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O sargento e o alferes amigos dos negros fugidos.

Entretanto, não eram apenas os escravos das fazendas que auxiliavam os quilombolas. Há vários casos de fazendeiros que faziam a mesma coisa, interessados nos benefícios que o acoutamento dos quilombolas acarretavam.

O Alferes Antonio Moniz de Medeiros foi acusado de dar proteção a alguns escravos fugidos. Por causa de sua postura nada recomendável para o sistema escravista, foi enviada uma expedição em 1782 à região em que ele vivia. O grupo foi comandado por Pedro Gomes Barbosa e tinha como objetivo controlar os excessos cometidos pelos moradores, pelos garimpeiros e pelos escravos1. Em seu relatório afirmou que:

“...Dei busca na casa do Alferes Antonio Moniz de Medeiros, por ter notícia que na dita casa havia uma venda, aonde os negros fugidos e garimpeiros se iam prover de mantimentos; achei a dita venda, fiz tomadia em tudo quanto nela se achava, e avisei ao dito alferes para que não continuasse em ter a dita venda, como sempre até ali tinha feito; porque se eu o tornasse a achar o havia prender...”

Todavia, o Alferes tentou não se comprometer alegando que “... a venda era para os seus negros, e que não vendia a outros...” mas o comandante conhecendo o que se comentava a respeito das relações do Alferes com os quilombolas não acreditou. Para ele, não seria:

“... provável que ele sortisse uma venda de toda a qualidade de mantimentos, e com muita abundância, para vender a três ou quatro negros, que é o mais que podia ter em casa; pois os mais todos estão no contrato; mas ainda no caso de ter muitos, não há pessoa alguma que ignore o ele não vender aos seus negros; mas só aos fugidos e garimpeiros; é tanto assim que nunca deixou de haver quilombo ao pé da sua casa; e com tanta liberdade que até as suas escravas iam de dia ao quilombo conversar com os negros fugidos...”2

O mesmo fizeram na casa do Sargento Mor José Luis França. Nela, acharam a “...venda... porém não tinha mantimentos, só achei cinco barris de aguardente enterrados, os quais quebrei, e um rolo de fumo. Fiz-lhe o mesmo aviso que ao outro..3.

A expedição tentou também destruir um quilombo. Nada conseguiram porque os fugitivos “...tiveram aviso de uma fazenda que está ao pé como é costume de todos; pois a maior parte dos Quilombos estão ao pé das fazendas para destas serem providas de mantimentos e terem aviso de qualquer movimentação haja, como estes tiveram aviso, assim que foi noite fugiram, e de madrugada, indo-se dar no quilombo, não se achou pessoa alguma; seguiram-se pelo rasto todo o dia, porém não se puderam alcançar; porque eles, além de não pararem, deram aviso a dois quilombos mais que estavam no caminho, juntaram-se todos, e foram fugindo sempre; no outro dia acharam-se os anchos deles; cada quilombo tinha 9 ranchos grandes, que pareciam arraiais, e estava um quilombo de fronte do outro...”4

Trecho de um trabalho de Marcia Amantino.

Próximo Texto: Os índios como parte da comunidade quilombola.
Texto Anterior: Escravos e comerciantes dão abrigo aos fugitivos.

1. APM SC códice 224 Carta de 15.6.1782.
2. ibidem
3. ibidem
4. ibidem

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