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A colonização, os índios e o Conde de Assumar.

O Projeto Civilizador proposto para Minas Gerais só seria levado a efeito se houvesse um controle sobre a existência dos que viviam no Sertão, e se este controle fosse estendido também às terras. O controle sobre estas era teoricamente de fácil solução, uma vez que eram doadas em forma de sesmarias a quem tivesse condições de desenvolvê-las. Os sérios obstáculos com relação ao povoamento das áreas mais afastadas eram os grupos indígenas e os quilombolas.

Assim, com o objetivo de controlar esta região e sua população, várias expedições foram enviadas aos sertões - tanto do lado Oeste como do Leste de Minas Gerais. Com destino ao Sertão Oeste foram localizadas seis expedições entre os anos de 1735 e 1750; quatorze de 1750 a 1777 (Período Pombalino) e quatro até o ano de 1784.

Antes de 1735, as expedições que eram mandadas aos sertões eram esporádicas e não se percebe nelas uma preocupação mais ampla em controlar toda a região através da destruição de quilombos e do extermínio de grupos indígenas hostis. São apenas interesses locais que partem para destruir um quilombo ou uma aldeia que está perturbando o sossego público ou à procura de ouro.

O Conde de Assumar, terceiro governador das Capitanias de São Paulo e Minas Gerais (1717-1720), foi um exemplo claro desta situação. Ainda que ele fosse um elemento chave para o controle e desenvolvimento do Império Colonial português¹, parece que não associou este fato ao povoamento das terras. Assumar entendia que bastava haver total obediência dos vassalos às ordens do suserano para que o crescimento do Império estivesse assegurado. Esta é a tônica de seu primeiro discurso em terras paulistas no momento de sua posse:

"Não há nação, por bárbara que seja, que não respeite, e submissamente não venere aquele que reconhece por cabeça: os mais imbecis, os mais bastos e mais inertes povos, e mais semelhantes aos brutos foram sempre os gentios cá da América, ...mas até este quase refugo do gênero humano respeitava os seus morubixabas, os seus ulmenos, curacâo, apocuracâ, os seus caciques, os seus incas, e os seus montezumas, tanto assim que sendo estes magnatas tão faltos de boa razão, como os mesmos súditos ordinariamente era tirânico o seu governo, contudo leis invioláveis eram os seus preceitos, e não só submissa, mas escravamente eram obedecidos, como se entre gente tão estulta houvesse algum Samuel, que lhe dissesse o absoluto Império que o soberano tem sobre os vassalos....” .

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

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Texto Anterior: Borges Pinto descreve a estrutura dos quilombos.

1. Assumar além de Governador das Capitanias de São Paulo e Minas Gerais em 1717, foi em1744, nomeado Vice-rei da Índia, onde recebeu o título de Marquês do Castelo Novo; ao participar da tomada da Praça de Alorna, recebeu o título de Marquês de Alorna.

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