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Carmo da Cachoeira: presença indígena, um povo nômade


O historiador Lúcio José dos Santos em sua obra "História de Minas Gerais" (1926) indica a presença de várias tribos indígenas em terras mineiras. Uma, entre as mais antigas que aqui se estabeleceram, foi a dos Cataguás ou Cataguases, nação que dominou o Sul de Minas.

O predomínio desta tribo era tão grande que, primitivamente, o território de Minas era conhecido como o “País dos Cataguás” ou “Campos Gerais dos Cataguases” — denominação que só desapareceu depois de criada a Capitania de Minas, separada de São Paulo em 1720.

O território ocupado por esse povo começava no Sul de Minas e se estendia até o triângulo Mineiro, e suas trilhas foram aproveitadas pelos bandeirantes paulistas para penetrar no sertão mineiro.

Assim, diríamos, sem medo de errar que, os nativos pisaram muito nesse chão, se não como habitantes sedentários, por não terem deixado marcos de sua permanência, mas como povo nômade, que utilizou essa região como espaço de circulação, em busca de caça e ou exploração de sítios mais favoráveis à obtenção do necessário alimento.

Podemos até inferir que o caminho que dá acesso ao Cruzeiro no alto do morro em Carmo da Cachoeira pode ter sido um atalho utilizado pelos nativos — hoje ele perpassa fazendas e cruza o Ribeirão do Carmo —, e foi junto a esse caminho que se instalou a família de nossos primeiros moradores: os Rates.

Bandeiras paulistas não deram tréguas às populações nativas, que acabaram sendo vencidas, exterminadas e expulsas. Lourenço Castanho Taques, após ter recebido homenagens do governo português pelos grandes serviços prestados, retornou, em 1675, para combater os nativos que habitavam o vale do Sapucaí, levando a “limpeza étnica” da área, em que aqueles que não eram mortos eram levados como prisioneiros.

O escriba real Bento Pereira de Souza Coutinho escreveu ao rei de Portugal, em 1694, descrevendo a colina dos ferozes Cataguases e a luta travada com uma horda de índios nesta encosta. Foram vencidos por Lourenço Castanho no lugar que recebeu o nome de Conquista (Itaguara).
"(...) no início da colonização do Brasil, o intercâmbio cultural entre a população indígena e os portugueses era intenso. O casamento entre índios e brancos era frequente, o que acarretou grande miscigenação. É importante considerar que na história dos grupos indígenas não acontecia apenas massacres."José Roberto Sales em sua obra "Espírito Santo da Varginha" (Minas Gerais: 1763-1920, Gráfica Editora Sul Mineira, folhas 85)

O pesquisador Alcebíades Sebastião Viana de Paula em seu estudo "Achados arqueológicos na região de Varginha" de 1967, faz as seguintes considerações a respeito do primitivo indígena que habitava a região onde hoje se localiza o município de Varginha:

"(...) Naquela época, habitavam a região (não somente de Varginha, mas também das cidades vizinhas), os índios Cataguás ou Cataguazes. (...)"

Na fazenda dos tachos, Viana de Paula conseguiu obter um vaso inteiro. De sua coleção particular de pedra polida faz parte 40 machados, encontrados nos municípios de Carmo da Cachoeira, Varginha e Elói Mendes, além de 4 socadores procedentes de Três Pontas, Carmo da Cachoeira, Coqueiral e Varginha.

"Comentando os trabalhos de Neves da Silva, o erudito Oiliam José concorda com conceito do adiantamento do cataguá. Depõe em favor da tese de que possuíam estágio cultural superior ao das demais tribos." — José Roberto Sales

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