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Ranchos, capatazes e boiadeiros

Resquícios de nossa alma sertaneja

Manuseando antigas escrituras, numa delas, ao se referir ao Morro do Cruzeiro diz: “Estrada Real”. Assim reconhecida pelos poderes públicos, pelo menos após a proclamação da República. Completando o termo “Estrada Real” descreve o local como sendo “junto ao pasto da Izalina”.

Buscamos enriquecer e/ou acrescentar as informações com quem dá notícias acertadas sobre nosso passado. Conversamos então com Manoel Ferreira Dias - o Neca e, também, com seu Santo Chagas (in memorian). Levando as mãos como indicativa de lugar, seu Santo Chagas disse:

(...) descia do morro, que a gente já conhecia com o nome de ‘Estrada Real’, vindo daqueles fundões de Nepomuceno, Coqueiral e outros fins de mundo, e seguia ladeando o pasto da Izalina. Ela era da Família Souza, gente poderosa por aqui, poderosos também, os Figueiredos, os ‘Ribeiro de Rezende’, os Garcia, os ‘Vilhena Reis’ que, casando-se entre eles, se fortaleciam ainda mais, formando verdadeiros clãs.

Otávio J. de Alvarenga, da Academia Belo-Horizontina de Letras, filho de Coqueiral, dizia ser “o velho Espírito Santo dos Coqueiros”. Indesviável de passagem e pouso de tropeiros e boiadeiros. Procediam de Passos, de Santa Rita de Cássia, de Paracatu, do Triângulo Mineiro, de Sorocaba (SP), de Catalão (GO) e até dos sertões de Mato Grosso. A maioria destinava-se à Corte, ao matadouro de Santa Cruz. De passagem ruidosa por Três Corações do Rio Verde (...).

Vídeo: O Tropeiro de Carmo da Cachoeira

Em sua obra, Terra dos Coqueiros (Reminiscências), segunda edição - Minas Gerais, 1978, fls. 13, Otávio Alvarenga ao dissertar sobre a fundação de Coqueiral, cita Carmo da Cachoeira no seguinte contexto:

(...) Vadeando outros rios, grimpando nas serras, transpondo florestas, enfrentando feras, índios, alimentando-se de frutas silvestres e de mel de abelhas, de pesca e de caça, aqui chegou no ano do nascimento de Dom João VI, ainda por via das, hoje, cidades de São Gonçalo do Sapucaí, Campanha, Três Corações, Carmo da Cachoeira e margem do Rio Grande.

Aos pés desse morro denominado hoje “do Cruzeiro” precisamente, em 1770, junto a Vargem das Boiadas residia a família de Manoel Antonio Rates e Maria da Costa Moraes. Uma casa aos pés de um morro com um movimento intenso de tropeiros, boiadeiros que, certamente, encontravam às margens do ribeirão um ponto onde animais e pessoas cansadas paravam para o merecido descanso. Anos mais tarde, moradores mais antigos de Cachoeira referiam-se ao “pasto da Izalina” e ao ruído constante, o berrante, o “aboio”, e o “eia” dos boiadeiros, o “tió tió” do ponteiro, o tropel da boiada ou da tropa, os sineiros guisantes da madrinha desta, tudo enchia a solidão das picadas e a soledade dos ranchos.

Izalina Cândida de Souza foi casada com Augusto José da Silva e foram pais de Idelvira, batizada aos 21 de junho de 1896. Foram padrinhos, Antonio Joaquim Alves de Gouvêa e a Baronesa de Lavras.

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