior e Perene, teu caminho evolutivo e tua alma eterna.
Amor e Luz.
Em união na fraternidade universal.
Anônimo disse…
Águida.
A sua história é a nossa história. História feita de sonhos e de esperanças, conforme Olavo Bilac na poesia interpretada por ANA Paula. Voce e o Brasil tem a mesma cara. Obrigado por ter feito parte de nossas vidas.
Anônimo disse…
Águida ontem. Padré André hoje. E a história continua... ... ... Nós cachoeirense OS MERECEMOS. Ambos, grandes almas, e fortes o suficiente para viverem em seus corpos os preconceitos. Prontos para realizarem e enfrentarem sua tarefa com dignidade e honradez. Padre André é filho do homem na carne, e SERVO DE DEUS em sua função, como foi nosso IRMÃO MAIOR o foi. Ela nas mesmas condições. Ambos dignificam sua origem e nos enobrecem. Padré André é autêntico, de intensa vida interior e veio para resgatar. Está fazendo como ninguém o faria melhor. Queremos agradecer ao Mons. Nunes que o apresentou, indicando-o a Dom Diamantino Prata, dizendo intuitivamente, que seria o melhor para Cachoeira. É NOSSO PÁROCO HOJE E O AMAMOS EM CRISTO NOSSO SENHOR. Está fazendo da Paróquia o espaço de convivência harmonica e sem preconceitos, onde não existe "o melhor". Existem consciências em crescimento e aprendizado. Espaço de convivência aberto a todos indistintamente. Ele, como o GRANDE MESTRE resgata a dignidade da raça e a dívida da sociedade cachoeirense com seus antepassados. Quem sabe, na unidécima ora. Águida, gratidão pela sua origem. Dom Diamantino, preserve o Pe. André conosco, por que aqui é o seu lugar, e para que para que possamos, através dele manifestar um novo comportamento, diante de uma raça que foi muito discriminada nos idos tempos. Fruto única e exclusivamente de nossa vivência no período de infância e imaturidade. Nossa Gratidão ao Criador por mais esta oportunidade, e desta vez, de caráter grupal.
Anônimo disse…
Nasci em 1990 sou branca e descendente de italianos. Manoro um negro e me orgulho disso. Vamos ter filhos mestiços lindos. Viva e verá.
Anônimo disse…
A elite que se dane. Preconceito é coisa prá velhos. Minha geração não tem nada disso não. Não é mesmo "sem preconceitos"?
Anônimo disse…
Vou contar um segredo prá esse pessoal que navega fora de Cachoeira e que nunca esteve aqui. Voces não imaginam o quanto lindas são as filhas dos casais tipo a "sem preconceitos". Ver prá crer.
Anônimo disse…
Uaí, na minha classe tem mais moreno que branco. Que diferença faz? Casar com branco ou preto é a mesma coisa. Os velhos que revisem suas idéias. Se não revisar, pior prá eles. Vão sofrer por pura e ingênua ignorância.
Anônimo disse…
Fabinho. Diga prá eles irem falar com o Presidente Lula, que aqui é lugar de Negro. Espero que tenham a CORAGEM de esperar a resposta. Se quiser vamos juntos, né?
Anônimo disse…
Nossos professores não fazem diferença entre nós negros e os outros que são brancos. Os velhos que se cuidem.
Anônimo disse…
Os velhos preconceituosos que vão dormir de touca, né Águida. Você é uma das nossas com orgulho e muita honra.
Anônimo disse…
Só falta aparecer um candidato negro prá Cachoeira. Aí tudo fica zerado em termos de dívida. Voto nele e pronto, rompe o círculo vicioso.

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