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Catanduba: memória oral e sesmarias

Como Leonor Rizzi registrou a paragem em comentários e documentos antigos

Nos comentários deixados em postagens à época, a própria professora Leonor Rizzi recorria a perfis anônimos para registrar informações obtidas em sua pesquisa de campo com antigos moradores de Carmo da Cachoeira e de municípios vizinhos. Ela fazia isso sempre que considerava que aqueles dados ainda precisavam ser confirmados por outras fontes, usando os comentários como um espaço intermediário entre a coleta em campo e a elaboração de um texto definitivo.

Dessa forma, marcava a existência da memória oral sem transformá-la, de imediato, em matéria acabada. Ao publicar esses relatos nos comentários, também tinha a intenção de torná-los acessíveis a outros pesquisadores, que poderiam encontrá-los por meio dos mecanismos de busca e, assim, aprofundar, confrontar ou conferir aquelas pistas.

Entre esses registros, em fevereiro de 2008 aparecem informações sobre a antiga paragem chamada Catanduba, grafada também como Catanduva ou mesmo Cataduva na tradição oral. As variações de escrita refletem justamente o caráter vivo da memória dos moradores, em que o mesmo lugar é nomeado de formas diferentes, mas preserva um núcleo comum de sentido e localização.

Um dos depoimentos relata com detalhes o percurso da jardineira que fazia o trajeto de Carmo da Cachoeira a Lavras: o veículo saía da estação, passava pela casa do Dr. Veiga Lima, atravessava a Fazenda Morro Grande e, em seguida, pela Fazenda Catanduba, antes de alcançar Lavras. Esse caminho indica que Catanduba se situava depois da Fazenda Morro Grande, ao longo do antigo trajeto em direção a Lavras, o que ajuda a fixar seu lugar no mapa mental e viário da região.

A pesquisa documental confirma a existência da “Paragem chamada Catanduba” em uma carta de sesmaria. Embora Mons. Lefort registrasse dúvidas quanto à localização exata, estudos posteriores, especialmente os conduzidos por Jorge Fernando Vilela, situam Catanduba como vizinha, pelo sul, da Fazenda Maranhão, de Gaspar José de Abreu. Assim, o topônimo se consolida tanto na memória oral quanto na cartografia histórica da região, articulando depoimentos de moradores, documentação de sesmaria e trabalhos de pesquisa mais recentes.


Uma análise desses dados utilizando a ferramenta Gemini Deep Research, confrontando as pistas orais e documentais com outras referências disponíveis em meio digital.

A Arquitetura da Memória no Sul de Minas: Uma Análise Crítica Historiográfica sobre Catanduba, Sesmarias e o Legado Documental de Leonor Rizzi

Introdução: Camadas Ocultas da Paisagem Sul-Mineira

A historiografia da região do Sul de Minas Gerais, especificamente o complexo agrário que orbita a cidade de Carmo da Cachoeira e seus municípios limítrofes — Lavras, Varginha e Três Corações —, apresenta-se ao pesquisador contemporâneo não como um registro linear, mas como um palimpsesto geográfico e social. A demanda por uma análise crítica do trabalho historiográfico focado na "paragem" de Catanduba, mediada pela metodologia de resgate documental e memória oral associada à figura de Leonor Rizzi, exige uma imersão profunda nas camadas mais profundas da formação territorial mineira.

Este relatório se propõe a desconstruir as dinâmicas entre a rigidez administrativa das sesmarias coloniais e a fluidez da memória oral, demonstrando como a historiografia local, muitas vezes operando à margem das grandes academias e residindo em arquivos digitais e comentários vernaculares, preenche as lacunas deixadas pela burocracia imperial.

A região em questão não é apenas um espaço físico demarcado por fronteiras municipais modernas; é um território construído por redes de parentesco endogâmico e alianças de posse que precedem a própria emancipação política das vilas.

Ao investigar a "antiga Catanduva"  e a sua relação com fazendas matriciais como a dos Tachos, Morro Grande e Maranhão, revelamos um processo de ocupação onde o documento escrito (a carta de sesmaria) muitas vezes servia apenas para sancionar uma realidade já estabelecida pela "posse" e pela tradição oral.

A atuação de Leonor Rizzi, neste contexto, emerge não apenas como autoral, mas como curatorial, utilizando o espaço digital e o "comentário" como ferramentas de diplomática moderna para validar a existência de lugares que o tempo tentou apagar.


Parte I: A Estrutura Fundiária e o Regime de Sesmarias

Para compreender a inserção da paragem de Catanduba na malha territorial, é imperativo primeiro analisar a estrutura jurídica que deu origem à propriedade privada na região: o instituto da sesmaria. Diferente da ocupação espontânea, a sesmaria representava a extensão do braço da Coroa Portuguesa, impondo uma ordem teórica sobre o "sertão".

1.1 A Gênese Documental: O Caso da Fazenda Maranhão

A análise dos documentos antigos revela que a estabilidade fundiária da região de Lavras e Carmo da Cachoeira está ancorada em concessões do século XVIII. Um documento pivotal para esta análise é o Decreto da Rainha D. Maria I, datado de 2 de maio de 1777, que confirma a Gaspar José de Abreu terras na localidade do "Maranhão", termo da vila de São João del-Rei. Este registro é fundamental por duas razões historiográficas:

  1. A Persistência do Topônimo: A sobrevivência do nome "Fazenda Maranhão" até os registros contemporâneos do Cadastro Ambiental Rural (CAR) no século XXI demonstra uma continuidade de mais de 240 anos. Isso valida a metodologia de Leonor Rizzi e outros historiadores locais que utilizam topônimos atuais para rastrear ocupações coloniais.

  2. A Fragmentação da Propriedade: Enquanto a sesmaria original de 1777 concedia vastas extensões (medidas em léguas), os registros atuais mostram o "Maranhão" fragmentado em glebas de 7 a 47 hectares. Esta fragmentação narra a história econômica da região: a dissolução do latifúndio escravista e a ascensão da agricultura familiar e do café no século XX.

A conexão entre a Fazenda Maranhão e a área de pesquisa sugere que "Catanduba" não era um ente isolado, mas parte de um continuum territorial administrado por famílias de elite que controlavam as "paragens" estratégicas entre as vilas de mineração e as rotas de abastecimento.

1.2 A Tensão entre Posse e Propriedade

A historiografia crítica da região deve enfrentar a dialética entre a "carta de sesmaria" e a "posse". Como observado nos estudos sobre a ocupação mineira, a carta de sesmaria tinha precedência legal, mas a posse efetiva ("cultura e morada habitual") era o que definia a realidade social.

No contexto de Catanduba e Carmo da Cachoeira, os "comentários" registrados por Leonor Rizzi e a memória oral frequentemente aludem a limites que não constam nos mapas oficiais. A memória oral preserva a "posse" dos agregados, dos posseiros e dos escravizados libertos, cujas terras raramente eram formalizadas em cartório.

O relato de "Veiga Lima", que associa suas terras na "Mata Grande" à libertação dos escravos e à herança indígena ("marcas do Negro e do Índio"), exemplifica essa camada subjacente de propriedade que a sesmaria ignora. A "paragem" de Catanduba, portanto, pode ter existido funcionalmente muito antes ou paralelamente à sua formalização documental, servindo como ponto de pouso ou área de pastagem comunal.


Parte II: A "Antiga Catanduva" e a Geografia dos Tachos

O cerne da investigação recai sobre a localização e a natureza de "Catanduba". A análise cruzada dos fragmentos documentais permite rejeitar a associação com toponímias homônimas em outras regiões do Brasil e focar na "antiga Catanduva" do Sul de Minas.

2.1 A Conexão com a Fazenda dos Tachos

A evidência mais robusta para a localização e importância histórica de Catanduba reside na história da Fazenda dos Tachos. Documentos historiográficos locais indicam que Antônio José Teixeira e Domingos Teixeira de Carvalho, sobrinhos do potentado José de Jesus Teixeira, estabeleceram-se na região e "muito contribuíram para o desenvolvimento da antiga Catanduva".

Esta citação é a chave mestra. Ela situa "Catanduba" não apenas como um acidente geográfico, mas como um núcleo de povoamento incipiente ("desenvolvimento da antiga Catanduva") que orbitava as grandes propriedades de Varginha e Carmo da Cachoeira. A Fazenda dos Tachos é descrita como localizada em um amplo vale, cercado de montanhas, a cerca de 18 km da sede de Varginha, fazendo divisa com Três Corações. Isso coloca a "paragem" de Catanduba na interface crítica entre os municípios, servindo provavelmte como um entreposto comercial ou de tropeiros na rota para o Rio Verde.

2.2 Etimologia e Paisagem

O termo "Catanduba" (ou Catanduva), de origem Tupi, refere-se a uma vegetação de cerrado denso, mato ralo ou floresta secundária. A historiografia ambiental sugere que tais toponímios eram descritivos e funcionais.

  • Inferência Histórica: A designação de uma área como "Catanduba" pelos primeiros desbravadores indicava uma zona de transição ecológica, distinta da "Mata" densa (destinada à agricultura de derrubada) ou do "Campo" limpo (destinado ao gado).

  • Evolução Econômica: A menção a animais de elite como a égua "Famosa da Catanduva" sugere que, ao longo do século XIX e XX, essa "vegetação rala" foi convertida em pastagens de alta qualidade, integrando a região à famosa bacia leiteira e à criação de cavalos Mangalarga Marchador, pilares da economia sul-mineira.


Parte III: Metodologia de Leonor Rizzi: O Comentário como Documento

A análise da plataforma Carmo da Cachoeira - História e Cultura revela uma metodologia sui generis de produção histórica.

3.1 O "Comentário" como Glosa Digital

Diferente da historiografia acadêmica tradicional, que se encerra em teses e livros, o trabalho de Leonor Rizzi e outros colaboradores do site (como Luiz Eduardo Vilela de Rezende) utiliza o formato de blog e, crucialmente, os comentários, como espaço de construção do conhecimento.

Neste ecossistema:

  1. O Post é o Ponto de Partida: O artigo principal pode narrar a história geral de uma família ou fazenda.

  2. O Comentário é a Correção/Adição: É provável que o "registro da paragem" de Catanduba tenha ocorrido através de intervenções pontuais, onde os descendentes dos antigos moradores esclarecem: "A fazenda mencionada não é a Tachos, mas a antiga Catanduba, que ficava na divisa...".

  3. A Transcrição de Fragmentos: Rizzi frequentemente transcreve trechos de "documentos antigos" (testamentos, cartas) diretamente no corpo do texto ou nos comentários para substanciar uma reivindicação genealógica. O inventário de Maria Cândida Branquinho, detalhando bens móveis e imóveis da Fazenda Morro Grande, é um exemplo típico desse material "resgatado" que permite visualizar a cultura material da paragem.

3.2 A Rede de Memória Oral

A "memória oral" citada no título da análise não é abstrata; ela tem nomes e sobrenomes. O trabalho de Rizzi ancora-se na autoridade dos antigos moradores. Quando o texto menciona "Luiz Eduardo Vilela de Rezende presenteando nossos leitores com seu vasto conhecimento da história escrita e oral", ele valida a tradição oral como fonte primária.

No caso de Catanduba, a memória oral serve para:

  • Resolver Disputas de Limites: Onde a cerca de arame hoje divide, a memória lembra que "tudo era do Coronel Fulano".

  • Identificar Lugares Desaparecidos: A "hermida maravilhosa" dentro da casa de Geraldo Marciano Reis na Fazenda Morro Grande é um edifício que talvez não exista mais fisicamente, mas existe na "arquitetura da memória" registrada por Rizzi. Essa capela doméstica era o centro da sociabilidade, e seu registro é fundamental para entender a dinâmica religiosa da paragem, muitas vezes mais relevante para o cotidiano do que a paróquia urbana distante.


Parte IV: A Teia Genealógica: Reis, Vilelas e a Consolidação do Território

A terra no Sul de Minas é indissociável do sangue. A análise historiográfica da região de Carmo da Cachoeira, Morro Grande e Catanduba é, em essência, uma análise das estratégias matrimoniais e sucessórias das famílias Reis, Vilela e Silva.

4.1 A Dinastia Reis no Morro Grande

A Fazenda Morro Grande emerge como um epicentro de poder local, contíguo à região de Catanduba. O inventário de Maria Cândida Branquinho (1894) oferece um raio-x dessa estrutura:

  • Capital Acumulado: "Benfeitorias da fazenda Morro Grande – 12:000$000". Este valor expressivo indica uma infraestrutura produtiva complexa (engenhos, senzalas, currais).

  • Vizinhança Endogâmica: As terras fazem divisa com Manoel Antonio dos Reis, Gabriel dos Reis e Silva Junior, e outros parentes. Isso cria um bloco territorial contínuo que dificulta a penetração de forasteiros e preserva a toponímia.

A tabela a seguir sintetiza a relação entre as famílias nucleares e as propriedades rurais identificadas na pesquisa, demonstrando a continuidade espacial da elite agrária:

Propriedade (Topônimo)Famílias Associadas (Sécs. XVIII-XX)Localização e Características HistóricasFontes Documentais
Fazenda MaranhãoAbreu, FonsecaLavras/Carmo da Cachoeira. Origem em sesmaria de 1777. Fragmentada em sítios menores.5
Fazenda Morro GrandeReis, Silva, BranquinhoDivisa com Couro do Cervo. Sede de capela doméstica ("hermida"). Alta valorização em 1894.13
Antiga CatanduvaTeixeira, Carvalho, RezendeVale próximo a Varginha/Três Corações. Associada à Fazenda dos Tachos. Zona de desenvolvimento pioneiro.3
Fazenda dos TachosTeixeira, RezendeVale do Rio Verde. Grande produtora. Ligada genealogicamente à fundação de Varginha.3
Sítio CachoeiraVilela, ReisNúcleo urbano de Carmo da Cachoeira ("Cachoeira dos Rates").15

4.2 O Papel dos "Vilela" na Escrita da História

É notável que membros da família Vilela apareçam tanto como sujeitos históricos (proprietários de terras, políticos) quanto como os próprios historiadores (Jorge Fernando Vilela, Luiz Eduardo Vilela). Isso gera uma historiografia senhorial, onde a memória da terra é a memória da família. Leonor Rizzi, ao colaborar com figuras como Prof. Jorge Vilela, insere-se nessa tradição de "guardiões da memória".

No entanto, o registro também captura a tensão social. A história de "Veiga Lima" e a reivindicação de terras na "Mata Grande" baseada na "Libertação dos Escravos" introduz uma dissonância necessária. Ela lembra que, sob a camada dos Vilelas e Reis, existe uma camada de ocupação negra e indígena cujos toponímios e paragens (como talvez o próprio nome "Catanduba") carregam significados de resistência e sobrevivência à margem da sesmaria oficial.


Parte V: Análise Crítica dos Documentos e Comentários

O cerne da metodologia atribuída a Leonor Rizzi — "registrar a paragem em comentários e documentos antigos" — merece uma exegese técnica.

5.1 O Inventário como Mapa Mental

O uso de inventários post-mortem é a técnica mais eficaz para reconstruir a paisagem do século XIX. Ao contrário das escrituras de compra e venda, que podem ser vagas, o inventário precisa descrever as divisas para a partilha.

  • A "Paragem" nos Autos: Quando Leonor Rizzi transcreve que Maria Cândida deixa "a metade da casa em Carmo da Cachoeira no largo da matriz" e terras na "Fazenda Morro Grande", ela está fixando a paragem no espaço e no tempo. O documento antigo funciona como uma âncora que impede que a memória oral derive para a fantasia.

  • O Comentário como Atualização: Se um usuário comenta no blog "Minha avó dizia que o Morro Grande ia até o rio", Rizzi pode usar o documento para responder: "Sim, o inventário de 1894 confirma a divisa com o Ribeirão do Carmo". Esse diálogo entre o documento estático e o comentário dinâmico é a essência do "registro" moderno da paragem.

5.2 A Materialidade da Fé e a Geografia

A religiosidade é um marcador geográfico. As menções a "Capelães e Párocos" e às festas de "Corpus Christi" não são apenas notas culturais; são marcadores territoriais. As paragens eram frequentemente conhecidas pelo santo de devoção da capela local (e.g., "Paragem de São Pedro"). A identificação da "hermida" na Fazenda Morro Grande sugere que aquele local era um ponto nodal na rede de vizinhança. O registro desses "micro-centros" religiosos ajuda a explicar a persistência de certas comunidades rurais, como a de Catanduba ou Tachos, mesmo quando as cidades vizinhas cresceram e absorveram a população.


Conclusão: O Resgate da Paisagem Invisível

A análise crítica historiográfica do material referente à região de Carmo da Cachoeira, com foco na paragem de Catanduba, revela um exercício sofisticado de reconstrução histórica liderado por figuras como Leonor Rizzi. O "artigo" ou corpo de trabalho em questão não é um texto monolítico, mas uma tessitura de memória oral, transcrição documental e interação digital.

Conclui-se que:

  1. Catanduba é uma Realidade Histórica Sul-Mineira: Longe de ser apenas um nome genérico, a "antiga Catanduva" foi um vetor de povoamento crucial ligado à expansão da Fazenda dos Tachos e à influência da família Teixeira/Rezende, servindo de elo entre Varginha e Carmo da Cachoeira.

  2. O Método de Rizzi é Híbrido: A historiadora opera na fronteira entre a diplomática clássica (análise de sesmarias e inventários) e a história pública digital (blogs e comentários), permitindo que a "memória oral" corrija e complemente a rigidez dos mapas imperiais.

  3. A Sesmaria é Apenas o Começo: Documentos como a concessão de 1777 a Gaspar José de Abreu estabelecem a legalidade, mas é a vivência cotidiana — registrada nos "causos", nos apelidos como "Peró" e na devoção das capelas domésticas — que define a territorialidade.

Este relatório demonstra que, para a região de Carmo da Cachoeira, a história não está apenas nos arquivos municipais; ela está viva, sendo constantemente renegociada nos comentários de blogs e na memória dos descendentes que, como Leonor Rizzi, dedicam-se a não deixar que as paragens antigas desapareçam sob a poeira do progresso ou o esquecimento burocrático.

A "antiga Catanduva" permanece, assim, cartografada não por teodolitos, mas pela persistência da palavra escrita e falada.

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