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Centenário de nascimento de Padre Godinho

Antônio de Oliveira Godinho

Para Padre Godinho todas as montanhas eram azuis

"Li, da noite para o dia, as quatro partes do livro: caminhei pela nave, cheguei até ao altar, a alma de joelhos, diante da obra de arte.

Entreguei os originais a um editor capaz de ler e de entender.

E o que fora meu privilégio por uma noite, dias , semanas e meses, torna-se, hoje, democraticamente, pintura, afresco, escultura, música ao alcance de todos.

 Ninguém lerá esta preciosidade impunemente. Ao final da viagem, cada passageiro terá crescido como ser humano.

Grande sacerdote esse homem incrível, Padre Godinho, capaz de criar, de uma só vez, todo esse mundo de beleza e de reparti-lo, perdulariamente, a todos quantos se dispuserem a usufruí-lo; 

Obrigado Padre, Deus te inspire um segundo livro."

É dessa forma que Luiz Fernando Mercadante apresenta o livro "Todas as Montanhas são Azuis" do religioso e político cachoeirense Antônio de Oliveira Godinho, mas o jornalista e escritor Augusto Marzagão vai mais longe:

"Todas as Montanhas são Azuis nasceu clássico, obra tão delicada que honra o autor e a literatura brasileira. A alma e o ânimo do autor eram essencialmente clássicos; Fundavam-se na sabedoria do tesouro interior de seu espírito e, no toque do artista, a riqueza de sua cultura."

 

Fazendo memória

Antonio Oliveira Godinho, ilustre filho de Carmo da Cachoeira nascido em 23 de janeiro de 1920 conta em suas reminiscências:

"Nasci em meio a montanhas e serras em uma aldeia que, ao tempo, levava o nome de arraial, e isso me haveria de mortificar ao longo da solitária infância. Não me sentia cidadão por não ser oriundo de cidade.

A montanha, ao contrário da praia e da planície é velha guardiã de mistérios. Começava, por assim dizer, no fundo dos quintais de nossas casas. As vezes, cobria-se de nuvens e parecia tragada pelo céu. Que haveria do outro lado da serra recortada de penhascos faiscantes de fios d'água e mala-cacheta? Essa pergunta foi o meu primeiro contato com o mistério."

O passado e o presente

Um homem polêmico e batalhador, padre Godinho foi caçado pelo Regime Militar apesar de ser um político ligado a União Democrática Nacional (UDN), um partido com forte vínculos com os militares, ao anticomunismo e às políticas conservadoras:
O que se tem feito nesta nação por certos grupos é mentira ao povo. É enganar o povo, ludibriar o povo, é empulhar o povo. É levar o povo a uma esperança de um éden, de uma nova Canaã, que eles sabem que não vão poder dar, porque eles foram os primeiros a tirar dessa Canaã os alicerces. - Pe. Godinho
Vivemos hoje em um ambiente que se identifica muito com aquele vivido pelo religioso e político Antonio Oliveira Godinho e o estudo de sua história pode ser um manancial de luz na estrada que escolhemos trilhar justamente no centenário de seu nascimento.




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