Pular para o conteúdo principal

O testamento Inocência Constança de Figueiredo.

Testamento serrado que faz D. Inocência Constança de Figueiredo, como adiante se declara.¹

Saibam quantos esta público instrumento de Testamento serrado fora da nota, ou como em direito melhor nome e lugar haja virem, que sendo no Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e quarenta e três, vigésimo segundo da Independência do Império do Brasil, aos trinta dias do mês de setembro do dito ano, nesta Fazenda denominada Alegria, distrito do curato de São Bento do Cajurú, Termo da Vila de Batatais, da sétima Comarca da Província de São Paulo: E sendo aí em Casas de moradas de D. Inocência Constança de Figueiredo, viúva por falecimento de seu marido o Capitão Diogo Garcia da Cruz, onde foi vindo eu Escrivão ao diante nomeado e assinado, para efeito de lavrar o presente instrumento, e sendo ela dita dona Inocência Constança de Figueiredo presente, e é de mim conhecida pela própria de que trato faço menção e dou fé, e estando de cama, doente, mas em seu perfeito juízo, e presente também as testemunhas abaixo nomeadas e no fim assinadas, por ela diante de todas foi dito que de sua própria e livre vontade, e sem coação alguma faz este seu testamento na forma seguinte: Primeiramente disse, que foi nascida e batizada na Freguesia de Nossa Senhora das Dores da Boa Esperança, Termo da Villa de Três Pontas, Província de Minas, filha legítima do finado Capitão José Alves de Figueiredo e de sua mulher Maria Vilela do Espírito Santo, instruída nos dogmas da religião católica romana em que firmemente crê. Declaro que fui casada com o Capitão Diogo Garcia da Cruz, de cujo matrimônio tivemos treze filhos, José, Mateus, Manuel e Mariana já falecidos, vivos no presente, Joaquim, João, Maria, Francisco, Antônio, Ana, Gabriel, Felícia e Diogo, aos quais conjuntamente no Inventário do meu falecido marido lhes entreguei as Legítimas que de minha parte lhes pertenciam, e fiquei com a minha terça, da qual faço as disposições seguintes. Declaro que meu corpo envolto no hábito da Senhora do Carmo acompanhado pelo Reverendo Pároco do lugar e mais sacerdotes que se puder congregar, seja sepultado na Freguesia ou Capela mais vizinha, ao que comodamente possa ser, e todos sacerdotes me dirão Missa de corpo presente de esmola de mil duzentos e oitenta réis. Declaro, e nomeio por meus testamenteiros, os meus genros e filho José Caetano de Figueiredo, José Gomes de Lima, e Gabriel Garcia de Figueiredo, e aquele que aceitar este meu testamento deixo-lhe em remuneração de seu trabalho cem mil réis de prêmio. Declaro que o meu testamenteiro mandará dizer cincoenta Missas pela minha alma de esmolas de dez tostões - Assim, mais vinte Missas pelas almas de meus cativos. - Declaro que no dia do meu enterro, o meu testamenteiro dará a esmola ade trinta mil réis aos pobres. Caetano de Figueiredo, Júlia e Inocência filhas de JOSÉ GOMES DE LIMA, Maria, filha de meu filho FRANCISCO GARCIA, Inocência, filha do meu filho Antonio Garcia, Ana, filha do meu filho João Garcia, e Maria filha do meu filho Gabriel Garcia a cada uma delas deixo a esmola de duzentos mil réis. - Declaro que deixo a minha filha Ana uma escrava parda por nome Cacília. - Declaro que deixo a todos os meus netos que não são meus afilhados a esmola de cincoenta mil réis a cada um. - Declaro que deixo ao meu filho Diogo o meu escravo por nome Marcelino Crioulo. Declaro que deixo o sítio de minha morada com todas suas benfeitorias ao meu filho Diogo. - Declaro que o meu testamenteiro dê os dois andores de ornamentos das quatro cores a Capela de São Bento de Cajurú, sendo os mesmos de seda. - Declaro que deixo ao meu genro José Gomes meu escravo Rofino, Cativo por dez anos, findos estes lhe passe carta. - Declaro que deixo por esmola às duas órfãs Maria e Ana, filhos de Floriano a cada uma novilha assim mais uma novilha a uma órfã, Mariana que mora acima da Serra. - Declaro que fiz com meu filho FRANCISCO uma troca de terra pertencente à minha terça na FAZENDA PARAÍSO, termo de Lavras, por outra parte que o dito meu filho possuia nesta Fazenda, a que tudo consta por escritura pública a qual dou por firme e válida; assim mais uma doação de terras na fazenda do Paraíso ao Pe. VITORIANO INOCÊNCIO VILELA de que passei por escritura, a qual também quero que seja firme e valiosa. Declaro que cumpridos todos estes meus legados, instituo por meus herdeiros dos Remanescentes de minha terça aos meus filhos que se acharem vivos por meu falecimento - Declaro que deixo ao meu testamenteiro o tempo de três anos para dar conta, em juízo, e se mais tempo precisar, o Juiz da conta lhe conceda. E por esta forma dou por concluídas as minha disposições por ser esta a minha última vontade, a qual disse ela testador queria, e havia por firme e valioso este meu testamento, e que por este revoga outros quaisquer anteriores feitos, e depois de lhe ser lido por mim e por ela outorgada, rogou ao Padre Manuel Machado da Ascenção, que por ela assinasse, por declarar que não sabia ler nem escrever, de que foram presentes a tudo testemunhas JOAQUIM FLÁVIO TERRA, MANUEL FRANCISCO TERRA, JOAQUIM JOSÉ PEREIRA, MARCIANO JOSÉ PIMENTA e CLEMENTE RIBEIRO DA SILVA, todos moradores neste mesmo distrito e conhecidos de mim JOSÉ FRANCISCO DIAS. Escrivão de Paz, que o escrevi e assino em público em razão da qual uso que tal é. Vista a impossibilidade de recorrer às autoridades competentes, cumpra-se. Casa Branca, 21 de novembro de 1843. O Capelão curato, Carlos Luiz de Melo.

Projeto Partilha - Leonor Rizzi

Próxima matéria: Descendentes de Mariana Silvéria do Nascimento.
Artigo Anterior: A família Moraes D'Antas no Sul de Minas.

1. Segundo Ofício - N.3 Maço - Batatais.

Comentários

Mais lidas no site

Tabela Cronológica 10 - Carmo da Cachoeira

Tabela 10 - de 1800 até o Reino Unido - 1815 - Elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves - 1815 ü 30/Jan – capitão Manuel de Jesus Pereira foi nomeado comandante da Cia. de Ordenanças da ermida de Campo Lindo; e ü instalada a vila de Jacuí . 1816 1816-1826 – Reinado de Dom João VI – após a Independência em 1822, D. João VI assumiu a qualidade e dignidade de imperador titular do Brasil de jure , abdicando simultaneamente dessa coroa para seu filho Dom Pedro I . ü Miguel Antônio Rates disse que pretendia se mudar para a paragem do Mandu . 1817 17/Dez – Antônio Dias de Gouveia deixou viúva Ana Teresa de Jesus . A família foi convocada por peritos para a divisão dos bens, feita e assinada na paragem da Ponte Falsa . 1818 ü Fazendeiros sul-mineiros requereram a licença para implementação da “ Estrada do Picu ”, atravessando a serra da Mantiqueira e encontrando-se com a que vinha da Província de São Paulo pelo vale do Paraíba em direção ao Rio de Janeiro, na alt...

A organização do quilombo.

O quilombo funcionava de maneira organizada, suas leis eram severas e os atos mais sérios eram julgados na Aldeia de Sant’Anna pelos religiosos. O trabalho era repartido com igualdade entre os membros do quilombo, e de acordo com as qualidades de que eram dotados, “... os habitantes eram divididos e subdivididos em classes... assim havia os excursionistas ou exploradores; os negociantes, exportadores e importadores; os caçadores e magarefes; os campeiro s ou criadores; os que cuidavam dos engenhos, o fabrico do açúcar, aguardente, azeite, farinha; e os agricultores ou trabalhadores de roça propriamente ditos...” T odos deviam obediência irrestrita a Ambrósio. O casamento era geral e obrigatório na idade apropriada. A religião era a católica e os quilombolas, “...Todas as manhãs, ao romper o dia, os quilombolas iam rezar, na igreja da frente, a de perto do portão, por que a outra, como sendo a matriz, era destinada ás grandes festas, e ninguém podia sair para o trabalho antes de cump...

A família do Pe. Manoel Francisco Maciel em Minas.

A jude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço " comentários " para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região. Próxima imagem: Sete de Setembro em Carmo da Cachoeira em 1977. Imagem anterior: Uma antiga família de Carmo da Cachoeira.

Mais lidas nos últimos 30 dias

Tabela Cronológica 10 - Carmo da Cachoeira

Tabela 10 - de 1800 até o Reino Unido - 1815 - Elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves - 1815 ü 30/Jan – capitão Manuel de Jesus Pereira foi nomeado comandante da Cia. de Ordenanças da ermida de Campo Lindo; e ü instalada a vila de Jacuí . 1816 1816-1826 – Reinado de Dom João VI – após a Independência em 1822, D. João VI assumiu a qualidade e dignidade de imperador titular do Brasil de jure , abdicando simultaneamente dessa coroa para seu filho Dom Pedro I . ü Miguel Antônio Rates disse que pretendia se mudar para a paragem do Mandu . 1817 17/Dez – Antônio Dias de Gouveia deixou viúva Ana Teresa de Jesus . A família foi convocada por peritos para a divisão dos bens, feita e assinada na paragem da Ponte Falsa . 1818 ü Fazendeiros sul-mineiros requereram a licença para implementação da “ Estrada do Picu ”, atravessando a serra da Mantiqueira e encontrando-se com a que vinha da Província de São Paulo pelo vale do Paraíba em direção ao Rio de Janeiro, na alt...

A História de Carmo da Cachoeira: O Resgate de Leonor Rizzi

A professora Leonor Rizzi dedicou-se a organizar dados que resgatassem a origem mais remota da ocupação europeia na região que viria a ser Carmo da Cachoeira . Por isso, tomou como marco inicial de suas Tabelas Cronológicas a trajetória do nome Rattes , ligado à primeira família europeia conhecida na área. As Tabelas Cronológicas 1 e 2, aqui unificadas, procuram situar Carmo da Cachoeira dentro de uma linha do tempo ampla, que vai das tradições medievais ligadas a São Pedro de Rates até o ciclo do pau-brasil e da cana-de-açúcar no Brasil . publicado originalmente em 21 de janeiro de 2008 Dos primórdios até o ciclo do pau-brasil Tabelas Cronológicas 1 e 2 unificadas A leitura de longo prazo proposta por Leonor Rizzi começa no campo da tradição cristã. No ano 44 , conta-se que Santiago, apóstolo , teria passado pela serra de Rates e sagrado Pedro de Rates como primeiro bispo de Braga . Essa figura, ligada ao imaginário medieval, é um dos fios que mais tarde aproximariam o topôn...

Monsenhor Nunes - 50 anos de sacerdócio

  Em 9 de fevereiro de 2008, a Paróquia Nossa Senhora do Carmo , em Carmo da Cachoeira , registrou em palavras a gratidão a Monsenhor José Nunes Senador pelos seus cinquenta anos de vida sacerdotal . Poucos anos depois ele partiria, e, com o tempo, sua figura foi ficando mais discreta na memória pública. No entanto, quem conviveu com ele lembra bem do modo familiar com que tratava a todos e da facilidade com que transitava entre as famílias da cidade, conhecendo pessoas, histórias e caminhos. Esse jeito próximo fez dele não só um pastor atento à comunidade, mas também uma ponte importante para o fortalecimento de grupos e comunidades ligadas à paróquia. Ao lado dele, muitas iniciativas pastorais tomaram forma; e, graças às histórias que contava e às pessoas que indicava, boa parte do trabalho de resgate da memória local realizado pela professora Leonor Rizzi pôde avançar em poucos anos o que, em condições normais, exigiria décadas de pesquisas de campo, tanto na área urbana quant...

Leonor Rizzi: O Legado do Projeto Partilha

Um Resgate da Memória de Carmo da Cachoeira A história de um povo é construída não apenas por grandes eventos, mas pelo cotidiano, pela fé e pelo esforço de seus antepassados. Em Carmo da Cachoeira , essa máxima foi levada a sério através de uma iniciativa exemplar de preservação e descoberta: o Projeto Partilha . Liderado pela Profª Leonor Rizzi , o projeto destacou-se pelo rigor acadêmico e pela paixão histórica. O intuito era pesquisar a fundo a origem de Carmo da Cachoeira, indo além do óbvio. A investigação buscou a documentação mais longínqua em fontes primárias, estendendo-se desde arquivos em Portugal até registros no Brasil, mantendo contato constante com pesquisadores de centros históricos como Porto , Mariana , Ouro Preto e São Paulo . A metodologia do projeto foi abrangente. Além da consulta a documentos genealógicos digitais, houve um trabalho minucioso nos Livros de Diversas Paróquias e Dioceses . Neste ponto, a colaboração eclesiástica foi fundamental: o clero da Paróq...

Leonor Rizzi e os Selos do Sesquicentenário de Carmo da Cachoeira

  O Resgate da Memória em Milímetros: o Legado da Profª Leonor Rizzi O Selo como Documento de Resistência Histórica Os estudos de história costumam dar atenção aos grandes monumentos, às decisões políticas e às grandes crises econômicas. Porém, muitas vezes a identidade de um povo se apoia em coisas pequenas: objetos do dia a dia e iniciativas que, à primeira vista, parecem simples, mas guardam muito significado. Em 15 de janeiro de 2008, Carmo da Cachoeira , no sul de Minas Gerais, viveu um desses momentos discretos e importantes. Naquela data, a professora Leonor Rizzi , referência na preservação da memória do município e na proteção animal, pediu à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) a criação de uma série de selos personalizados. Esse gesto não foi apenas uma formalidade ou uma comemoração comum. Ao encomendar quatro modelos diferentes de selos para marcar o sesquicentenário da Instituição Canônica da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, a professora Leonor encontrou ...

Mais Lidas nos Últimos Dias

Tabela Cronológica 10 - Carmo da Cachoeira

Tabela 10 - de 1800 até o Reino Unido - 1815 - Elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves - 1815 ü 30/Jan – capitão Manuel de Jesus Pereira foi nomeado comandante da Cia. de Ordenanças da ermida de Campo Lindo; e ü instalada a vila de Jacuí . 1816 1816-1826 – Reinado de Dom João VI – após a Independência em 1822, D. João VI assumiu a qualidade e dignidade de imperador titular do Brasil de jure , abdicando simultaneamente dessa coroa para seu filho Dom Pedro I . ü Miguel Antônio Rates disse que pretendia se mudar para a paragem do Mandu . 1817 17/Dez – Antônio Dias de Gouveia deixou viúva Ana Teresa de Jesus . A família foi convocada por peritos para a divisão dos bens, feita e assinada na paragem da Ponte Falsa . 1818 ü Fazendeiros sul-mineiros requereram a licença para implementação da “ Estrada do Picu ”, atravessando a serra da Mantiqueira e encontrando-se com a que vinha da Província de São Paulo pelo vale do Paraíba em direção ao Rio de Janeiro, na alt...

A História de Carmo da Cachoeira: O Resgate de Leonor Rizzi

A professora Leonor Rizzi dedicou-se a organizar dados que resgatassem a origem mais remota da ocupação europeia na região que viria a ser Carmo da Cachoeira . Por isso, tomou como marco inicial de suas Tabelas Cronológicas a trajetória do nome Rattes , ligado à primeira família europeia conhecida na área. As Tabelas Cronológicas 1 e 2, aqui unificadas, procuram situar Carmo da Cachoeira dentro de uma linha do tempo ampla, que vai das tradições medievais ligadas a São Pedro de Rates até o ciclo do pau-brasil e da cana-de-açúcar no Brasil . publicado originalmente em 21 de janeiro de 2008 Dos primórdios até o ciclo do pau-brasil Tabelas Cronológicas 1 e 2 unificadas A leitura de longo prazo proposta por Leonor Rizzi começa no campo da tradição cristã. No ano 44 , conta-se que Santiago, apóstolo , teria passado pela serra de Rates e sagrado Pedro de Rates como primeiro bispo de Braga . Essa figura, ligada ao imaginário medieval, é um dos fios que mais tarde aproximariam o topôn...

Monsenhor Nunes - 50 anos de sacerdócio

  Em 9 de fevereiro de 2008, a Paróquia Nossa Senhora do Carmo , em Carmo da Cachoeira , registrou em palavras a gratidão a Monsenhor José Nunes Senador pelos seus cinquenta anos de vida sacerdotal . Poucos anos depois ele partiria, e, com o tempo, sua figura foi ficando mais discreta na memória pública. No entanto, quem conviveu com ele lembra bem do modo familiar com que tratava a todos e da facilidade com que transitava entre as famílias da cidade, conhecendo pessoas, histórias e caminhos. Esse jeito próximo fez dele não só um pastor atento à comunidade, mas também uma ponte importante para o fortalecimento de grupos e comunidades ligadas à paróquia. Ao lado dele, muitas iniciativas pastorais tomaram forma; e, graças às histórias que contava e às pessoas que indicava, boa parte do trabalho de resgate da memória local realizado pela professora Leonor Rizzi pôde avançar em poucos anos o que, em condições normais, exigiria décadas de pesquisas de campo, tanto na área urbana quant...