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O dia-a-dia da expedição de Pamplona.

Quando todos os preparativos estavam prontos, com as 52 bestas de cargas já estavam carregadas com comida, bebida e a botica, todos partiram. Além dos fazendeiros, dos que queriam ser fazendeiros e dos escravos, iam também o Capelão Gabriel da Costa Resende, oito músicos, dos quais sete eram escravos de Pamplona e um branco livre, e mais dois negros tocadores de tambores. Logo à frente, iria juntar-se à comitiva um cirurgião, responsável por tentar mantê-los vivos.

A quantidade de armas levadas pelo grupo mostrava a todos que não seria uma expedição pacífica. Havia espingardas, clavinas, facões, patronas, pólvora, chumbo e muita munição. Tudo indicava tratar-se de uma expedição de guerra.

Naquele primeiro dia andaram cerca de três léguas e pararam para pernoitar na Fazenda Cataguases.

Lá, iniciaram uma rotina que os acompanharia durante toda a jornada, ainda que as paradas fossem já no meio do Sertão sem qualquer abrigo por perto: a janta com os requisitos básicos da civilidade. A comida era servida quente, em pratos e acompanhada de vinho. Após a janta ou um pouco antes dela, era costume que um dos acompanhantes recitasse poemas louvando o espírito empreendedor de Pamplona.

Na manhã seguinte, assim como em todas, os músicos tocavam a alvorada e continuavam com seu repertório musical até o momento da missa quando em seguida, a comitiva partia novamente.

Os dias foram transcorrendo nesta rotina, e a medida que a expedição ia se interiorizando pelo Sertão, iniciavam-se as contendas por causa da falta de Justiça e de controle. A todos os problemas, Pamplona resolvia utilizando-se para isso dos amplos poderes conferidos a ele pelo Governador da Capitania, o Conde de Valadares.

Para facilitar a vida dos novos entrantes e também para promover o povoamento e desenvolvimento da região, Pamplona foi fundando arraiais, criando Igrejas, pontes, estradas, tudo nomeando e tomando posse para a Câmara de São João del Rei. Depois, o capelão rezava a missa e ao seu término, eram distribuídas sesmarias às pessoas que os acompanhavam.

Em alguns casos, como por exemplo, quando a ponte sobre o Rio de São Francisco ficou pronta, foi feita uma procissão e rezada uma missa solene. A construção desta ponte é muito interessante. Ainda que Pamplona soubesse o quanto seria difícil construir uma ponte sobre o rio São Francisco por causa da distância entre as margens e violência de suas águas, sabia que era imprescindível caso quisesse realmente povoar a região. Isso porque os quilombolas sempre roubavam e soltavam as canoas que atravessavam o rio, impedindo a constância e a segurança do local.

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

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