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Dia do Padre: comemorar ou refletir?

– Dia de São João Maria Vianney –

Comemora-se no dia 4 de agosto o dia do Padre. Nesse dia, em 1859, morreu o sacerdote João Maria Vianney, conhecido como o “Cura D’ Ars”, padroeiro dos padres. Chama-me a atenção a Igreja, “Mãe e Mestra”, oferecer aos seus sacerdotes, um referencial que somente foi para a escola na adolescência; que a frequentou apenas por dois anos, pois devia trabalhar na lavoura para ajudar aos pais; que, enfrentando a oposição paterna, entrou para o Seminário aos vinte anos de idade. Sua falta de instrução e limitação de raciocínio, o colocava em situação inferior aos colegas seminaristas, sobretudo nos estudos de Filosofia e Teologia. Mas era um rapaz piedoso e esforçado. Com perseverança, conseguiu superar os desafios que os estudos apresentavam.

Foi ordenado sacerdote e, devido às limitações intelectuais, recebera um impedimento: não poderia ser confessor. A justificativa era sua “incapacidade de guiar consciências”. Paradoxalmente, surpreendendo a todos, estudou muito, conforme se verifica nas anotações encontradas nos seus livros. Graças ao abade Malley, foi “autorizado a ouvir confissões” e tornou-se um dos mais competentes e famosos confessores da Igreja.

Designado para a pequena aldeia de Ars, ao norte de Lyon, na França, rejeitada pelos demais sacerdotes por causa da violência e da ausência de fiéis, ali dignificou o seu sacerdócio e o local tornou-se centro de peregrinação de fiéis, que para lá se deslocavam para se confessar com aquele sacerdote. Hoje a pequena Ars permanece como um foco de luz, quando se insiste em classificar dioceses, paróquias e comunidades como “boas” e “ruins”. A classificação, tão presente no ambiente eclesial, fruto da influência moderna e positivista, estimula a exclusão.

Olhando para o Cura D’ Ars percebe-se que a referência para os sacerdotes não é a capacidade analítica, intelectual ou a retórica na exposição das idéias; não são os contatos políticos, afetivos ou sociais; não é a força econômica, emocional ou estética... Não são os excessos nos paramentos e nos ritos que chegam a vulgarizar o sagrado, substituindo o essencial pelo acidental. A referência é a piedade de João Maria Vianney!

Os principais desafios vivenciados pelo “Cura D’ Ars” foram a superação de um modelo de sacerdócio e a Igreja vazia de fiéis. Tais desafios permanecem! No final de junho, dados do Censo divulgados mostraram que, em 2010, havia quase 1,7 milhão de católicos a menos que em 2000. Em média, a Igreja está perdendo 465 fiéis por dia, no Brasil! Esse dado já seria suficiente para uma reflexão sobre o modelo de sacerdócio atual e o vivenciado por São João Maria Vianney. Nessa hora, a comemoração sem reflexão não passaria de uma ilusão...

Paulo César de Oliveira
deoliveirapc@yahoo.com.br

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