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Um vassalo do rei suplica contra os negros de África e Guiné.


Os negros eram quase sempre vistos, no século XVIII, como inimigos, posto que eram bárbaros e não entendiam que o cativeiro era a sua única chance de ingressar no mundo civilizado. O documento a seguir é uma pérola para a percepção de como a sociedade percebia o negro de uma maneira geral. Ao mesmo tempo em que ele era essencial ao sistema, gerava na população um pânico em função de suas revoltas, fugas e outros mecanismos utilizados para acabar com a exploração sofrida.

Senhor,
Representa um vassalo amante da pátria e desejoso que se propague a Conquista Portuguesa e se estenda a Monarquia com aumento da Santa Madre Igreja para maior glória de Deus, ... Porém leal e justamente devem por na presença de V. M. com a mais humilde submissão o risco em que deixam suas mulheres e filhas nas mãos dos inimigos mais perniciosos porque sendo estas Minas só cultivada com gente preta bárbara de África e Guiné, que todos moradores possuem, uns mais, e outros menos conforme suas posses com a sujeição de cativos pelos comprarem naquela região ... e estando as mesmas Minas tão abastadas destes bárbaros, ainda que de mestiço a força do temor e inclinados só a fazerem mal e matarem os brancos, que julgam capitais inimigos, pelo privar da liberdade, e contando-se para cada um branco mais de cem etíopes, que como bárbaros impelidos da sua natural fereza, tem por várias intentado despojar-nos das próprias vidas, e nossas mulheres e filhas cativarem...”
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1 APM SC 218 fls. 191-193

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