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O testamento de um senhor de terras.

Documento encomendado pelo Projeto Partilha.
Transcrição de
Edriana Aparecida Nolasco.

Tipo de documento - Inventário.
Ano - 1821. Caixa - 36.

Inventariado - Capitão José Joaquim Gomes Branquinho
Inventariante - Maria Vitória dos Reis.
Local - Santana das Lavras.

Fl. 01

Inventário dos bens que ficaram por falecimento do Capitão José Joaquim Gomes Branquinho de quem é viúva e inventariante sua mulher dona Maria Vitória dos Reis.
Data - 07de junho de 1821.
Local - Fazenda denominada Boa Vista. Freguesia de Santana das Lavras. Termo da Vila de São João del Rei, Minas e Comarca do Rio das Mortes em casa de morada de dona Maria Vitória dos Reis.

Fl.01v

Declaração
(...) declarou a dita inventariante que o dito seu marido faleceu no dia primeiro do mês de abril do corrente ano de mil oitocentos e vinte e um com o seu solene Testamento (...).

Fl.04

Testamento
In nomini Domini Amém.

Eu José Joaquim Gomes Branquinho filho legítimo de José Gomes Branquinho e Ângela Ribeira de Morais natural e batizado na Freguesia de São João del Rei morador na Freguesia das Lavras do Funil Termo e Comarca da Vila de São João del Rei estando gravemente enfermo e em meu perfeito juízo e desejando por a minha alma no caminho da salvação faço o meu Testamento pela forma seguinte:

Sou católico Romano e nesta fé protesto viver e morrer.

Primeiramente encomendo a minha alma a Deus que a criou e rogo a Virgem Maria Senhora Nossa e ao Anjo da minha Guarda e todos os Santos sejam meus intercessores, a fim de que a minha alma quando sair deste mundo vá gozar da eterna bem aventurança para que foi criada. Ordeno que o meu corpo seja amortalhado no Hábito da Senhora do Carmo de quem sou Irmão Terceiro e sepultado na Igreja Matriz ou na Capela mais vizinha ao meu falecimento, o meu enterro deixo a eleição de meu Testamenteiro.

Declaro que sou casado com dona Maria Vitória dos Reis de cujo matrimônio temos dez filhos, sete casados e três solteiros, os quais são meus legítimos herdeiros.

Declaro que com tenho (fl.04v) herdeiros necessários estes devem herdar as partes que lhes pertencem e disponho da minha terça para aquelas cousas que não devem sair do Monte Mor e por isso deixo que se digam pela minha alma duzentas missas; e assim mais pelas almas de meus pais vinte missas; e pelas almas dos meus escravos falecidos dez missas; e pelas almas do purgatório vinte missas.

Deixo ao meu afilhado Cândido filho de meu compadre Joaquim Fernandes cinquenta mil réis;
a meu afilhado José filho de meu compadre José Alves cinquenta mil réis;
a minha afilhada Maia filha de meu compadre Antônio Alves cinquenta mil réis;
a meu afilhado José filho de meu filho José cinquenta mil réis;
deixo a Nossa Senhora do Carmo de São João Del Rei cem mil réis para ajuda das suas obras;
deixo vinte mil réis para se distribuir com os pobres da Freguesia sendo cada esmola de cento e cinquenta.

Declaro que à minha filha Jacinta casada com o capitão Joaquim Fernandes dei de dote quatrocentos e cinquenta mil réis, entrando nesta quantia uma escrava por nome Joaquina comprada por cento e cinquenta mil réis, e uma crioula por nome Eva de idade de cinco anos que foi avaliada no preço de cinquenta mil réis.

Fl.05

Do mesmo modo dotei a minha filha Maria casada com o capitão José Alves com quatrocentos e cinquenta mil réis, entrando também nesta quantia uma escrava por nome Catharina comprada por cem mil réis, e uma crioula por nome Delfina de idade de oito anos que foi avaliada no preço de cem mil réis.

Do mesmo modo a minha filha Cândida casada com Antônio Alves dei de dote quatrocentos e cinquenta mil réis, entrando nesta quantia uma escrava por nome Theresa comprada por cento e trinta mil réis, e uma crioula por nome Juvita de idade de dez anos que foi avaliada no preço de cem mil réis, cujos dotes de quatrocentos e cinquenta mil réis se levará em conta na legítima que pertencer a cada uma das ditas minha filhas.

Declaro que meu filho Luiz Gonzafa levou um crioulo por nome Lotiro (?) no valor de cento e quarenta mil réis cujo valor se descontará na legítima que lhe pertencer.

Declaro que dei a meu filho João Damasceno cento e quarenta mil réis; a meu filho Cândido o mesmo, e meu filho José o mesmo, cujas quantias se levará em conta nas suas legítimas.

Nomeio para meus Testamenteiros em primeiro lugar a minha mulher Maria Vitória, em segundo lugar a meu filho João Damasceno em terceiro lugar a meu compadre Joaquim Fernandes aos quais rogo pelo amor de Deus queiram ser meus Testamenteiros, para o que os hei (fl.05v) por habilitados e os constituo meus Procuradores e administradores de meus bens, que poderão vender e dispor a seu arbítrio sendo a benefício das minhas disposições , e o que aceitar esta minha testamentária haverá dos meus bens prêmio para seu trabalho oitenta mil réis e lhe concedo dois anos para a conta Judicial e se não for bastante o Juiz competente lhe concederá mais o tempo preciso.

Declaro que depois de cumpridas estas minhas disposições se sobrar alguma coisa da minha terça se distribuirá igualmente por todos os meus herdeiros.

Deste modo hei por acabado este meu Testamento que vai somente por mim assinado e se para sua validade faltar alguma cláusula em direito necessários, as hei aqui por expressas e declaradas como se delas fizesse menção.

E rogo as Justiças de sua Magestade lhe façam dar seu devido e inteiro comprimento na melhor forma e ordem de direito que valer possa por ser esta a minha última vontade.

Fazenda da Boa Vista, 24 de março de 1821.
José Joaquim Gomes Branquinho.

Fl. 06v.

Subscrito
Testamento do Capitão José Joaquim Gomes Branquinho na sua Fazenda da Boa Vista Freguesia das Lavras do Funil (...)

Abertura
Certifico haver aberto este Testamento com que faleceu o Capitão José Joaquim Gomes Branquinho ao primeiro de maio de mil oitocentos e vinte e um (...)

Fl. 08

Procuração
Procuradores nomeados - Reverendo João Ferreira Leite; tenente Emerenciano José de Souza Vieira.
Data - 08 de abril de 1821.
Local - Fazenda da Boa Vista Freguesia das Lavras do Funil em casas de morada de dona Maria Vitória dos Reis.
Que fa - dona Maria Vitória dos Reis, viúva.

Fl. 09

Filhos
01 - Capitão João Damasceno Branquinho, casado;
02 - dona Jacinta Ponciana Branquinho casada com o capitão Joaquim Fernandes Ribeiro de Rezende;
03 - alferes Luiz Gonzaga Branquinho, casado;
04 - alferes Cândido Hermenegildo Branquinho, casado;
05 - dona Maria das Dores Branquinho, casada com o capitão José Alves de Figueiredo;
06 - José Justiniano Branquinho, casado;
07 - dona Cândida Vieira Branquinho, casada com Antônio Alves de Figueiredo;
08 - Alexandre Gomes Branquinho, solteiro de idade de vinte e sete anos;
09 - dona Ana Alexandrina Branquinho, solteira, de idade de vinte e cinco anos;
10 - dona Claudina Marcelina Branquinho, solteira, de idade de vinte e dois anos.

continua...

Projeto Partilha - Leonor Rizzi

Próxima matéria: O testamento de um senhor de terras. 2ª Parte
Artigo Anterior: O sesmeiro Manoel Antônio Rattes.

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