Pular para o conteúdo principal

Carmo da Cachoeira, um documento, uma história.

Manoel Antônio Rates se instalou junto a uma belíssima cachoeira situada num trecho do percurso do Ribeirão do Carmo, Distrito de Lavras do Funil. O século é o XVIII, o ano, por volta de 1770. Época em que este Sertão começou a ser visitado por bandeirantes paulistas com o intuito de caçar animais e recrutar índios. Como resultado da caça, o mercado era suprido em couro. O povo indígena serviria como mão de obra, entre outras funções que lhe eram atribuídas. Por algum motivo este território, hoje chamado de Carmo da Cachoeira foi escolhido como ponto de morada da Família Rates.

A Cachoeira do Ribeirão do Carmo passou a ser conhecida, e foi denominada em Lei como Cachoeira dos Rates. As informações sobre a extensão de seu sítio ainda está sendo buscada, no entanto, pelo menos um Registro nos indica um pedacinho de chão em que Manoel Antônio Rates e sua família pisaram. Este pedacinho, parte do todo doado pela Família para a formação do Patrimônio de Nossa Senhora do Carmo.¹

Documento 1:

REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.
Estado de Minas Gerais. Comarca de Varginha.
Registro de Imóveis.

CERTIDÃO DE INTEIRO TEOR

CERTIFICO: que no Livro 3-R, FLS.88 sob o N.12.274; consta registrado em: 01/06/
1953; a AQUISIÇÃO DO SEGUINTE IMÓVEL: UMA CASINHA e seu respectivo terreno situados em CARMO DA CACHOEIRA, a Rua Domingos Ribeiro de Rezende, com a área de 28,00m de frente, por 48,00m de fundos, ou seja 1.204,00m2, confrontando com a Travessa dos Boiadeiros (Rua Tufi Kalil Auad) Odila Alzira de Freitas; a aquisição foi feita por JOSÉ PEDRO DA SILVA, lavrador, residente em Carmo da Cachoeira; houve de: Jorge Tomaz da Silva e s/m Regina Eliza da Silva, proprietários, residentes em Carmo da Cachoeira; conforme: Escritura Pública de Compra e Venda, datada de 30 de outubro de 1951 (...).

Documento 2:

Cartório de PAZ e Notas de Carmo da Cachoeira.
"GUIA". 2 vias(art.134 do C.T.)
Propriedade: Urbana.

O Sr. José Pedro da Silva vai à Prefeitura de Carmo da Cachoeira pagar o impôsto de transmissão "inter-vivos" sôbre o valor de dois mil e quinhentos cruzeiros Cr$2.500,00 por quanto compra a Jorge Tomaz da Silva e sua mulher, o imóvel denominado uma casinha e seu terreno, nesta cidade havido de A CÂMARA MUNICIPAL DE VARGINHA, o terreno, com a área de 28X43 ms, ou seja, 1.204 metros quadrados, abaixo discriminado, situado no distrito desta cidade, à Rua Domingos Ribeiro de Rezende e travessa dos Boiadeiros do Município de Carmo da Cachoeira. Benfeitorias e acessórios: uma casinha em mau estado Cr$1.000,00.Carmo da Cachoeira, 8-10-1951. Seguem assinatura e carimbo: O escrivão: Antonio Bonifácio Maciel.

Documento 3:

Serviço Registral e Notarial Privativo.
Município de Carmo da Cachoeira.
Comarca de Varginha - Estado de Minas Gerais. Brasil.
Livro n.44. Folha N.180v a 182v.

ESCRITURA DE COMPRA E VENDA.
Comprador: José Pedro da Silva.
Vendedor: Jorge Tomaz da Silva e sua mulher.
Valor: Cr$4.000,00

Saibam quantos a presente escritura de compra e venda virem que, no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, de mil novecentos e cinquenta e um, aos trinta dias do mês de outubro do dito ano, nesta cidade de Carmo da Cachoeira, comarca de Varginha, Estado de Minas Gerais, em meu cartório, compareceram partes entres si, Justas e contratas a saber: de um lado, como outorgantes vendedores, o senhor Jorge Tomaz da Silva e sua mulher, dona Regina Eliza da Silva, casado, brasileiro, comerciante, residentes nesta cidade e, de outro lado, como outorgado comprador, o senhor, JOSÉ PEDRO DA SILVA (...) à Rua Francisco de Assis Reis, fazendo esquina com a Rua Domingos Ribeiro de Rezende (...) confrontando de um dos lados com a travessa da Boiadeiras, e pelos fundos com Odila Alzira de Freitas, e pela frente, com a referida Rua Francisco de Assis Reis; e que houveram a casinha por construção suas e o terreno, havido da CÂMARA MUNICIPAL DE VARGINHA, por escritura particular (...).

Projeto Partilha - Leonor Rizzi

Próxima matéria: Carmo da Cachoeira, áreas urbanas e surburanas
Artigo Anterior: A família e os conterrâneos de Pe. Bento Ferreira.

1. está registrado no Livro 3-R, fls.88 sob o n.12.274. Serviço e Registro de Imóveis - Vargina, Minas Gerais. Praça Champagnat, 29, Sala 201 - Centro - Vargina/MG - CEP37002-150. Oficial em 2009, Viviane Souza Vieira - Registradora Substituta. Registro de Imóveis. Comarca de Varginha, Minas Gerais. Brasil.

Comentários

Mais lidas no site

Tabela Cronológica 10 - Carmo da Cachoeira

Tabela 10 - de 1800 até o Reino Unido - 1815 - Elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves - 1815 ü 30/Jan – capitão Manuel de Jesus Pereira foi nomeado comandante da Cia. de Ordenanças da ermida de Campo Lindo; e ü instalada a vila de Jacuí . 1816 1816-1826 – Reinado de Dom João VI – após a Independência em 1822, D. João VI assumiu a qualidade e dignidade de imperador titular do Brasil de jure , abdicando simultaneamente dessa coroa para seu filho Dom Pedro I . ü Miguel Antônio Rates disse que pretendia se mudar para a paragem do Mandu . 1817 17/Dez – Antônio Dias de Gouveia deixou viúva Ana Teresa de Jesus . A família foi convocada por peritos para a divisão dos bens, feita e assinada na paragem da Ponte Falsa . 1818 ü Fazendeiros sul-mineiros requereram a licença para implementação da “ Estrada do Picu ”, atravessando a serra da Mantiqueira e encontrando-se com a que vinha da Província de São Paulo pelo vale do Paraíba em direção ao Rio de Janeiro, na alt...

A organização do quilombo.

O quilombo funcionava de maneira organizada, suas leis eram severas e os atos mais sérios eram julgados na Aldeia de Sant’Anna pelos religiosos. O trabalho era repartido com igualdade entre os membros do quilombo, e de acordo com as qualidades de que eram dotados, “... os habitantes eram divididos e subdivididos em classes... assim havia os excursionistas ou exploradores; os negociantes, exportadores e importadores; os caçadores e magarefes; os campeiro s ou criadores; os que cuidavam dos engenhos, o fabrico do açúcar, aguardente, azeite, farinha; e os agricultores ou trabalhadores de roça propriamente ditos...” T odos deviam obediência irrestrita a Ambrósio. O casamento era geral e obrigatório na idade apropriada. A religião era a católica e os quilombolas, “...Todas as manhãs, ao romper o dia, os quilombolas iam rezar, na igreja da frente, a de perto do portão, por que a outra, como sendo a matriz, era destinada ás grandes festas, e ninguém podia sair para o trabalho antes de cump...

A família do Pe. Manoel Francisco Maciel em Minas.

A jude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço " comentários " para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região. Próxima imagem: Sete de Setembro em Carmo da Cachoeira em 1977. Imagem anterior: Uma antiga família de Carmo da Cachoeira.

Mais lidas nos últimos 30 dias

Carmo da Cachoeira: A Fronteira entre SP e Minas

Padre Gilberto Paiva, apresentando a obra "O Clero Paulista no Sul de Minas: 1801-1900", de autoria do Pe. Hiansen Vieira Franco: O Estado de Minas Gerais apresenta certas particularidades históricas no seu processo formativo, que fogem ao padrão de outros estados da federação. Sem contar os movimentos contestatários e independentistas no período colonial e o desenvolvimento da arquitetura barroca no século XVIII, Minas tem algo de diferente. O povo mineiro é o povo que mais emigra no Brasil, só perdendo para o povo nordestino, somados os nove estados que formam esta região do país. Paralelamente ao movimento de saída do estado, os mineiros recebem diversas influências, sobretudo dos estados vizinhos. O Triângulo Mineiro tem suas peculiaridades, que incluem ideias separatistas. Enquanto a Bahia exerce influência sobre o norte do estado, a Zona da Mata e a região de Juiz de Fora são influenciadas pelo Rio de Janeiro . Por fim, o Sul de Minas , que recebe forte influência d...

Tabela Cronológica 10 - Carmo da Cachoeira

Tabela 10 - de 1800 até o Reino Unido - 1815 - Elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves - 1815 ü 30/Jan – capitão Manuel de Jesus Pereira foi nomeado comandante da Cia. de Ordenanças da ermida de Campo Lindo; e ü instalada a vila de Jacuí . 1816 1816-1826 – Reinado de Dom João VI – após a Independência em 1822, D. João VI assumiu a qualidade e dignidade de imperador titular do Brasil de jure , abdicando simultaneamente dessa coroa para seu filho Dom Pedro I . ü Miguel Antônio Rates disse que pretendia se mudar para a paragem do Mandu . 1817 17/Dez – Antônio Dias de Gouveia deixou viúva Ana Teresa de Jesus . A família foi convocada por peritos para a divisão dos bens, feita e assinada na paragem da Ponte Falsa . 1818 ü Fazendeiros sul-mineiros requereram a licença para implementação da “ Estrada do Picu ”, atravessando a serra da Mantiqueira e encontrando-se com a que vinha da Província de São Paulo pelo vale do Paraíba em direção ao Rio de Janeiro, na alt...

A História de Carmo da Cachoeira: O Resgate de Leonor Rizzi

A professora Leonor Rizzi dedicou-se a organizar dados que resgatassem a origem mais remota da ocupação europeia na região que viria a ser Carmo da Cachoeira . Por isso, tomou como marco inicial de suas Tabelas Cronológicas a trajetória do nome Rattes , ligado à primeira família europeia conhecida na área. As Tabelas Cronológicas 1 e 2, aqui unificadas, procuram situar Carmo da Cachoeira dentro de uma linha do tempo ampla, que vai das tradições medievais ligadas a São Pedro de Rates até o ciclo do pau-brasil e da cana-de-açúcar no Brasil . publicado originalmente em 21 de janeiro de 2008 Dos primórdios até o ciclo do pau-brasil Tabelas Cronológicas 1 e 2 unificadas A leitura de longo prazo proposta por Leonor Rizzi começa no campo da tradição cristã. No ano 44 , conta-se que Santiago, apóstolo , teria passado pela serra de Rates e sagrado Pedro de Rates como primeiro bispo de Braga . Essa figura, ligada ao imaginário medieval, é um dos fios que mais tarde aproximariam o topôn...

Monsenhor Nunes - 50 anos de sacerdócio

  Em 9 de fevereiro de 2008, a Paróquia Nossa Senhora do Carmo , em Carmo da Cachoeira , registrou em palavras a gratidão a Monsenhor José Nunes Senador pelos seus cinquenta anos de vida sacerdotal . Poucos anos depois ele partiria, e, com o tempo, sua figura foi ficando mais discreta na memória pública. No entanto, quem conviveu com ele lembra bem do modo familiar com que tratava a todos e da facilidade com que transitava entre as famílias da cidade, conhecendo pessoas, histórias e caminhos. Esse jeito próximo fez dele não só um pastor atento à comunidade, mas também uma ponte importante para o fortalecimento de grupos e comunidades ligadas à paróquia. Ao lado dele, muitas iniciativas pastorais tomaram forma; e, graças às histórias que contava e às pessoas que indicava, boa parte do trabalho de resgate da memória local realizado pela professora Leonor Rizzi pôde avançar em poucos anos o que, em condições normais, exigiria décadas de pesquisas de campo, tanto na área urbana quant...

Leonor Rizzi: O Legado do Projeto Partilha

Um Resgate da Memória de Carmo da Cachoeira A história de um povo é construída não apenas por grandes eventos, mas pelo cotidiano, pela fé e pelo esforço de seus antepassados. Em Carmo da Cachoeira , essa máxima foi levada a sério através de uma iniciativa exemplar de preservação e descoberta: o Projeto Partilha . Liderado pela Profª Leonor Rizzi , o projeto destacou-se pelo rigor acadêmico e pela paixão histórica. O intuito era pesquisar a fundo a origem de Carmo da Cachoeira, indo além do óbvio. A investigação buscou a documentação mais longínqua em fontes primárias, estendendo-se desde arquivos em Portugal até registros no Brasil, mantendo contato constante com pesquisadores de centros históricos como Porto , Mariana , Ouro Preto e São Paulo . A metodologia do projeto foi abrangente. Além da consulta a documentos genealógicos digitais, houve um trabalho minucioso nos Livros de Diversas Paróquias e Dioceses . Neste ponto, a colaboração eclesiástica foi fundamental: o clero da Paróq...

Mais Lidas nos Últimos Dias

Carmo da Cachoeira: A Fronteira entre SP e Minas

Padre Gilberto Paiva, apresentando a obra "O Clero Paulista no Sul de Minas: 1801-1900", de autoria do Pe. Hiansen Vieira Franco: O Estado de Minas Gerais apresenta certas particularidades históricas no seu processo formativo, que fogem ao padrão de outros estados da federação. Sem contar os movimentos contestatários e independentistas no período colonial e o desenvolvimento da arquitetura barroca no século XVIII, Minas tem algo de diferente. O povo mineiro é o povo que mais emigra no Brasil, só perdendo para o povo nordestino, somados os nove estados que formam esta região do país. Paralelamente ao movimento de saída do estado, os mineiros recebem diversas influências, sobretudo dos estados vizinhos. O Triângulo Mineiro tem suas peculiaridades, que incluem ideias separatistas. Enquanto a Bahia exerce influência sobre o norte do estado, a Zona da Mata e a região de Juiz de Fora são influenciadas pelo Rio de Janeiro . Por fim, o Sul de Minas , que recebe forte influência d...

Tabela Cronológica 10 - Carmo da Cachoeira

Tabela 10 - de 1800 até o Reino Unido - 1815 - Elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves - 1815 ü 30/Jan – capitão Manuel de Jesus Pereira foi nomeado comandante da Cia. de Ordenanças da ermida de Campo Lindo; e ü instalada a vila de Jacuí . 1816 1816-1826 – Reinado de Dom João VI – após a Independência em 1822, D. João VI assumiu a qualidade e dignidade de imperador titular do Brasil de jure , abdicando simultaneamente dessa coroa para seu filho Dom Pedro I . ü Miguel Antônio Rates disse que pretendia se mudar para a paragem do Mandu . 1817 17/Dez – Antônio Dias de Gouveia deixou viúva Ana Teresa de Jesus . A família foi convocada por peritos para a divisão dos bens, feita e assinada na paragem da Ponte Falsa . 1818 ü Fazendeiros sul-mineiros requereram a licença para implementação da “ Estrada do Picu ”, atravessando a serra da Mantiqueira e encontrando-se com a que vinha da Província de São Paulo pelo vale do Paraíba em direção ao Rio de Janeiro, na alt...

A História de Carmo da Cachoeira: O Resgate de Leonor Rizzi

A professora Leonor Rizzi dedicou-se a organizar dados que resgatassem a origem mais remota da ocupação europeia na região que viria a ser Carmo da Cachoeira . Por isso, tomou como marco inicial de suas Tabelas Cronológicas a trajetória do nome Rattes , ligado à primeira família europeia conhecida na área. As Tabelas Cronológicas 1 e 2, aqui unificadas, procuram situar Carmo da Cachoeira dentro de uma linha do tempo ampla, que vai das tradições medievais ligadas a São Pedro de Rates até o ciclo do pau-brasil e da cana-de-açúcar no Brasil . publicado originalmente em 21 de janeiro de 2008 Dos primórdios até o ciclo do pau-brasil Tabelas Cronológicas 1 e 2 unificadas A leitura de longo prazo proposta por Leonor Rizzi começa no campo da tradição cristã. No ano 44 , conta-se que Santiago, apóstolo , teria passado pela serra de Rates e sagrado Pedro de Rates como primeiro bispo de Braga . Essa figura, ligada ao imaginário medieval, é um dos fios que mais tarde aproximariam o topôn...