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Via Sacra em Carmo da Cachoeira: Tradição e Fé Entre Morros

Via Sacra em Carmo da Cachoeira: o Legado da Família Rates


No Sul de Minas Gerais, em Carmo da Cachoeira, onde as tramas do tempo tecem um vínculo indissolúvel entre passado e presente, formando um mosaico repleto de fé e tradição, a comunidade católica, abrigada sob o manto de Nossa Senhora do Carmo, congregou-se em uma manifestação de fé cujas raízes mergulham profundamente através das eras, a Celebração da Via Sacra, a Via Crucis de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Neste solo sagrado, envolto pela cachoeira dos Rates, sob a sombra de morros ainda cobertos por matas, podemos, se prestarmos atenção, ouvir os solitários passos dos pioneiros da família Rates.


Isolados em um território desconhecido, enfrentando o temor do incerto e a vastidão de uma natureza indomada, com mãos trêmulas porém firmes e corações inflamados por uma fé inquebrantável, sem uma comunidade para compartilhar suas dores e felicidades, foram eles os primeiros a semear as sementes da fé católica neste recanto selvagem ainda por desbravar. Plantaram, contra todas as adversidades, a esperança e a devoção numa terra árida, sedenta pela luz e pelo consolo de Cristo e sua Igreja, transformando o medo em um testemunho de fé e perseverança.


Foi entre esses morros, onde a natureza exalta a criação divina, que a Via Sacra, essa venerável tradição que desafia os séculos, se realiza ao longo da cidade que emergiu às margens do Ribeirão do Carmo. Aqui, há 250 anos, Manoel Antonio Rattes e sua família cravaram seus pés no barro, marcando o início de uma presença cristã nesta terra. Encontraram-se isolados, enfrentando adversidades com fé inabalável, esperança de que, com o tempo, raízes profundas de comunhão e fraternidade seriam estabelecidas neste solo abençoado.


Reflexões de Fé no Isolamento: A Experiência Única dos Primeiros Cristãos em Carmo da Cachoeira


Desde o século 17, a prática da Via Sacra se espalhou pelo mundo, tornando-se um pilar da devoção católica. É intrigante, então, refletir sobre o final do século 18, quando Manoel Antonio e sua família se estabeleceram nessa terra isolada, trazendo consigo a mesma fé fervorosa. Eles provavelmente mantiveram viva a tradição da Via Sacra, uma expressão tangível de sua caminhada com Jesus até o Calvário. No entanto, emerge a questão: Como eles vivenciaram esse período tão significativo para a comunidade cristã enquanto estavam isolados de outras famílias cristãs?


Esse isolamento deve ter conduzido a família a uma experiência de fé mais íntima e pessoal com Cristo do que podemos imaginar ou sentir. Eles, à semelhança de Nosso Senhor em sua Via Crucis, encontravam-se isolados cada qual à sua maneira. Durante a celebração da Via Sacra, certamente refletiram de forma profunda sobre o sofrimento e a ressurreição, de um modo que era ao mesmo tempo pessoal e único.


Séculos mais tarde, somos confrontados com uma indagação pertinente: estamos realmente menos isolados do que a família Rates, em seu Sítio Cachoeira, no Deserto Desnudo das Minas Gerais? Esta questão desafia-nos a refletir sobre a essência da conexão e da solidão em nossas jornadas espirituais e comunitárias, instigando-nos a examinar as formas pelas quais nos relacionamos uns com os outros e com nossa fé.

Esta reencenação da jornada de Cristo não apenas reaviva a história da nossa redenção, mas também forja novos vínculos com o passado, evocando aqueles que, com fé inabalável e coragem, lançaram os fundamentos da espiritualidade que hoje nos orienta.


Da Solidão à Comunhão: A Evolução de Carmo da Cachoeira e a Mensagem da Campanha da Fraternidade 2024


Agora, mais de 250 depois, nossa comunidade não é mais um núcleo familiar isolado, lutando pela sua fé e pela construção de uma comunidade ao seu redor. O que era um simples sítio transformou-se em povoado, evoluiu para freguesia, ascendeu a município, e hoje abriga mais de 11.500 almas em suas terras.


A Campanha da Fraternidade de 2024, com seu tema "Fraternidade e Amizade Social" e o lema "Vós sois todos irmãos e irmãs" (Mt 23, 8), ressoa como um chamado à reflexão, solidariedade e amor fraterno. Hoje, diferentemente de Manoel Antonio Rattes e sua família, não estamos isolados; vivemos em uma comunidade entrelaçada pela fé. A caminhada da Via Sacra nos lembra da essencialidade de caminharmos juntos, como irmãos na fé, apoiando-nos mutuamente na jornada da vida, rumo à ressurreição e renovação de nossa fé.


Neste caminho, somos chamados a quebrar as barreiras do isolamento voluntário, unindo-nos em comunidade, em uma expressão viva da mensagem de esperança e amor que o Papa Francisco nos encoraja a partilhar, e a Comunidade São Pedro de Rates participou, recebendo a 14ª Estação.


Ao refletir sobre a 14ª Estação da Via Sacra, onde contemplamos o sepultamento de Jesus, percebemos a profundidade do sacrifício e o silêncio esperançoso que precede a ressurreição. Assim como a família Rates, isolada em terras desconhecidas, vivenciou a sua fé na solidão e na adversidade, somos convidados a reconhecer o valor da esperança e da renovação em nossas próprias vidas. A sepultura de Cristo não é o fim, mas a promessa de uma nova vida, um chamado à transformação que cada um de nós pode experimentar.


Esperança e Renovação: Reflexões da 14ª Estação da Via Sacra na Comunidades São Pedro de Rates


Da mesma forma que a comunidade de Carmo da Cachoeira, que surgiu da perseverança da família Rates, hoje somos chamados a nos unir, a transformar nosso isolamento em comunhão. A lembrança da 14ª Estação nos ensina que, após a mais profunda escuridão, vem a luz da ressurreição. Neste espírito, a Via Sacra se torna não apenas uma memória da paixão de Cristo, mas também um espelho da nossa jornada, refletindo a continuidade da fé, da esperança e do amor através dos séculos.


Portanto, ao contemplarmos a história da família Rates e nossa própria experiência comunitária à luz da Via Sacra, somos inspirados a viver a mensagem de fraternidade e amizade social da Campanha da Fraternidade de 2024. Em um mundo que frequentemente nos faz sentir isolados, a história e a fé nos chamam a reconhecer que, juntos, podemos superar as adversidades e testemunhar a ressurreição em nossas vidas e comunidades.


Assim, ao nos debruçarmos sobre a 14ª Estação, somos lembrados de que o fim pode ser o começo, e que o amor, a fé e a esperança são forças que nos unem, capazes de transformar a solidão em comunhão. Que a jornada da família Rates e a nossa celebração da Via Sacra sejam um convite perene à reflexão e à ação, motivando-nos a construir uma comunidade mais fraterna e solidária, em harmonia com o chamado divino à fraternidade universal.


Fraternidade e Amizade Social

Vós sois todos irmãos e irmãs (Mt 23, 8)


Fotos de Israel Pereira de Souza

















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