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Congada em homenagem às raízes africanas.

O terno de congada de Carmo da Cachoeira chama-se é Terno de Congada de São Benedito. Pai Paulo é uma figura histórica local. Viveu nos idos anos do século XVIII, antes da extinção dos quilombos da região e a ele se deve o nome de uma cachoeira, a Cachoeira de Pai Paulo ou como errôneamente é chamada Cachoeira de Pai Polo.

Segundo o pesquisador Jorge Fernando Vilela, Pai Paulo foi o Rei do Quilombo Gondu, na região de Carmo da Cachoeira. Ele esteve por aqui em algum momento de sua trajetória de vida, marcada por fugas contínuas, lutas e desafios, sempre em busca de refúgio e proteção de seu grupo. O fato ocorria devido a ação exterminadora levada avante pelo projeto do império colonial português. O objetivo da extinção era limpar a área para organizar uma colônia com base em seu padrão ideológico e que viesse atender as necessidades da coroa.

Dr. Tarcísio José Martins estudou os Quilombos do Campo Grande. Sua riquíssima obra contém 1033 páginas, e foi publicada no ano de 2008, pela Editora Produção de Livros, de Contagem, Minas Gerais. O historiador Paulo Costa Campos define o termo quilombo como sendo "Aldeamento formado por negros fugidos. Havia, entre a população dos quilombos muitos brancos. A estrutura governamental era incipiente, com um rei ou chefe, auxiliares equivalentes a ministros e uma organização militar elementar, além de encarregados do plantio e de outras tarefas. O sentimento comunitário entre os seus membros era muito forte. Tudo era produzido na aldeia destinava-se à comunidade e era armazenado em paióis construídos pelos quilombolas".

Júnior Caldeira está buscando criar condições para que a história do Quilombo do Gondu e o Termo de Congada de Carmo de São Benedito, sejam incluídos nos calendários de atividades culturais de Carmo da Cachoeira, como uma forma de trazer o presente as lutas de nosso passado.

Foto: Maria do Carmo - Arte: TS Bovaris - Texto: Profª. Leonor Rizzi

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Imagem anterior: Cachoeira do Pai Paulo, Carmo da Cachoeira MG

Comentários

projeto partilha disse…
"Fiquei pensando nas dificuldades enfrentadas no passado pois, a despeito de um certo "progresso", resultante de um distanciamento de mais de 100(cem)anos do tempos da escravidão, o estado da Fazenda ainda é bastante precário. Aos poucos a imaginação foi criando imagens sobre a fase escravista no Brasil". Fábio da Silva Machado.

Fábio da Silva Machado apresentou seu trabalho como conclusão do curso de mestrado profissionalizante em bens culturais e projetos sociais. pela Fundação Getúlio Vargas. Centro de Pesquisas e Documentação de História Contemporânea do Brasil - CPDOC. Programa de Pós-Graduação em História Política e bens culturais - PPHPBC. O tema escolhido por ele foi, Fazenda Machadinha: Memória e tradições culturais em uma comunidade de descendentes de escravos. Aprovado em 24-03-2006 pelos doutores e examinadores: Dulce Chaves Pandolfi; Angela Maria de Castro Gomes; Hebe Maria Mattos; Carlos Eduardo Barbosa Sarmento.
A Fazenda Machadinha, uma comunidade localizada em Quissamã, é formada por descendentes de escravos. Fica no Estado do Rio de Janeiro, antigo Distrito de Macaé, conhecida também por Campos dos Goytacazes, pertenceu à Capitania de São Tomé. O trabalho analisa a importância das tradições culturais na manutenção da identidade e na sustentabilidade econômica daquela comunidade quilambola.
Embora o trabalho diga respeito a uma comunidade específica - Quissamã, por falta de trabalho específico sobre o dia-a-dia do QUILOMBO GONDU, e por ser a questão "ESCRAVIDÃO" um tema nacional, sentimo-nos nele incluídos. De maneira geral as documentações são raras no que diz respeito aos excluídos. Marieta de Moraes Ferreira, em "História oral: um inventário das diferenças", pág.9, acentua: "Na recuperação da história dos excluídos, os depoimentos orais podem servir não apenas a objetivos acadêmicos, como constituir-se em instrumentos de construção de identidade e transformação social. Cf.: FERREIRA, Marieta de Moraes; ABREU, Alzira Alves de ... (et al.). "Entre - vistas: abordagens e usos da história oral". Rio de Janeiro, Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1994, p.9.
Cf.: www.cpdoc.fgv/cursos/bensculturais/teses/
projeto partilha disse…
Joaquim Ferreira d' Azevedo era proprietário "na rua de baixo da povoação", Carmo da Cachoeira, Minas Gerais, "no ano de mil novecentos e diseceis", conforme documento deixado na caixa do correio tradicional da Comunidade. Diz o seguinte:
"Escriptura de compra e venda que entre si fazem, a saber: como outorgante vendedor JOSÉ FELIS DA COSTA e sua mulher e como outorgada compradora, Manni Simão Helena (Heleni), como adiante se vê:
Saibam quanto este público instrumento de escriptura de compra e venda virem que, sendo no anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil nove centos e diseceis, nos vinte e cinco dias do mes de maio do mesmo anno, neste districto do Carmo da Cachoeira, Comarca de Varginha, Estado de Minas Geraes, compareceram em meo cartorio como outorgante e outorgada reciprocamente, de uma parte JOSÉ FELIX da Costa e sua mulher Maria Luiza da Conceição e de outra Manni Simão Heleni, moradores neste districto, cada um de sua parte e, conhecidos todos de mim Tabelião e das duas testemunhas a diante nomeadas e assignadas, e estas também de meo conhecimento, de que dou fé, e pelos outorgantes e outorgados, em presença das testemunhas foi (ilegível) dito que, sendo os primeiros outorgantes possuidores de uma casa coberta de telhas e seu terreno e suas benfeitorias sita na rua de baixo desta povoação, sendo a mesma casa e seu terreno dividido e comprehendido nas divisas seguintes: principiando por uma lado com ANNA SIRYNO DA COSTA e por outro com Antônio, vulgo São Marcos, pelos fundos com JOAQUIM FERREIRA D´AZEVEDO, e pela frente com a mesma rua, cuja casa, e suas benfeitorias e terreno acima descriptos, houveram por sucessão de seu finado sogro e pai CAMILLO JOÃO MARTINS e possuem livres e desembaraçado. Assina como testemunha Antonio Joaquim Martins (é tudo o que o documento contem)
projeto partilha disse…
Maria Silvéria do Nascimento, mãe de Joaquim Alves Garcia, casado com Maria Custódia da Veiga, nascida em 1866, filha do coronel Francisco Custódio da Veiga (III) e de Clara Paulina de Sousa, deixou muitos descendentes em Carmo da Cachoeira, onde muitos ainda vivem aí hoje. Outro filho de Francisco Custódio e Clara Paulina foi José Custódio da Veiga, nascido em 1861 em Nepomuceno. A Família Custódio da Veiga era ligada por laços de parentesco com as Famílias Garcia, Correia e Ribeiro (Cf. site Portal Mackenzie: Coronel José Custódio da Veiga (1851-1954) - Windows Internet Explorer
www.mackenzie.br/10199.html
www.mackenzie.br/13872.html
Francisco Custódio da Veiga (II), falecido em 1861 é avô de Francisco Custódio, casado com Clara Paulina de Sousa e filho de outro do mesmo nome, casado com Helena Maria de Jesus (Cf.:Projeto Compartilhar. Inventariante, a viúva, Francisca Rosa Tavares. O neto Francisco foi morador em Lavras e segundo o referido inventário, é filho de Mariana Custódia e Joaquim Tomás de Aquino. Francisco e Francisca Rosa deixaram em testamento, "minha terça a meu filho Justino que estão dentro do pasto L ...(?) que divide por um lado com Joaquim da Costa Abreu de outro com o Rio Aiuruoca. Entre seus bens havia 140 cabeças de gado vacum e 56 escravos, 7 deles libertados em testamento.
projeto partilha disse…
Francisco Custódio da Veiga aparece como louvado no inventário de Maria Umbelina de Souza. O Inventariante foi seu genro, Francisco Alves Vilela, no ano de 1876 (Cf.: Projeto Compartilhar). "... declarou que sua sogra faleceu sem testamento, sendo herdeiros os filhos que teve de seu consórcio com o finado Manoel Antonio da Costa Lima. Entre os bens de raiz: "partes da Fazenda (...), havidas do Capitão José Custódio Pereira (...)".

Um documento interessante onde JOSÉ CUSTÓDIO PEREIRA, em Carmo da Cachoeira, Minas Gerais, em 8 de julho de 1918, faz procuração em que a outorgante, sua mulher, Bilizandra de Paula Villasbôas não assina, e sim "a rogo da outorgante Francisco Antonio de Rezende. O teor da procuração é o seguinte:

Procuração bastante que faz JOSÉ CUSTÓDIO PEREIRA e sua mulher dona Belizandra de Paula Villasbôas, como adiante se vê:
Saibam quantos este instrumento de procuração virem que sendo no anno de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil novecentos e dezoito, aos vinte dias do mes de julho do mesmo anno, neste districto do Carmo da Cachoeira, Comarca de Varginha, Estado de Minas Gerais, compareceram em meu cartório como outorgantes JOSÉ CUSTÓDIO PEREIRA e sua mulher dona Bilizandra de Paula VillasBôas, moradores na fazenda da Chamusca, reconhecidas pelos de mim Tabelião, e por elles outorgantes me foi dito perante as testemunhas abaixo assignadas que, por este público instrumento de Procuração bastante e na melhor forma de direito que lei outorga, nomeiam e constituem seu bastante procurador a seu filho CUSTÓDIO PEREIRA NETTO residente na Estação de Francisco Sales districto de Lavras, com poderes especiais para vender uma parte de terras sita na Pedra Negra sita no mesmo districto de Lavras propriedade de seu casal, podendo o seu referido procurador dar escriptura, assignar e fazer o que for mister para realização deste mandato, e o de substabelecer os poderes desta em quem convier. E assim o disseram e outorgaram do que dou fé e me pediram fizesse o presente instrumento em minhas notas que lhes sendo lido por mim acharam conforme, aceitaram e assignam com as testemunhas presentes ao (ilegível) sobre estampilha federais no valor de dois mil réis perante mim Tabelliaão que esta escrevi e assigno. ADELINO EUST´CHIO DE CARVALHO. Assignando a rogo da outorgante por esta dizer não saber ler e escrever a mesma testemunha FRANCISCO ANTONIO DE REZENDE.

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