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Comarca do Rio das Mortes - Século XVIII

A descoberta do ouro no Território dos Cataguases atraiu paulistas, entre outros, para a região. O sertão foi tomado de assalto por bandeiras enquanto as descobertas se multiplicavam. Em 1720 iniciou-se o povoamento de Carrancas, exatamente quando a Capitania de Minas Gerais torna-se autônoma da de São Paulo.

Outro ponto que contava com a presença de bandeirantes na região foi junto aos Campos de Sant’Ana das Lavras do Funil. Sesmarias foram sendo distribuídas. Em 1737, o ouvidor Cipriano José da Rocha, partindo de São João Del Rei, chegou às Minas Auríferas do Rio Verde, no arraial de São Cipriano, origem da atual cidade de Campanha, MG.

A posse mineira dos descobertos do Rio Verde ficou assegurada com a presença de autoridades da Comarca do Rio das Mortes. Em 1743, o arraial de São Cipriano passou a ser denominado Santo Antônio do Val da Piedade da Campanha do Rio Verde. E a Comarca do Rio das Mortes já contava com um número significativo de pessoas atraídas pela descoberta do ouro. Augusto de Lima Júnior em sua obra, A Capitania das Minas Gerais. Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/EDUSP, 1978, p. 40-41 estima como sendo 650 mil pessoas em Minas de uma população de 2 milhões e 852 mil habitantes no Brasil do Século XVIII.

O território de Minas, primitivamente, fazia parte do Bispado do Rio de Janeiro, criado em 1632. Em 1745, foram criadas as dioceses de Minas e São Paulo.

Em 1721, já existia na Serra das Carrancas a Capela de Nossa Senhora do Rio Grande. Segundo o X Anuário Eclesiástico da Diocese da Campanha, se encontra nos registros paroquiais, a partir de 1737 desdobrados em Carrancas e Lavras do Funil.

No decorrer desses anos, em sua grande extensão, surgiram na freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Carrancas e Sant’Ana das Lavras do Funil, muitas capelas e ermidas que atestaram a devoção e o povoamento desta zona e sua importante jurisdição eclesiástica desdobradas de Carrancas e Lavras:

  • Nossa Senhora da Conceição do Rio Grande - 1732
  • Nossa Senhora do Rosário da Cachoeira do Rio Grande - 1737
  • Nossa Senhora da Piedade do Rio Grande Abaixo - 1748
  • São Miguel do Cajuru - 1749
  • Sant’Ana das Lavras do Funil - 1751
  • Nossa Senhora do Rosário dos Serranos - 1755
  • Santo Antônio do Curralinho - 1757
  • Santo Antônio do Rio Verde - 1763
  • Divino Espírito Santo das Pitangueiras - 1767
  • Senhor Bom Jesus do Matozinhos (depois dos Aflitos) do Sapucaí - 1768
  • Nossa Senhora da Ajuda de Três Pontas - 1768
  • São Tomé das Letras - 1770
  • São Bernardo do Macaia - 1770
  • Senhor Bom Jesus dos Perdões da Mata - 1770
  • Sant’Ana do Campo Belo - 1771
  • Nossa Senhora do Carmo do Jaguara, Santo Inácio e Santo Antônio do Jaguara - 1772
  • São João Nepomuceno de Lavras - 1776
  • São Bento do Campo Belo - 1782
  • Nossa Senhora das Dores do Pântano - 1784
  • Nossa Senhora das Dores do Paraíso - 1785
  • Santa Teresa - 1791
  • Divino Espírito Santo do Sertão - 1792
  • Bom Jesus do Campo Belo - 1793
  • Divino Espírito Santo das Catanduvas (Varginha) - 1795
  • Santo Antônio da Ponte Nova - 1796
  • Nossa Senhora do Carmo das Luminárias - 1798
  • Nossa Senhora do Rosário de Capivari - 1801
  • São Domingos da Barra - 1803
  • São Francisco - 1804
  • Nossa Senhora do Carmo do Maranhão - 1805

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