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A sesmaria de José Marcelino de Azevedo.

Documento encomendado pelo Projeto Partilha.
Transcrição de
Edriana Aparecida Nolasco

Tipo de documento - Sesmaria
Ano - 1776
Sesmeiro - José Marcelino de Azevedo
Embargantes - Padre Bento Ferreira e João da Cunha
Local - São João del Rei.

Fl. 01

Autos de Sesmaria
Data - 05 de junho de 1776
Local - Sitio e Fazenda da Santa Fé em casas de morada do sesmeiro do Termo da Vila de São João del Rei Minas e Comarca do Rio das Mortes.

Fls. 03

Carta de Sesmaria
(...) por sua Petição José Marcelino de Azevedo que o defunto seu Pai houvera por título de compra uns matos e uns campos que o suplicante há mais de quatorze anos cultivava plantando e criando gado tudo do Rio do Peixe e para a parte de im morro, sertão que corre para as Três Pontas, Rio Verde abaixo e porque o suplicante deseja possuir as ditas terras de cultura e seus logradouros para pastos por legítimo título me pedia lhe concedesse neles a extensão de três quartos de léguas que compreenderão as mesmas e atendendo os empenhos com que ficara o casal por falecimento de seu Pai e se achar vivendo com a viúva sua Mãe e órfãos menores trabalhando pelo seu braço com alguns escravos como Tutor dos mesmos principiando a medição da parte do Rio Verde do lugar fronteiro do feixo onde parte com a sesmaria do Capitão Thomé Martins da Costa correndo rio acima chamado do Peixe até o Ribeirão chamado Vermelho em que o dito sitio parte com a sesmaria do Reverendo Pe. Bento Ferreira que são contravertentes do Ribeirão do Barreiro. Freguesia das Lavras do Funil. Termo da Vila de São João del Rei (...)

Fl. 08

(...) digo eu Padre Bento Ferreira que entre outras mais terras de que sou senhor e possuidor por compras que delas fiz e principalmente por título de Sesmaria medidas e demarcadas são bem assim as terras de culturas e campos parte da minha sesmaria de três léguas, desde o córrego chamado Palmital até o Rio do Peixe, ficando-me pertencendo as terras que vertem ao dito córrego da parte desta minha casa de Campo Belo menos as que a ele dito córrego vertem abaixo da cachoeira que foi caminho de carro correndo do (ilegível) de um capão que aí fica por uma restinga e atravessando um lagrimal para a parte da Fazenda do Vigário da Vara¹ até outro (ilegível) que do mesmo dito se avista todas as ditas terras, vendo e por este tenho vendido ao senhor João da Cunha (...).

Fl. 11

Carta de Sesmaria
Diz o Padre Bento Ferreira sacerdote do Hábito de São Pedro² que no Sertão que entre os Rios Ingaí e Verde corre para o Rio Grande por ser ele suplicante o primeiro morador lhe foram concedidas uma sesmaria (...).

Fl. 13

Auto de Medição e Demarcação
Data - 07 de junho de 1776
Local - neste Sítio ou terras mencionadas onde se deu o nome de Fazenda da Boa Esperança da Freguesia da Campanha do Rio Verde do Termo da Vila de São João del Rei Minas e Comarca do Rio das Mortes.

(...) elegeu para o lugar do Pião um morro alto de catandubas dentro das terras confrontadas na dita carta (...) e aí meteram um marco de pedra (...)

(...) seguiram o rumo do nordeste pelo qual mediram noventa e cinco cordas que findaram em uma ressacada de campo próximo ao Ribeirão Vermelho e aí para divisa meteram um pau nativo de massaranduba (...) e confronta este rumo com o Ribeirão Vermelho (...)

(...) seguiram o rumo do sudueste pelo qual mediram sessenta e três cordas que findaram em um lançante de campo próximo a um capão vertente a esta sesmaria e aí para divisa de pau de jacarandá (...) e confronta este rumo com terras da Sesmaria do Capitão Thomé Martins da Costa³ (...)

(...) seguiram o rumo noroeste pelo qual mediram sessenta e duas cordas que findaram em um espigão de morro de mato e aí para divisa meteram um marco de ubatinga (...) e confronta este rumo com terras da sesmaria de Manoel Ferreira (...)

(...) seguiram o rumo sueste pelo qual mediram oitenta cordas que findaram em uma vertente de mato que verte para o Rio do Peixe e aí meteram um pau nativo chamado massaranduba (...) e confronta este rumo com o dito Rio do Peixe (...)

* O sesmeiro tomou posse em 07 de junho de 1776

Fl. 20

Diz João da Cunha e o Padre Bento Ferreira que eles vieram com embargos contra a medição e posse da parte da sesmaria de José Marcelino de Azevedo principalmente de toda a terra vertente ao Ribeirão do Barreiro (...)

Fl. 22

Procuração
Procuradores nomeados - Francisco Vieira de Souza Ferraz; Antonio José de Mello; capitão Brás Alves Antunes e João de Faria Silva.

Data - 08 de junho de 1776
Local Sítio do Campo Belo em casas de morada do Reverendo Bento Ferreira da Freguesia das Lavras do Funil do Termo da Vila de São João del Rei. Minas e Comarca do Rio das Mortes.
Que faz - o Reverendo Bento Ferreira e João Cunha.

Fl. 23

Procuração
Procuradores nomeados - a meu irmão João Correa Xavier de Azevedo, e os senhores Vicente Ferreira Alves; Manoel de Souza Dias; Diogo Moreira da Silva Rabello; Domingos Rodrigues Barreiros; Diogo da Motta de Araújo; Francisco Marques Guerra Pinto.

Data - 8 de junho de 1776.
Local - Santa Fé
Que faz - José Marcelino de Azevedo.

Projeto Partilha - Leonor Rizzi

Próxima matéria: A sesmeira Maria do Rozário de São Bento Abade.
Artigo Anterior: O testamento de um senhor de terras. 2ª Parte

1. As mais antigas sedes de comarcas eclesiásticas na parte sul-mineira da diocese de São Paulo foram Jacuí, Cabo Verde e Silvianópolis, que já em 1777 tinham essa categoria. Mais tarde, criaram-se muitas outras, suprimiram-se algumas e ainda restauraram-se outras. (Trecho do Livro: O Clero Paulista no Sul de Minas, 1801-1900 - Hiansen Vieira Franco).
2. Ao longo de todo o século XIX, os padres que atuaram no Sul de Minas eram, majoritariamente, pertencentes ao clero secular. Grande parte pertencia à Irmandade de São Pedro dos Clérigos, ereta em São Paulo em 31 de julho de 1762, por Dom Frei Antônio da Madre de Deus, e por isso sempre que tinham que se identificar de maneira formal, começavam por dizer: fulano de tal, presbítero secular do hábito de São Pedro. A pertença a essa irmandade, que ainda hoje existe em São Paulo, era muito salutar ao clero diocesano, cujos membros viviam normalmente isolados uns dos outros. Nela, os sacerdotes inscritos sentiam-se mais unidos entre si, além de serem beneficiados com ajuda espiritual e material, num espírito de solidariedade que acompanhava o padre até a morte com abundantes sufrágios. (Trecho do Livro: O Clero Paulista no Sul de Minas, 1801-1900 - Hiansen Vieira Franco).
3. Thomé Martins Ribeiro casado com Maria Correa de Santa Ana é irmão do Sesmeiro e Capitão Thomé Martins da Costa, considerado um dos fundadores da Cidade de Três Corações. Thomé e Maria tiveram entre seus filhos Luciana Maria Rosa, que em 1785 casou-se com o filho de Cipriana Antônia Rates.

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