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Estudando o poema arcadista do alferes mineiro.

Joaquim José de Lisboa, alferes do Regimento Regular de Vila Rica, em seu poema...

... utiliza-se claramente das concepções estéticas do Arcadismo Mineiro e copiando inclusive, o nome da amada – Marília -, descreve-lhe as riquezas encontradas e produzidas na Capitania de Minas Gerais. Demonstrou como a natureza era boa, propiciadora de alimentos em grande quantidade e diversidade, facilitadora da existência de grande variedade de animais e de homens.

Após descrever estes elementos, passou a tratar dos negros fugidos e também dos indígenas da região. O que nos importa são as suas idéias sobre os negros habitantes dos quilombos.

A primeira imagem que nos chama a atenção é que, também aqui, os escravos fugiam por causa de maus senhores. Viravam salteadores e se tornavam contrários não somente de quem escrevia, mas também de toda uma sociedade. E por que se tornavam contrários? Porque passavam a viver nos matos em contatos com a natureza e, distantes portanto, da civilidade. Eles trabalhavam, criavam, se divertiam. Mas a natureza era tão boa que mesmo que eles nada fizessem, não morreriam de fome. A mãe natureza tudo lhes daria. Eis aqui uma das características mais marcantes do Arcadismo: a exaltação da natureza e de seu aspecto fértil.

Com relação à sociedade estabelecida pelos fugitivos, esclarece que usavam de artimanhas e seduções para convencer as negras a irem para o mato com eles. O curioso é que tudo isto era feito baseado em promessas de casamento, algo importante para a sociedade cristã e não, provavelmente, para os escravos envolvidos. Entretanto, o autor nos informa um aspecto significativo da cultura negra: a eleição de Rei e Rainha, elementos de chefia africanos encontrados no interior de diferentes grupos de escravos no Brasil.

A prisão destes negros foi feita pelo capitão do Mato em função dos roubos e desacatos promovidos por eles mesmos. Ocorreu, então, a destruição do quilombo, a prisão, o castigo e o fim de seu Reino.

A idéia clara oferecida por este poema é a de que o quilombo existia como possibilidade aos escravos, mas sempre a partir de atitudes dos senhores. Todavia, a sociedade branca acabava vencendo e mostrando seu controle sobre a situação; por outro lado, a menção da existência dos quilombos em um poema que busca demonstrar as riquezas e belezas da capitania mineira, já nos sugere que este era um problema constante para esta região e que escravos fugidos faziam parte deste universo, da mesma maneira que seus companheiros cativos. O quilombo fazia parte do cotidiano.

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