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Lavras do Funil, dos bandeirantes aos mineradores.


Falar da história de Lavras sem representar os acontecimentos que levaram o movimento conhecido como Bandeirantismo e a Descoberta das Minas de Ouro, e suas próprias convulsões históricas, estaríamos nos apropriando indevidamente dos preceitos a que convêm distinguir a narração dos fatos sociais, políticos e econômicos, atribuídos à formação e ao desenvolvimento de qualquer município das Gerais, principalmente daqueles que se difundiram nas rotas das bandeiras e nos caminhos do ouro.

Desde os primeiros tempos, aquele movimento proveniente de São Paulo tinha, inicialmente, o objetivo de aprisionar índios, passando, em seguida, a receber incentivo da Coroa para as penetrações nos sertões ínvios à procura de pedras e metais preciosos, esmeraldas, diamantes, prata e ouro. E o mais contemplado com os apelos reais e governantes foi Fernão Dias que, ao convencer-se de que deveria sair em busca das riquezas, preparou sua expedição que, pela importância, abriu verdadeiramente o território mineiro à exploração, formando núcleos estáveis, fixando em vários pontos, constituindo arraiais, fazendo plantações e percorrendo longos trechos. A sua bandeira foi o grande marco de penetração nas terras de Minas, pois, foi gente sua que nestas plagas ficaram, e que teriam sido feitos os primeiros achados de ouro.

Começava, assim, a a corrida para as minas de gente que vinham de todos os pontos. Em poucos anos, o território, então habitado pelos índios, tem procura intensa. A ânsia de lucro, de ganho fácil, provocou crises de todos os tipos, resultando logo em conflitos determinantes, que culminaram na retirada dos paulistas com a Guerra dos Emboabas e a criação da Capitania de Minas Gerais, separada da Capitania de São Paulo.

Todos queriam ser mineradores, explorando o que se encontrava na superfície, o ouro aluvional, o que era fácil em relação ao de mina, que exigia técnicas e capitais. Porém, a precária tecnologia usada, a escassez acentuada e os obstáculos impostos pela Metrópole, provocaram a dispersão dos mineradores, que viram na agropecuária a principal alternativa.

As várias denominações agrupadas que surgiram com a abertura e entrada do Sertão dos Cataguases, referentes à região da Colina do Funil, confundem-se em seu povoamento, que aos poucos foram se desfazendo naturalmente, assumindo suas derivações próprias:


- Serra das Carrancas;
- Fecho do Funil;
- Cachoeira Afunilada do Rio Grande;
- Funil do Rio Grande;
- Campos do Funil do Rio Grande; e
- Freguesia de Nossa Senhora das Carrancas e Sant'Ana das Lavras do Funil.

Entre outros, foram substantivos que chegaram até nós através dos nossos antepassados, usados por bandeirantes e viandantes que nos primórdios hospedaram-se `sombra das matas selvagens do Rio Grande, ao penetrar nos longínquos sertões das Gerais e Goiás. Era quase um só lugar, visto assim pelas afastadas distâncias que atingiam e separavam a Colina das concorridas vilas de São Paulo e São Sebastião do Rio de Janeiro.

A abertura do caminho direto da Encruzilhada para a Serra das Carrancas e daí para o Rio das Mortes sem passar pelo Funil do Rio Grande e a instalação da Casa do Registro de Ouro das Lavras do Funil, também na Serra das Carrancas, estabeleceu o início de formação de dois pontos distintos de povoação, em que ambas as localidades assentavam pousos e serviam de morada a mineradores.

trecho do A Formação Histórica de Santa'Ana das Lavras do Funil.

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