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O escravo Ambrósio.

Ambrósio (quando enfrentava as tropas do governo) já era um homem alforriado. Entretanto havia sido comprado, assim como sua mulher Cândida, no mercado do Valongo, no Rio de Janeiro. Ele era um “...descendente de uma família real, um príncipe em sua terra...”. Era também, “... homem purificado de muitos vícios próprios à sua nação e ilustrado o quanto possível...”. Cândida, havia sido “...educada o quanto possível para sua época e condição...”.

Era nas mãos de Ambrósio e Cândida que estava a responsabilidade de erigir o quilombo e liderá-lo. Para isso, contavam com o apoio de João Wrumeia e Hyunhnguera, nomeados generais comandantes. Pelos nomes, há um indício de que poderiam ser índios ou paulistas.

A vida no quilombo transcorreu em relativa paz, sobretudo, quando Ambrósio se livrou dos elementos mais perigosos. As noções de hierarquia no interior da estrutura eram baseadas nas ligações políticas africanas. Ambrósio havia sido escolhido para liderar o grupo, porque trazia em si todas as condições para exercer o cargo, inclusive, o fato de ser descendente de uma família nobre africana. Desta maneira os demais quilombolas respeitavam-no sem questionar suas ordens.

Assim, o ex-senhor de Ambrósio aproveitou-se deste poder sobre os demais e “... não deixou perder esse incentivo, incutindo no ânimo do aprendiz o valor de suas qualidades e fazendo até que os outros o considerassem, longe, o mesmo que pátria-mãe, estabelecendo, por esse meio, um natural ascendente sobre os demais escravos, que, longe de se insurgirem na arrogância da vaidade, prestavam de fato a Ambrósio a homenagem que lhe era devida, tanto mais sincera, quanto o garbo do homenageado, que correspondia com o respeito e atenção próprias de sua alta hierarquia...”.

texto de Marcia Amantino.

Próximo texto: A organização dos quilombos.
Texto Anterior: Contando uma história.

Algumas citações que aparecem neste trabalho a respeito do Rei Ambrósio são oriundas de um texto de Gama, conforme trecho deste blog de 25 de maio de 2008.
Obs do prof
Tarcísio José Martins: Reitero, de novo. Isto não é história. É um conto, um romance, de um autor chamado Joaquim do Carmo Gama. O texto NÃO informa que se trata de um conto, copiado pela Sra. Márcia Amantino. Isto é danoso para o conhecimento de nossas crianças. Divulgue o conto, mas registre em todas as páginas que é só um CONTO.

Comentários

Anônimo disse…
Aqui em Cachoeira temos o PAI PAULO, lider do quilombo local, a quem prestamos nossa reverência e gratidão. Agradecemos sobretudo os esforços de Jorge Fernando Vilela, incansável lutador na busca de documentos visando provar esta presença entre nós.

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