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A metrópole, os índios e os quilombros no Brasil.

No início do século XIX os contatos com os índios Xaclán ainda eram feitos de maneira agressiva. Eles continuavam sendo um obstáculo sério às intenções dos povoadores da região. Em 1808 D. João, através de Carta Régia de 5 de novembro deste ano, decreta Guerra Justa aos Botocudos Xokleng do Paraná, acusados de “...matar cruelmente todos os fazendeiros e proprietários que nos mesmos países tem procurado tomar sesmarias e cultivá-las em benefício do Estado...”, concluía afirmando estarem esgotados “... todos os meios humanos para a sua civilização...”¹

Percorrendo a documentação pode-se perceber que havia uma clara preocupação das autoridades coloniais e metropolitanas em pacificar ou eliminar os índios que habitavam as regiões interessantes economicamente. Para isto, expedições organizadas pelos segmentos mais influentes da Colônia ou mesmo da Metrópole foram criadas. Com relação aos grupos de quilombolas a situação parece ter sido diferente. Isto ocorria porque as expedições enviadas aos Sertões para contatar os indígenas tinham um caráter “científico” e religioso. Um dos objetivos era conhecer estes grupos e catequizá-los, desde é claro, que não se mostrassem resistentes aos projetos das elites. Tais preocupações eram impensáveis quando se tratava de grupos de escravos fugidos. Evidentemente, não havia um projeto civilizador para os negros quilombolas. A estes estava reservada a guerra, a destruição de seus quilombos e o cativeiro.

Todavia, o projeto civilizador proposto e levado à cabo em Minas Gerais durante o século XVIII não foi de maneira alguma específico para a região. Muito pelo contrário, o que se percebe em diversas documentações é um projeto maior que visava em última análise colonizar - através do conhecimento das áreas e de seu povoamento - não só para garantir a produção de riquezas, mas também para manter a posse sobre as terras. .

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

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1. Carta Régia, 5.11.1808. Coleção das Leis do Brasil.

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