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A primeira expedição de Pamplona.

Cumprindo as ordens do Governador, Pamplona em 1765 - com 34 anos de idade - fez sua primeira entrada nas nascentes do São Francisco acompanhado de alguns sócios interessados na ocupação daquelas terras: José Alves Diniz, Afonso Lamounier, José Fernandes de Lima, Antonio José Bastos, Inacio Bernardes de Souza, Simão Rodrigues de Souza, Pedro Vieira de Faria, Timóteo Pereira Pamplona e outros. Faziam parte do grupo vários escravos e índios pacificados. O capelão era o Padre Antonio Pereira Henriques que possuía o poder de vigário da vara e provisor de novas capelas. Como conseqüência desta Entrada, o Governador assinou várias cartas de Sesmarias com datas de 1° de dezembro de 1767. Em todas elas a causa principal para que os requerentes pedissem as terras era a de que tinham participado de alguma forma na conquista do sertão devoluto do Rio de São Francisco, Serra da Marcela e Quilombo do Ambrósio. Os homens alegavam ter acompanhado Ignácio Correia de Pamplona; as mulheres e suas filhas, diziam ter contribuído com escravos para que a conquista pudesse ocorrer. Simplícia e Teodósia Correia Pamplona receberam terras na Freguesia do Arraial da Senhora Santa Ana do Bambuí; Francisca, Rosa, Timóteo e o pai, Inácio Correia Pamplona receberam sesmarias no Arraial de Nossa Senhora da Conceição da Conquista do Campo Grande.¹

Havia também um outro ponto em comum nas petições requerendo terras na área conquistada: todas alegavam que se tratava de sertão devoluto e que a campanha de conquista havia sido uma empresa perigosa devido aos quilombolas que dominavam a região².

A expedição teve, contudo, sérios problemas com os índios Caiapós e os quilombolas que ali viviam escondidos do avanço branco. A condição básica para a ocupação do território seria a sua aniquilação e este foi o primeiro passo do grupo. Pamplona instalou-se no Desempenhado, perto de Bambuí e de lá comandou várias expedições contra estes grupamentos. A partir daí, teve início o seu poderio. Em função dos serviços prestados adquiriu autoridade sobre o “sertão do sul de Minas que se situa[va] ao norte do Rio Grande até dividir-se com o sertão da Farinha Podre...³

Durante sua vida, Pamplona conseguiu adquirir várias sesmarias, quase todas com extensão de três léguas de terra em quadra.4 Ele também possuía a Fazenda dos Perdizes, a do Mendanha, a do Capote, e uma outra na Lagoa Dourada, freguesia dos Prados, Comarca do Rio das Mortes. Durante a campanha de Conquista do Bambui e Campo Grande, conseguiu adquirir oito sesmarias: uma era dele (a do Desempenhado) e as sete restantes eram de seus filhos e genro, mas controladas por ele. Em seu testamento datado de 18215, afirmava que para conseguir medir e demarcar todas estas terras precisou fazer muita despesa com “...pólvora, chumbo, armas de fogo, mantimentos, tropas de bestas e muitos homens...”, deixando claro o espírito de guerra que norteava a expedição.

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

Próximo Texto: Pamplona e os membros de sua expedição.
Texto Anterior: O capitão-de-campo Inácio Correia de Pamplona.

1. Notícia diária e individual...Op. Cit. p. 91 a 93
2. SC 156 Livro de Sesmarias. 1767. Arquivo Público Mineiro
3. JARDIM, Marcio. A Inconfidência Mineira: uma síntese factual. RJ, Biblioteca do Exército. 1989, p. 202
4. De acordo com Waldemar de Almeida Barbosa, uma sesmaria de três léguas de terra em quadra seria igual a nove léguas quadradas. Uma légua quadrada corresponderia a 43,56 Km2 ou 43.56.000 m2. Como as sesmarias eram de 3 léguas de terra quadradas, possuiriam na realidade, 392.040 Km2 ou 392.040.000 m2 ou 8.100 Alqueires Mineiros Ou 39.200 Hectares.
5. Testamento de Ignácio Correia de Pamplona. 1821. São João del Rei. Cx. 100.

Comentários

Informação aos amigos professores de 1º e 2º graus.
Este artigo contém equívocos oriundos da mera repetição de bibliografia sem fonte primária:
1 - Waldemar de Almeida Barbosa, como fez muitas vezes, citou essa entrada de 1765, porém, sem NADA provar. Essa entrada, realmente, assim como muitas outras coisas sobre Pamplona, NÃO existiu.
2 - Pamplona mandou seus escravos e "camaradas pagos" acompanharem a entrada de 1766, determinada diretamente pelo Governador Luís Diogo a João Vieira de Faria, apenas ao segundo braço do São Francisco.
3 - Em outubro de 1767, usando a odiosa Lei das Sesmarias, Pamplona peticionou e obteve de Luís Diogo, a expulsão de todos os posseiros e sesmeiros que, sem títulos válidos, habitavam o Sertão do São Francisco, ambas as margens do rio Bambuí.
4 - Em dezembro de 1767, obteve finalmente as 22 cartas de sesmaria, 6 para sí próprio e 16 para seus sesmeiros-laranjas, cuja maioria utilizaria para invadir o Triângulo Goiano.
Que povoador é esse que se utiliza da Lei e do braço militar do governo para desocupar as terras que, apesar de ser oficialmente, grilou para si e para seus comparsas?
Tarcísio José Martins
tjmar@uol.com.br
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