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Romão Fagundes no Boletim do Grupo Escolar.

Comemorações de outubro:
Romão Fagundes

O registro de óbito deste que foi o fundador do arraial de Perdões, de nosso município, está assim concebido á folha 37v do livro respectivo:

"No ano de mil oitocentos e vinte e seis, no mês de outubro, falecendo com todos os sacramentos, o sargento-mor Romão Fagundes do Amaral de oitenta e quatro anos, casado com Dª. Maria José da Incarnação, foi acompanhado pelo padre Manoel Machado e pelo vigário Aleixo Antônio da Mota, encomendado pelo mesmo e sepultado dentro da capela do Senhor Bom Jesus dos Perdões, de que fiz este assento. O vigário encomendado Francisco de Paula Diniz".

Convém notar que a data deste registro não está de acordo com a de uma declaração reservada feita pela filha de Romão Fagundes, Dª. Angélica Rosaura do Amaral, casada com Alexandre Vieira de Gusmão. Tal declaração, datada de 20 de agosto de 1.825, dá a Romão Fagundes como já tendo falecido.

Do arquivo da "Mesa de Consciência e Ordens", do Rio de Janeiro, consta, conforme cópia que nos enviou nosso ilustre colaborador Sr. Comendador Ângelo Câmara - "o requerimento do sargento-mor Romão Fagundes do Amaral, morador na sua fazenda da Mata, da Freguesia de Sant'Anna das Lavras do Funil, pedindo provisão de confirmação de ereção de uma capela com a invocação de Bom Jesus dos Perdões em sua dita fazenda da Mata, e ao mesmo tempo como procurador João Corrêa de Figueiredo. P. P. confirmação da ereção. Rº. em 5 de junho de 1.815 P. em 1º de julho de 1.815. P.P. em 12 de dº".

Na sua interessante memória sobre o distrito de Perdões, estampada na "Revista do Arquivo Público Mineiro" de 1.898, o ilustre Dr. Ribeiro da Silva refere-se nestes termos ao fundador daquele arraial:

"No princípio deste século, Romão Fagundes que, acompanhado de numerosa leva de escravos, andava explorando as margens do rio Grande á procura de minas de ouro, estabeleceu-se no local em que está situado o arraial de Perdões, lançou os fundamentos do mesmo, deu início á construção da matriz e durante muitos anos trabalhou em mineração nas circunvizinhanças da localidade, deixando em memória da sofreguidão com que corria em busca do precioso metal, as grandes lavas que ainda hoje se vêem nas proximidades da povoação.
Refere uma tradição local que Romão Fagundes, querendo enviar uma oferenda á corte portuguesa que se achava então no Rio de Janeiro, mandou, com uma parte do ouro extraído em Perdões, confeccionar um pequeno "cacho de bananas", que remeteu ao rei D. João VI, e contam os antigos do lugar que o fundador de Perdões, homem dado aos prazeres de toda a espécie, nos sambas que realizava e para os quais convocava todas as mulheres de vida livre das circunvizinhanças, comprasia-se em distribuir-lhes pequenos cartuchos contendo cada um cerca de cinco gramas de ouro
."

Trecho do Boletim Escolar de Lavras editado pelo Prof. Firmino Costa.

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