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O Porquê da Escolha da Imaculada como Padroeira

Texto de Francisco Nardy Filho1


Parece que a Providência escolheu estas formosas e abençoadas paragens para culto e honra à S.S. Virgem. Três eram as naus com que Colombo se aventurou à descoberta do Novo Mundo, e numa delas estava esculpido o nome de Maria; diversas eram as naus da cabrália frota que em suas alterosas quilhas ostentavam o nome da Santa Mãe de Deus, e rara era a expedição que aqui chegava que entre as suas naves não viessem algumas sob a proteção da S.S. Virgem.

Grande era a devoção dos brasileiros para com a S.S. Virgem, e se ainda hoje essa devoção, essa confiança nossa para com a Santa Mãe de Deus é um fato evidente, mais, muito mais ela se fazia sentir nos primeiros povoadores desta terra, daí o fato de a maioria das nossas cidades terem como padroeira Nossa Senhora, sob as suas diversas invocações.

Em geral as nossas cidades tiveram o seu início em uma pobre e modesta capelinha erguida pela fé e devoção de um ou mais dos moradores desta redondeza, e quase sempre era essa capelinha dedicada a S.S. Virgem; com o passar dos anos ia-se ali reunindo o povo, iam-se edificando – hoje pequenos ranchos cobertos de palha, amanhã casas, depois uma outra casa maior, mais bem construída e confortável e daí a algumas dezenas de anos era dada a provisão e cura a essa capela; alguns anos mais era elevada a vila, depois a cidade, e finalmente a comarca. E assim as maiorias das nossas cidades tiveram a sua origem em uma capelinha erguida por um devoto da S.S. Virgem Mãe de Deus.2 (...)

Diversas eram as invocações com que a cristandade honrava Maria Santíssima aquela que de perto e mais grata falava aos corações dos primeiros brasileiros, aquela a cuja benéfica e tão salutar devoção se apegara tão fervorosamente o audaz bandeirante para com N. Sra. do Carmo. Jamais se formava uma bandeira que não fosse colocada sob a proteção dessa excelsa Senhora; jamais o destemido bandeirante se atrevia a embrenhar-se pela espessura das florestas tenebrosas sem que levasse bem unido ao peito o escapulário do Carmo; e no meio dos perigos que o assaltavam, quando se via perdido, no meio desse oceano de verdura, no meio do sussurro das bravias selvas, era à Virgem do Monte Carmelo que ele volvia os olhos – “Valha-me Nossa Senhora do Carmo!” – era a exclamação que saía daquele peito forte e varonil. Confiado no amparo e proteção da Virgem do Monte Carmelo ele nada temia: nem as canseiras da jornada, nem as flechas do gentio, nem as garras das feras, nem as doenças e extravios; seguro em sua Divina Protetora, seguia sem nada temer em busca das minas de ouro e de diamantes, e reconhecido à sua Protetora, era dela o primeiro ouro que saía na bateia, era dela o primeiro diamante que encontrava.

Próxima Matéria: O Povoado da Estação em Carmo da Cachoeira.

1 – Nardy Filho, 1919, p. 7.
2 – Em Carmo da Cachoeira,
José Joaquim Gomes Branquinho deixou registrado em seu inventário a sua vontade de entregar 100$000 às obras de Nossa Senhora do Carmo.

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