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Queremos um Estado a serviço da nação...

... que garanta direitos a toda a população!

O grande marco histórico ocorrido no dia 7 de setembro de 1822, na cidade de São Paulo, data em que libertou o Brasil do jugo português e, consequentemente, fez desta nação um império independente, tendo como governante o libertador Dom Pedro I – jovem português, filho de Dom João VI, rei de Portugal.

Tal episódio destoa de todo o processo sul-americano de emancipação dos grandes impérios colonizadores europeus: Espanha e Portugal. Diante de muitas guerras, alianças e sangue derramado ao longo da América do Sul, o Brasil foi o único país que se tornou império e teve como primeiro governante o filho do rei dominador português. Os demais países contaram com a luta do argentino José de San Martín e, especialmente, do venezuelano Simón Bolívar, os chamados libertadores da América espanhola.

Bolívar tornou-se o grande símbolo da luta destes povos que não viam mais condições de manter o reinado da Espanha. Sua intenção era libertar toda a América do Sul e formar uma grande união dos povos, com condições suficientes para manter sua estabilidade e organização, pautada, sobretudo, na educação e na paz. No entanto, sua proposta de pan-americanismo não foi adiante devido ao profundo regionalismo dos povos e as resistências externas.

O Brasil não participou desse processo, já que teve uma independência mais tranquila e com menos condições de ser rompida, pois foi, em último caso, um acordo entre pai e filho portugueses. Alguns estudiosos, refletindo sobre a questão, afirmam que a verdadeira independência do País, no sentido de tornar-se livre e democrático, só aconteceu com a proclamação da República, ocorrida em 15 de novembro de 1889.

Este resgate histórico que fizemos até aqui nos ajuda a refletir sobre o título do nosso texto: queremos um estado a serviço da nação,que garanta direitos a toda população! Este é o lema do XVIII Grito dos Excluídos, um movimento que acontece anualmente durante a Semana da Pátria, realizado pelos lutadores e lutadoras do povo excluído do Brasil e de toda a América Latina.

Quem quer um estado a serviço da nação, quem quer Vida em primeiro lugar, como versa o tema deste XVIII Grito, é este povo que vem construindo sua história desde o casamento forçado das culturas indígena, portuguesa e africana. Povo que pelejou e continua labutando pela sua independência, seja ela dos grandes impérios, seja das ideologias, seja da corrupção e abandono ocorridos dentro de suas próprias fronteiras, e até mesmo dentro das repartições públicas que dinamizam o País.

E hoje, mais do que nunca, ressurge nestes mesmos povos o ideal pan-americano de união e construção de um mundo mais justo e digno para todos. Nossos povos, unidos por um novo bolivarianismo, querem estar de mãos dadas para enfrentar toda opressão que massacra e oprime o povo já tão ferido. As lutas são por justiça e paz, e para isso se unem numa só voz por todo este continente.

Neste sentido, na comemoração da Independência, mais que gozar do feriado nacional e assistir ao desfile pelas ruas da cidade, é importante assumirmos esse processo de libertação e emancipação dos povos e das nações que formam esta sofrida América, chamada de América Latina – pois a luta não se restringe mais aos povos do Sul, mas estende-se às nações da Centro-América, do Caribe ao México.

Que esta memória não seja esquecida! Que este grito não seja calado! E que possamos, todos de mãos dadas, continuar na busca de uma civilização nova, no embalo daquela bela canção de MercedezSossa, a grande embaixadora da luta latino-americana: Eu só peço a Deus que a dor não me seja indiferente, que a morte não me encontre um dia solitário, sem ter feito o que eu queria...

Jean Steferson Pereira
Seminarista do 1º ano de Teologia
Diocese da Campanha/MG

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