Pular para o conteúdo principal

O casamento de Bento de Faria Neves.

Na Casa Paroquial de Lavras, onde sempre somos atendidos com muita cortesia e amabilidade pela Secretária e Guardiã de preciosos documentos lá arquivados, encontramos um registro muito especial para os cachoeirenses.

Como temos reiterado inúmeras vezes, muitos dos livros são de difícil leitura e, "nos antigamente", um tipo de organização pouco formal. Assim, num deles, e às fls.166, está escrito o seguinte:

"Aos dez dias do mes de fevereiro de 1791 nesta Matriz (...) casam Bento de Faria Neves, filho legítimo de Bento de Faria Neves e de Ana Maria de Oliveira, e dona Ricarda Felícia de Moraes, filha legítima de Nicolau Martins Saldanha e dona Ignácia Maria de Barros, naturais e batizados nesta freguesia de Santa Ana (...) ". Foram testemunhas, Antonio Ribeiro da Costa e o ajudante Francisco Gonçalves de Azevedo. O Coadjutor foi Flávio Antonio de Moraes Salgado."

Projeto Partilha - Leonor Rizzi

Próxima matéria: Um sitiante na paragem do Rio Grande em 1744.
Artigo Anterior: Oficializado o hino de Carmo da Cachoeira.

Comentários

Anônimo disse…
Documento transcrito por Edriana Aparecida Nolasco a pedido do Projeto Partilha.

Tipo de documento - Sesmaria.
Ano - 1779 Caixa - 15
Sesmeiro - Antônio Gonçalves Penha, Filho.
Local - Sítio do Bom Jardim. Freguesia de Baependi. Termo da Vila de São João del Rei.

Fl.01
SESMARIA ENTRE O RIO DO PEIXE E INGAÍ NO SÍTIO DO BOM RETIRO. AUTUAÇÃO DE PETIÇÃO E CARTA DE SESMARIA DE ANTÔNIO GONÇALVES PENHA, filho.

Data - 31 de julho de 1779.
Local - Sítio do Bom Jardim. Freguesia de Baependi. Termo da Vila de São João del Rei. Minas. Comarca do Rio das Mortes.

Fl.02
Diz Antônio Gonçalves Penha com assistência de seu Pai o alferes Antônio Gonçalves Penha (...)

Fl. 03
CARTA DE SESMARIA
(...) por sua Petição Antônio Gonçalves Penha que entre os Rios do PEIXE e INGAÍ. Termo da Vila de São João del Rei. Comarca do Rio das Mortes e Freguesia de Baependi se achavam terras devolutas por não estarem tituladas com Sesmaria as quais seu Pai o alferes Antônio Gonçalves Penha ouve por compra e lhes faculta especialmente onde chamam a PICADA ...

Fl.06v.
AUTO DE MEDIÇÃO E DEMARCAÇÃO
Data - 28 de julho de 1779.
Local - Freguesia de Baependi. Termo da Vila de São João del Rei. Minas e Comarca do Rio das Mortes em o sítio chamado Bom Retiro.

(...) foi eleito para o lugar do Pião um morro de campo defronte da casa que foi do falecido FRANCISCO OLIVEIRA e verte para a mesma casa e ali meteram um Pião de Candeia.

(...) seguiram o rumo do leste e por ele mediram noventa e uma cordas que findaram em um campestre defronte da casa de CLÁUDIO LEME DE BRITO e verte o dito campestre para o mesmo CLAUDIO e para divisa meteram um mourão de pau de candeia (...) e confronta este rumo com terras do alferes ANTÔNIO GONÇALVES PENHA, pai do dito sesmeiro ...

(...) seguiram o rumo do este e por ele mediram vinte e cinco cordas que findaram em um corgo chamado Cachoeira e para divisa meteram uma cruz em um pau nativo de óleo (...) e confronta este rumo com terras de Luís Alves Taveira.

(...) seguiram o rumo sul e por ele mediram cento e quatro cordas e findaram em um espigão de mato chamado PICADA e para divisa lavraram um pau nativo de peróba (...) e confronta este rumo com terras dos herdeiros do defunto CUSTÓDIO PACHECO ...

(...) seguiram o rumo do norte e por ele mediram oitenta cordas que findaram em uma vertente de campo nas cabeceiras de uma restinga que verte para o córrego do do AREÃO e para divisa meteram um pau ou mourão de candeia.

Fl.09
TERMO DE DESISTÊNCIA
Data - 30 de julho de 1779
Local - Fazenda do Bom Jardim em casas do Alferes Antônio Gonçalves Penha. Termo da Vila de São João del Rei.
Presentes - Antônio Gonçalves Penha com assistência de seu Pai o alferes Antônio Gonçalves Penha.

(...) por ele foi dito que suposto com a medição de sesmaria tinha coberto algumas terras no rumo do oeste do córrego chamado Cachoeira todas as terras que ficam para a parte do mesmo rumo do Este delas fazia desistência e de todo o Direito e domínio e ação que tinha ou podia ter nelas na pessoa de Luís Alves Taveira ou na pessoa de quem direito for a saber correndo o dito córrego da Cachoeira acima até a última cabeceira e daí cortando rumo direito ao caminho da PICADA e daí pelo caminho adiante tudo o que verter a sesmaria que presente mede o dito Luís Alves Taveira. E logo pelo dito Luís Alves Taveira que presente estava foi dito que ele aceitava a dita desistência da mesma forma que lhe era feita (...)

* O sesmeiro Antônio Gonçalves Penha tomou posse em 31 de julho de 1779.
Anônimo disse…
Uma referência a FRANCISCO GONÇALVES PENHA.

Bens de Raiz que aparecem no Inventário de FRANCISCO CUSTÓDIO DA VEIGA. Conferir: Projeto Compartilhar 5. Os termos são os seguintes:
- Fazenda denominada "Tatu" do Retiro do Rio Grande que divide com terras de Quirino dos Reis, FRANCISCO GONÇALVES PENHA, e o coherdeiro Antônio Francisco Tavares - 5:000$000.

Mais lidas no site

Tabela Cronológica 10 - Carmo da Cachoeira

Tabela 10 - de 1800 até o Reino Unido - 1815 - Elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves - 1815 ü 30/Jan – capitão Manuel de Jesus Pereira foi nomeado comandante da Cia. de Ordenanças da ermida de Campo Lindo; e ü instalada a vila de Jacuí . 1816 1816-1826 – Reinado de Dom João VI – após a Independência em 1822, D. João VI assumiu a qualidade e dignidade de imperador titular do Brasil de jure , abdicando simultaneamente dessa coroa para seu filho Dom Pedro I . ü Miguel Antônio Rates disse que pretendia se mudar para a paragem do Mandu . 1817 17/Dez – Antônio Dias de Gouveia deixou viúva Ana Teresa de Jesus . A família foi convocada por peritos para a divisão dos bens, feita e assinada na paragem da Ponte Falsa . 1818 ü Fazendeiros sul-mineiros requereram a licença para implementação da “ Estrada do Picu ”, atravessando a serra da Mantiqueira e encontrando-se com a que vinha da Província de São Paulo pelo vale do Paraíba em direção ao Rio de Janeiro, na alt...

A organização do quilombo.

O quilombo funcionava de maneira organizada, suas leis eram severas e os atos mais sérios eram julgados na Aldeia de Sant’Anna pelos religiosos. O trabalho era repartido com igualdade entre os membros do quilombo, e de acordo com as qualidades de que eram dotados, “... os habitantes eram divididos e subdivididos em classes... assim havia os excursionistas ou exploradores; os negociantes, exportadores e importadores; os caçadores e magarefes; os campeiro s ou criadores; os que cuidavam dos engenhos, o fabrico do açúcar, aguardente, azeite, farinha; e os agricultores ou trabalhadores de roça propriamente ditos...” T odos deviam obediência irrestrita a Ambrósio. O casamento era geral e obrigatório na idade apropriada. A religião era a católica e os quilombolas, “...Todas as manhãs, ao romper o dia, os quilombolas iam rezar, na igreja da frente, a de perto do portão, por que a outra, como sendo a matriz, era destinada ás grandes festas, e ninguém podia sair para o trabalho antes de cump...

A família do Pe. Manoel Francisco Maciel em Minas.

A jude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço " comentários " para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região. Próxima imagem: Sete de Setembro em Carmo da Cachoeira em 1977. Imagem anterior: Uma antiga família de Carmo da Cachoeira.

Mais lidas nos últimos 30 dias

A História de Carmo da Cachoeira: O Resgate de Leonor Rizzi

A professora Leonor Rizzi dedicou-se a organizar dados que resgatassem a origem mais remota da ocupação europeia na região que viria a ser Carmo da Cachoeira . Por isso, tomou como marco inicial de suas Tabelas Cronológicas a trajetória do nome Rattes , ligado à primeira família europeia conhecida na área. As Tabelas Cronológicas 1 e 2, aqui unificadas, procuram situar Carmo da Cachoeira dentro de uma linha do tempo ampla, que vai das tradições medievais ligadas a São Pedro de Rates até o ciclo do pau-brasil e da cana-de-açúcar no Brasil . publicado originalmente em 21 de janeiro de 2008 Dos primórdios até o ciclo do pau-brasil Tabelas Cronológicas 1 e 2 unificadas A leitura de longo prazo proposta por Leonor Rizzi começa no campo da tradição cristã. No ano 44 , conta-se que Santiago, apóstolo , teria passado pela serra de Rates e sagrado Pedro de Rates como primeiro bispo de Braga . Essa figura, ligada ao imaginário medieval, é um dos fios que mais tarde aproximariam o topôn...

Tabela Cronológica 10 - Carmo da Cachoeira

Tabela 10 - de 1800 até o Reino Unido - 1815 - Elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves - 1815 ü 30/Jan – capitão Manuel de Jesus Pereira foi nomeado comandante da Cia. de Ordenanças da ermida de Campo Lindo; e ü instalada a vila de Jacuí . 1816 1816-1826 – Reinado de Dom João VI – após a Independência em 1822, D. João VI assumiu a qualidade e dignidade de imperador titular do Brasil de jure , abdicando simultaneamente dessa coroa para seu filho Dom Pedro I . ü Miguel Antônio Rates disse que pretendia se mudar para a paragem do Mandu . 1817 17/Dez – Antônio Dias de Gouveia deixou viúva Ana Teresa de Jesus . A família foi convocada por peritos para a divisão dos bens, feita e assinada na paragem da Ponte Falsa . 1818 ü Fazendeiros sul-mineiros requereram a licença para implementação da “ Estrada do Picu ”, atravessando a serra da Mantiqueira e encontrando-se com a que vinha da Província de São Paulo pelo vale do Paraíba em direção ao Rio de Janeiro, na alt...

Carmo da Cachoeira – de 1815 até 1821

Publicada em 15 de fevereiro de 2008 pela professora Leonor Rizzi , esta tabela acompanha um período curto em anos, mas denso em mudanças: é o momento em que o Brasil deixa de ser apenas colônia para integrar o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815), vê a circulação do café avançar sobre Minas, assiste à transformação de capitanias em províncias e presencia o retorno da Corte a Lisboa. Enquanto os livros de história contam esse processo em linhas gerais, aqui o movimento é visto através de lupa: nomes de fazendas, vilas recém-instaladas, estradas requisitadas, inventários, listas de moradores e decisões administrativas que moldam o sul de Minas. Talvez por isso esta tenha se tornado, ao longo dos anos, a tabela mais procurada no site, foram 66.800 acessos: nela se cruzam a visão macro da política imperial e os detalhes concretos de lugares como Campo Lindo , Ponte Falsa , Serra do Carmo da Cachoeira , Varginha ainda chamada Espírito Santo das Catanduvas . O que em manuais ...

Carmo da Cachoeira e a genealogia da Família Lemos / Villela

Em 10 de janeiro de 2009, a professora Leonor Rizzi publicou, neste site, a genealogia da família Lemos / Villela , enviada por Gileno Caldas Barboza . À primeira vista, poderia parecer apenas o interesse particular de um pesquisador em registrar seus antepassados. No entanto, a inclusão desse material atende a um propósito mais amplo: relacionar trajetórias familiares concretas à formação histórica de Carmo da Cachoeira . Os nomes que aparecem nesta árvore – Villela , Vilella , Lemos , entre outros – não são estranhos à documentação antiga da região da antiga Cachoeira dos Rates , do Carmo da Boa Vista e das fazendas que serviram de base para o futuro município. Ao reunir essa genealogia, Leonor Rizzi procurou mostrar como famílias que hoje se reconhecem como descendentes desses ramos participam, pela via do sangue, dos processos de ocupação de terras, organização de fazendas, formação de capelas e redes de compadrio que marcaram os primórdios da vida cachoeirense. Publicar esse ...

Leonor Rizzi: O Legado do Projeto Partilha

Um Resgate da Memória de Carmo da Cachoeira A história de um povo é construída não apenas por grandes eventos, mas pelo cotidiano, pela fé e pelo esforço de seus antepassados. Em Carmo da Cachoeira , essa máxima foi levada a sério através de uma iniciativa exemplar de preservação e descoberta: o Projeto Partilha . Liderado pela Profª Leonor Rizzi , o projeto destacou-se pelo rigor acadêmico e pela paixão histórica. O intuito era pesquisar a fundo a origem de Carmo da Cachoeira, indo além do óbvio. A investigação buscou a documentação mais longínqua em fontes primárias, estendendo-se desde arquivos em Portugal até registros no Brasil, mantendo contato constante com pesquisadores de centros históricos como Porto , Mariana , Ouro Preto e São Paulo . A metodologia do projeto foi abrangente. Além da consulta a documentos genealógicos digitais, houve um trabalho minucioso nos Livros de Diversas Paróquias e Dioceses . Neste ponto, a colaboração eclesiástica foi fundamental: o clero da Paróq...

Mais Lidas nos Últimos Dias

A História de Carmo da Cachoeira: O Resgate de Leonor Rizzi

A professora Leonor Rizzi dedicou-se a organizar dados que resgatassem a origem mais remota da ocupação europeia na região que viria a ser Carmo da Cachoeira . Por isso, tomou como marco inicial de suas Tabelas Cronológicas a trajetória do nome Rattes , ligado à primeira família europeia conhecida na área. As Tabelas Cronológicas 1 e 2, aqui unificadas, procuram situar Carmo da Cachoeira dentro de uma linha do tempo ampla, que vai das tradições medievais ligadas a São Pedro de Rates até o ciclo do pau-brasil e da cana-de-açúcar no Brasil . publicado originalmente em 21 de janeiro de 2008 Dos primórdios até o ciclo do pau-brasil Tabelas Cronológicas 1 e 2 unificadas A leitura de longo prazo proposta por Leonor Rizzi começa no campo da tradição cristã. No ano 44 , conta-se que Santiago, apóstolo , teria passado pela serra de Rates e sagrado Pedro de Rates como primeiro bispo de Braga . Essa figura, ligada ao imaginário medieval, é um dos fios que mais tarde aproximariam o topôn...

Tabela Cronológica 10 - Carmo da Cachoeira

Tabela 10 - de 1800 até o Reino Unido - 1815 - Elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves - 1815 ü 30/Jan – capitão Manuel de Jesus Pereira foi nomeado comandante da Cia. de Ordenanças da ermida de Campo Lindo; e ü instalada a vila de Jacuí . 1816 1816-1826 – Reinado de Dom João VI – após a Independência em 1822, D. João VI assumiu a qualidade e dignidade de imperador titular do Brasil de jure , abdicando simultaneamente dessa coroa para seu filho Dom Pedro I . ü Miguel Antônio Rates disse que pretendia se mudar para a paragem do Mandu . 1817 17/Dez – Antônio Dias de Gouveia deixou viúva Ana Teresa de Jesus . A família foi convocada por peritos para a divisão dos bens, feita e assinada na paragem da Ponte Falsa . 1818 ü Fazendeiros sul-mineiros requereram a licença para implementação da “ Estrada do Picu ”, atravessando a serra da Mantiqueira e encontrando-se com a que vinha da Província de São Paulo pelo vale do Paraíba em direção ao Rio de Janeiro, na alt...

Carmo da Cachoeira – de 1815 até 1821

Publicada em 15 de fevereiro de 2008 pela professora Leonor Rizzi , esta tabela acompanha um período curto em anos, mas denso em mudanças: é o momento em que o Brasil deixa de ser apenas colônia para integrar o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815), vê a circulação do café avançar sobre Minas, assiste à transformação de capitanias em províncias e presencia o retorno da Corte a Lisboa. Enquanto os livros de história contam esse processo em linhas gerais, aqui o movimento é visto através de lupa: nomes de fazendas, vilas recém-instaladas, estradas requisitadas, inventários, listas de moradores e decisões administrativas que moldam o sul de Minas. Talvez por isso esta tenha se tornado, ao longo dos anos, a tabela mais procurada no site, foram 66.800 acessos: nela se cruzam a visão macro da política imperial e os detalhes concretos de lugares como Campo Lindo , Ponte Falsa , Serra do Carmo da Cachoeira , Varginha ainda chamada Espírito Santo das Catanduvas . O que em manuais ...