Pular para o conteúdo principal

A eleição de um verdadeiro representante.


Nas eleições municipais de 1926 foi eleito vereador especial de Carmo da Cachoeira à Câmara Municipal de Varginha, o Sr. Antônio de Rezende Vilela (7-7-5). Antes de aceitar a inclusão de seu nome na chapa de candidatos, ele impôs, como condição principalmente para que aceitasse o cargo, que a Câmara o apoiasse em todas as suas reivindicações a favor do Distrito que iria representar. Homem de ação, inteligente, devotado em extremo à sua terra natal, outra não poderia ter sido a atitude daquele saudoso cachoeirense.

Aceitas as suas exigências, foi ele eleito e assumiu as suas funções, no desempenho das quais contou sempre com o apoio do chefe político, Domingos Ribeiro de Rezende e também do seu colega de Câmara, Dr. Jacy de Figueiredo. Foi com este apoio que o vereador cachoeirense obteve a primeira vitória, conseguindo que toda a renda do Distrito fosse nele empregada, quando a lei determinava que 50% dessa renda ficasse para a sede do município. Na ocasião em que se discutia o assunto, como alguns vereadores varginhenses se manifestassem contra, o Dr. Jacy de Figueiredo chamou-lhes a atenção, dizendo que "eles estavam sendo muito pouco políticos, porque se esqueciam de que o Sr. Antônio de Rezende Vilela representava ali uma grande parte do Município de Varginha".

Durante sua gestão realizou nosso vereador uma verdadeira transformação no arraial, lançando podemos assim dizer, as bases de sua futura emancipação administrativa.

Naquela ocasião Varginha conseguiu com o Governo do Estado um empréstimo de dois mil contos de réis; desta importância o Sr. Antônio de Rezende Vilela conseguiu trazer para Carmo da Cachoeira cinqüenta contos e com este dinheiro e a rendado Distrito deu-nos novo abastecimento d'água, pois a que tinhamos era insuficiente e suja. Muita gente deve ainda lembrar-se da pequena caixa de ferro localizada, parece-me, nos fundos da casa do Sr. José Balbino dos Reis [VI - fazenda Esperança], onde se acha agora a residência do Dr. José Vilela de Sant'Ana.

A água ia para o carneiro correndo por um rego aberto, sujeito a receber todas as sujeiras, o que colocava em perigo a saúde dos habitantes do arraial.

Resolvendo este problema, foi captada água existente em um brejo localizado no alto do morro, em terras do Sr. Gabriel Justiniano dos Reis, drenando-a para uma caixa, de onde vem encanada até a caixa construída ao Largo de Santo Antônio e que ainda funciona até hoje.

Só a solução de tão importante problema seria o suficiente para a consagração da obra de um vereador em pouco tempo e contando com limitados recursos financeiros; mas o Sr. Antônio de Rezende Vilela ainda fez mais: mandou fazer a terraplanagem da praça, o passeio ao seu redor e os canteiros para o seu ajardinamento: foram feitas sarjetas nas ruas principais acabando com os buracos e o mato e melhorou os serviços da iluminação pública.

Ainda naquele período, Varginha recebeu a visita do Presidente Antônio Carlos. Aproveitando a ocasião, o Capitão Francisco de Assis Reis, outro cachoeirense sempre disposto a lutar em benefício de sua terra, conseguiu dele a criação das Escolas Reunidas e a construção do prédio próprio, o mesmo em que, bastante aumentado e melhorado funciona a Escola Estadual "Pedro Mestre".

Prof Wanderley Ferreira de Rezende

trecho do Livro: Carmo da Cachoeira: Origem e Desenvolvimento.

Próxima matéria: Em três anos, três personagens, mudam a cidade.
Matéria Anterior: A deposição dos primeiros cachoeirenses eleitos.

Comentários

Anônimo disse…
O Almanak Sul Mineiro do ano de 1884, elaborado pelo jornalista Bernardo Saturnino da Veiga da cidade de Campanha, conta-nos sobre o passado da Freguesia do Carmo da Cachoeira, Minas Gerais. Diz ele:
FREGUESIA DO CARMO DA CACHOEIRA, Município de Espírito Santo de Varginha e Comarca de Três Pontas.
O artigo primeiro da Lei provincial n.805 de 03 de julho de 1857 creou esta freguesia, de que é padroeira Nossa Senhora do Carmo, que tem patrimonio, uma Igreja Matriz e duas pequenas capelas, a do Pretório (quem quiser conhecê-la, é só visitar a Sala Pe. Zequinha, dentro da Igreja Matriz. Lá um quadro, óleo sobre tela denominado, Capela SENHOR DOS PASSOS) e a de Santo Antonio~não é a que está na mesma sala. Aquela é, também sob orago - Santo Antonio, no entanto, é a do povoado da Estação do Couro do Cervo, e ainda não e constava do patrimônio) tendo esta última sido construída há poucos annos pelo importante fazendeiro Antonio dos Reis Silva, que para esse fim teve pequeno auxilio de algumas pessoas do lugar. A matriz, descente e elegantemente reconstruída, deve os reparos notáveis que recebeu à dedicação e iniciativa do prestante cidadão Severino Ribeiro de Rezende, que promoveu uma subscripção para aquelle fim, reunindo quantia superior a 14.000$000. A freguesia que pertence à Comarca Eclesiástica de Dôres, a 9 léguas de distância, - conta presentemente 100 casas, entre as quais se encontra algumas para alugar pelo preço de 2$000 a 20$000, mensaes, e possui em bom estado um cemitério fechado. Há abastecimento d´água à população de modo regular, graças a sua subcripção promovida pelos dignos cidadãos Antonio Severiano de Gouveia, João Alves de Gouvêa, João Esteves dos Reis e Severino Ribeiro de Resende, e outros, que com resultado colhido construiram um rego, que pode levar a todas as casas a água, expontaneamente cedida pelo prestimoso fazendeiro José Esteves dos Reis. Funcionam no lugar duas salas públicas para ambos os sexos; em uma dellas, que é mixta, a frequência é de 40 alunos, na outra, exclusivamente para o sexo masculino, há 20. Existe mais uma sala particular para meninos, e sob a distinta direcção do Rvmo Vigário Pe. ANTONIO JOAQUIM DA FONSECA, funciona um collegio, que conta cêrca de 30 alunos, e no qual são ensinados todos os preparatórios exigidos para a matrícula nos cursos superiores. A povoação possue uma Banda de Música regular e 2 pianos. Entre os homens de merecimento que a freguezia tem perdido nestes últimos annos, conta-se o coronel JOSÉ FERNANDES AVELINO, membro influente do Partido Conservador, fazendeiro importante, que deixou de viver em julho de 1878. A freguezia, que só tem recebido dos cofres públicos a quantia de 2.000$ para auxilio das obras da Matriz, tem de norte a sul 6 léguas de extenção e de este a oeste 5/2 léguas, sendo os seus terrenos na maior parte montanhosos, de campos e sujeitos a geada, não há falta de madeiras de lei, e vende-se a 36$ a dúzia de taboas de cedro e a 16$ e 20$ de pinho. O alqueire de matta custa 80$ e 100$, e de campo 60$ a 80$000. A canna tem sido, como os cereaes e fumo, a cultura mais usada no Carmo da Cachoeira. O desenvolvimento, porém, que vai tendo a plantação de café, que já é calculada em cêrca de 400.000 pés, autoriza a crer que dentro em pouco será essa a primeira cultura da freguezia, onde também se planta o algodão, que chega para o consumo local. Está muito desenvolvida a criação de gados e de porcos, calculando-se a exportação annual para o côrte em 10.000 arroubas de toucinho e de 5 a 6.000 rezes. Na fazenda do senhor José Esteves dos Reis já é aplicado o arado com muita vantagem nas terras de lavoura, e em breve o mesmo se vai dar nas terras do fazendeiro João Alves de Gouveia. Há na freguesia, cuja população é de 3.000 almas aproximadamente, uma florescente fábrica de vinho nacional, pertencente ao Reverendo Pe. Joaquim Antonio de Rezende, julgando-se de excelente qualidade que já é fabricado em quantidade excedente de 6 pipas. São fabricados queijos de superior qualidade e em larga escala, que são exportados para a côrte, cuja exportação anual é de cêrca de 40.000$, pagando-se 1$800 por arroba de transporte de cargas da côrte, desde a Estação de Bôa Vista. Mata-se uma rez por semana, sendo de 4$ por arroba o preço da carne com osso e 6$ sem osso. Um carneiro custa 4$ e 6$, um frango 240 a 320, ovos 160 a dúzia, leite 80 réis a garrafa, sal a 4$ e 5$ o sacco, açucar a 4$ a 6$ a arroba, carro de lenha a 3$500, carro de pedra a 2$500. Um carpinteiro ganha por dia de 2$ a 3$000. Um trabalhador de roça 600 a 800 réis. O correio que da Campanha vai a Lavras, de 6 em 6 dias, passa no lugar. A E. da povoação, e a 7 léguas, está São Thomé das Lettras,, passando-se a 5 léguas o Ribeirão Vermelho; a S. E. e a 5 léguas, Três Corações do Rio Verde, passando-se a 4 léguas do RIO DO PEIXE; ao S. e a 4 léguas fica Varginha, passando a 21/2 léguas o RIBEIRÃO DA CAVA, e a 6 léguas Três Pontas; passando-se a légua e quarto, o RIBEIRÃO DO BOM SUCESSO; a N. O. e a 7 léguas, Sant´Anna da Vargem, passando-se a légua e quarto o Bom Sucesso e a 3 léguas o RIBEIRÃO DA PRATA; ao N. e a 7 léguas Espírito Santo dos Coqueiros, passando-se os mesmos ribeirões; a N. E., e a 4 léguas e meia, São João Nepomuceno (Nepomuceno), passando-se o RIBEIRÃO SÃO JOÃO, a 2 léguas e meia. A N.E. e a 7 léguas e meia, Lavras. Passando o RIO DO CERVO a 3léguas e meia a SERRA DA BOCAINA. Do Carmo da Cachoeira a Campanha 9 léguas; a Ouro Preto, 46, e a Côrte, 70. A E. existe uma Capella filial ao Carmo e consagrada a São Bento. A Capella está isolada, e cercam-na importantes fazendeiros. A meia légua, além e na mesma direção está o bairro - denominado "Tira Couro", com cerca de 30 casas. Ao O., e a um quarto de légua, está o povoado do CÓRREGO DE CIMA, com 22 casas, a a 21 léguas e meia, o bairro RIBEIRÃO DA CAVA, com 20 casas. A freguesia do Carmo da Cachoeira pertence ao 13 distrito eleitoral.
(continua)
Anônimo disse…
Continuação:
MUNICIPALIDADE
João Batista da Fonseca
Fiscal Distrital

JUSTIÇA
Custódio Villela Palmeira, primeiro Juiz e Paz;
José Villela de Rezende, segundo dito;
Severino Ribeiro de Rezende, terceiro dito;
Joaquim Fernandes dos Reis, quarto dito e
Modesto José Pereira, Escrivão de Paz.

POLÍCIA
Manoel dos Reis Silva, Subdelegado;
Modesto José Pereira, escrivão.

CORREIO
João Nestley, Agente.

INSTRUÇÃO PÚBLICA
Augusto de Azevedo Costa, professor
Maria Blandina das Dôres, professora.

INSTRUÇÃO PARTICULAR
Corina Eulália de Oliveira, professora;
Maria Amélia Fonseca, professora.

COLÉGIO DE SÃO THOMAZ DE AQUINO:
Antonio Joaquim da Fonseca, Vigário e Diretor
Manoel Malaquias de Lana, Vice-diretor;
João Thomaz de Aquino Villela, professor.

MATRIZ
Antonio Joaquim da Fonseca, Padre e Vigário;
Joaquim Antonio de Rezende, Padre;
Eugênio Benedito da Silva, sacristão;
Antonio Dias Pereira de Oliveira, fabriqueiro.

ELEITORES
Ten. cor. José Fernandes Avelino
Antonio Dias Pereira de Oliveira
Domingos José Pinto
João Antonio Naves
Casimiro Gonçalves Pimentel
Joaquim Pedro de Rezende
João Alves de Gouvêia

DITOS - ESPECIAIS
Joaquim de Resende Branquinho
José Vilela de Rezende
Teodora Antonio Naves
Antonio Severiano de Gouvêia
João Vilela Fialho
José Celestino Terra
Severino Ribeiro de Rezende.
Anônimo disse…
Brasil, um País de muitos Brasis, no entanto, a globalização não deixa por menos e exige avanços, inclusive, cultural. Novos tempos trazem ares mais inclusivos e despreconceituosos. Quando teremos orgulho de ostentar em nossa Árvore Genealógica, a presença de índios, negros, mamelucos? No sul do País, o pessoal já faz isso, e Carmo da Cachoeira não deixará por menos. Restaurará, certamente, a dignidade de seus velhos troncos. Muitos estudiosos dizem: "Diogo Álvares Correia, ou Caramuru, na Bahia; João Ramalho, em São Vicente; Jerônimo de Albuquerque, em Pernambuco; João Antônio da Fonseca, filho de Antônio Joaquim da Fonseca e Maria Silvana de Jesus, índia Goináz, pais da família Fonseca". Em quais famílias cachoeirenses estariam correndo sangue indígena?
Confira, com que doçura, a neta indígena, Ângela da Silva, se integra numa árvore genealógica, no Sul do Brasil:
Antiqualhas, história e genealogia: História da família Brasil (II) - A origem do sobrenome - Windows Internet Explorer.
Anônimo disse…
Nomes que aparecem às fls. 22do livro Fábrica. Freguesia do Carmo da Cachoeira. Mesmo que repetidos serão mantidos, e na mesma ordem como aparecem. São eles:
João Hermenegildo dos Reis; Antonio Joaquim Alves; João Esteves dos Reis Silva; Luiz Antonio de Carvalho; Cândido Rodrigues dos Reis; Antonio Justiniano dos Reis; Severino Ribeiro de Rezende; José Fernandes Avelino; João Urbano; José Dias; Antonio Dias Pereira de Oliveira; Paula Cândido; João Urbano de Figueiredo; Jerônymo Ferreira Pinto Vieira; Manoel dos Reis Silva Sobrinho; Francisco Theodoro de Oliveira; Joaquim da Costa Ramos; Francisco de Paula Cândido; Antonio Dias Pereira de Oliveira; João Urbano de Figueiredo; José Fernandes Avelino; Joaquim Garcia de Figueiredo; Theodoro Naves; João Alves de Gouvêa; Francisco de Assis Reis; Francisco Augusto de Figueiredo; João Hermenegildo dos Reis; José Antonio dos Reis; José Alves de Figueiredo Primo; João Antonio Naves.
Anônimo disse…
Continuando com o conteúdo do Almanak Sul Mineiro:
NEGOCIANTES, PROFISSIONAES, etc
AÇOUGUE
Thomé Monteiro da Costa

ALFAIATE
João Feliciano de Gouveia
Roberto Dias Pereira de Oliveira

CAPITALISTAS
Antonio Justiniano dos Reis
Antonio Severiano de Gouveia
Domingos Alves Teixeira
Gabriel dos Reis Silva Júnior
João Alves de Gouveia
João Antonio dos Reis
João Villela Fialho
José dos Reis e Silva
Manoel Antonio Teixeira Manoel dos Reis e Silva

DENTISTA
Joaquim Cândido de Abreu

NEGOCIANTES DE FAZENDAS, GÊNEROS ALIMENTÍCIOS
Carvalho & Rebello
José Batista da Fonseca
Villela & Rezende
Antonio Inácio Guimarães
Antonio Joaquim de Rezende
Carvalho & Rebello (na lista está repetido e o Projeto Partilha manteve)
Eugenio Adelino de Souza
João José de Sant´Anna
Thomé Monteiro da Costa (Tomé).
Anônimo disse…
Os Fazendeiros relacionados por Bernardo Saturnino da Veiga.

Antes, no entanto, uma reflexão: Onde está o fazendeiro José Fernandes Avelino? Pela ausência de seu nome na listagem, deduz-se que, MARIA CLARA UMBELINA seria filha de um dos fazendeiros aí presentes. De quem?

Anna Generosa de Meirelles
Anna Jacintha de Figueiredo
Antonio Alves Ferreira Martins
Antonio Garcia de Figueiredo
Antonio Gomes Ribeiro da Luz
Azarias Venâncio Diniz
Emílio Gomes Ribeiro da Luz
Francisco Alves da Costa
Francisco Augusto de Figueiredo
Francisco Daniel da Costa
Francisco de Paula Batista
Francisco de Paula e Silva
Gregório Alves de Figueiredo
Joaquim Bernardes da Costa Junqueira
Joaquim Bonifácio Batista
Joaquim Fernandes dos Reis
Joaquim José Ferreira Martins
Joaquim Pedro de Rezende
Joaquim de Rezende Branquinho
José Alves de Figueiredo Primo
José Alves Taveira
José Antonio dos Reis
José Esteves dos Reis
José Ignácio de Carvalho
Lúcio Bernardes da Costa
Manoel Alves da Costa
Marciano Florêncio Pereira
Marciano José da Costa
Severino Augusto da Costa
Tobias de Andrade Junqueira.
Anônimo disse…
Continuação:

FAZENDEIROS, COM ENGENHO MOVIDO POR ÁGUA:

Antonio dos Reis Silva
Antonio Severiano de Gouveia José Villela de Rezende
Manoel Antonio Teixeira
Manoel dos Reis e Silva
Maria Ferreira Martins
Maria de Oliveira
Severino Ribeiro de Rezende
Urbano dos Reis e Silva.

Mais lidas no site

Tabela Cronológica 10 - Carmo da Cachoeira

Tabela 10 - de 1800 até o Reino Unido - 1815 - Elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves - 1815 ü 30/Jan – capitão Manuel de Jesus Pereira foi nomeado comandante da Cia. de Ordenanças da ermida de Campo Lindo; e ü instalada a vila de Jacuí . 1816 1816-1826 – Reinado de Dom João VI – após a Independência em 1822, D. João VI assumiu a qualidade e dignidade de imperador titular do Brasil de jure , abdicando simultaneamente dessa coroa para seu filho Dom Pedro I . ü Miguel Antônio Rates disse que pretendia se mudar para a paragem do Mandu . 1817 17/Dez – Antônio Dias de Gouveia deixou viúva Ana Teresa de Jesus . A família foi convocada por peritos para a divisão dos bens, feita e assinada na paragem da Ponte Falsa . 1818 ü Fazendeiros sul-mineiros requereram a licença para implementação da “ Estrada do Picu ”, atravessando a serra da Mantiqueira e encontrando-se com a que vinha da Província de São Paulo pelo vale do Paraíba em direção ao Rio de Janeiro, na alt...

A organização do quilombo.

O quilombo funcionava de maneira organizada, suas leis eram severas e os atos mais sérios eram julgados na Aldeia de Sant’Anna pelos religiosos. O trabalho era repartido com igualdade entre os membros do quilombo, e de acordo com as qualidades de que eram dotados, “... os habitantes eram divididos e subdivididos em classes... assim havia os excursionistas ou exploradores; os negociantes, exportadores e importadores; os caçadores e magarefes; os campeiro s ou criadores; os que cuidavam dos engenhos, o fabrico do açúcar, aguardente, azeite, farinha; e os agricultores ou trabalhadores de roça propriamente ditos...” T odos deviam obediência irrestrita a Ambrósio. O casamento era geral e obrigatório na idade apropriada. A religião era a católica e os quilombolas, “...Todas as manhãs, ao romper o dia, os quilombolas iam rezar, na igreja da frente, a de perto do portão, por que a outra, como sendo a matriz, era destinada ás grandes festas, e ninguém podia sair para o trabalho antes de cump...

A família do Pe. Manoel Francisco Maciel em Minas.

A jude-nos a contar a história de Carmo da Cachoeira. Aproveite o espaço " comentários " para relatar algo sobre esta foto, histórias, fatos e curiosidades. Assim como casos, fatos e dados históricos referentes a nossa cidade e região. Próxima imagem: Sete de Setembro em Carmo da Cachoeira em 1977. Imagem anterior: Uma antiga família de Carmo da Cachoeira.

Mais lidas nos últimos 30 dias

Natal, memória e partilha em Carmo da Cachoeira

Talvez uma das coisas de que a professora Leonor Rizzi mais gostasse em Carmo da Cachoeira fossem as festividades cristãs . Via nelas não apenas a beleza dos ritos, mas, sobretudo, o protagonismo e a visibilidade que conferiam às pessoas da comunidade, tantas vezes deixadas à margem da memória histórica e cultural. Graças à homenagem póstuma oferecida pela Câmara Municipal a Dona Leonor, por iniciativa da vereadora Maria Beatriz Reis Mendes (Bia), revisitei a cidade. Confesso que a primeira parada no “ Estação Café com Arte ”, no Bairro da Estação , indicada pela própria vereadora, teve algo de peregrinação afetiva: eu caminhava pelos espaços tentando adivinhar o que, ali, chamaria mais a atenção de Leonor. Foi então que encontrei algo que, tenho certeza, a encantaria: a confecção artesanal do frontão do palco do Auto de Natal deste ano. Naquele trabalho paciente das mãos, na madeira, na tinta e nos detalhes, reconheci o mesmo espírito que atravessava os textos que ela escreveu, n...

Carmo da Cachoeira: o centro cultural Café Estação com Arte

O Bairro da Estação que a Profª Leonor sonhou Hoje, quem chega ao bairro da Estação, em Carmo da Cachoeira , encontra um espaço acolhedor: as antigas ruínas da ferrovia se transformaram em um pequeno centro de cultura e turismo em torno do “ Estação Café com Arte ” . Onde antes havia paredes caindo e abandono, há agora um lugar vivo, que recebe visitantes, conversa com a memória e faz a paisagem respirar de outro modo. Este texto nasce justamente desse contraste: da lembrança de uma Estação em ruínas à experiência recente de rever o local totalmente recuperado, por ocasião da homenagem prestada à professora Leonor Rizzi pela Câmara Municipal , por iniciativa da vereadora cachoeirense Maria Beatriz Reis Mendes (Bia) . A impressão é imediata: poucas coisas a alegrariam tanto quanto ver esse lugar, que a marcou pela ruína, renascer como polo de cultura. Foto original recuperada por IA de Evando Pazzini Para compreender o significado disso, recorremos aos próprios textos de Leonor sobr...

Carmo da Cachoeira de 1800 até 1814

Carmo da Cachoeire: Leonor Rizzi e o poder do conhecimento histórico local Publicado neste site em 5 de fevereiro de 2009, o quadro intitulado “ Tabela Cronológica 9 – de 1800 até o Reino Unido ” , elaborado pela professora Leonor Rizzi , é mais do que uma sequência de datas: é um exercício de reconstrução paciente da história local a partir de vestígios dispersos. Em vez de olhar apenas para o “grande cenário” do Império português e das transformações políticas do início do século XIX, a autora acompanha, em detalhe, o que se passava na região que hoje reconhecemos como Carmo da Cachoeira : fazendas que se consolidam, capelas que se erguem, famílias que se fixam, instituições que se organizam. Esse tipo de pesquisa minuciosa, ancorada em registros paroquiais, inventários, sesmarias e documentação administrativa, devolve à comunidade algo que costuma ser monopolizado pelos manuais escolares: o direito de se reconhecer como sujeito da própria história. Ao relacionar acontecimentos lo...

Leonor Rizzi e os Selos do Sesquicentenário de Carmo da Cachoeira

  O Resgate da Memória em Milímetros: o Legado da Profª Leonor Rizzi O Selo como Documento de Resistência Histórica Os estudos de história costumam dar atenção aos grandes monumentos, às decisões políticas e às grandes crises econômicas. Porém, muitas vezes a identidade de um povo se apoia em coisas pequenas: objetos do dia a dia e iniciativas que, à primeira vista, parecem simples, mas guardam muito significado. Em 15 de janeiro de 2008, Carmo da Cachoeira , no sul de Minas Gerais, viveu um desses momentos discretos e importantes. Naquela data, a professora Leonor Rizzi , referência na preservação da memória do município e na proteção animal, pediu à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) a criação de uma série de selos personalizados. Esse gesto não foi apenas uma formalidade ou uma comemoração comum. Ao encomendar quatro modelos diferentes de selos para marcar o sesquicentenário da Instituição Canônica da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, a professora Leonor encontrou ...

Carmo da Cachoeira – de 1815 até 1821

Publicada em 15 de fevereiro de 2008 pela professora Leonor Rizzi , esta tabela acompanha um período curto em anos, mas denso em mudanças: é o momento em que o Brasil deixa de ser apenas colônia para integrar o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815), vê a circulação do café avançar sobre Minas, assiste à transformação de capitanias em províncias e presencia o retorno da Corte a Lisboa. Enquanto os livros de história contam esse processo em linhas gerais, aqui o movimento é visto através de lupa: nomes de fazendas, vilas recém-instaladas, estradas requisitadas, inventários, listas de moradores e decisões administrativas que moldam o sul de Minas. Talvez por isso esta tenha se tornado, ao longo dos anos, a tabela mais procurada no site, foram 66.800 acessos: nela se cruzam a visão macro da política imperial e os detalhes concretos de lugares como Campo Lindo , Ponte Falsa , Serra do Carmo da Cachoeira , Varginha ainda chamada Espírito Santo das Catanduvas . O que em manuais ...

Mais Lidas nos Últimos Dias

Natal, memória e partilha em Carmo da Cachoeira

Talvez uma das coisas de que a professora Leonor Rizzi mais gostasse em Carmo da Cachoeira fossem as festividades cristãs . Via nelas não apenas a beleza dos ritos, mas, sobretudo, o protagonismo e a visibilidade que conferiam às pessoas da comunidade, tantas vezes deixadas à margem da memória histórica e cultural. Graças à homenagem póstuma oferecida pela Câmara Municipal a Dona Leonor, por iniciativa da vereadora Maria Beatriz Reis Mendes (Bia), revisitei a cidade. Confesso que a primeira parada no “ Estação Café com Arte ”, no Bairro da Estação , indicada pela própria vereadora, teve algo de peregrinação afetiva: eu caminhava pelos espaços tentando adivinhar o que, ali, chamaria mais a atenção de Leonor. Foi então que encontrei algo que, tenho certeza, a encantaria: a confecção artesanal do frontão do palco do Auto de Natal deste ano. Naquele trabalho paciente das mãos, na madeira, na tinta e nos detalhes, reconheci o mesmo espírito que atravessava os textos que ela escreveu, n...

Carmo da Cachoeira: o centro cultural Café Estação com Arte

O Bairro da Estação que a Profª Leonor sonhou Hoje, quem chega ao bairro da Estação, em Carmo da Cachoeira , encontra um espaço acolhedor: as antigas ruínas da ferrovia se transformaram em um pequeno centro de cultura e turismo em torno do “ Estação Café com Arte ” . Onde antes havia paredes caindo e abandono, há agora um lugar vivo, que recebe visitantes, conversa com a memória e faz a paisagem respirar de outro modo. Este texto nasce justamente desse contraste: da lembrança de uma Estação em ruínas à experiência recente de rever o local totalmente recuperado, por ocasião da homenagem prestada à professora Leonor Rizzi pela Câmara Municipal , por iniciativa da vereadora cachoeirense Maria Beatriz Reis Mendes (Bia) . A impressão é imediata: poucas coisas a alegrariam tanto quanto ver esse lugar, que a marcou pela ruína, renascer como polo de cultura. Foto original recuperada por IA de Evando Pazzini Para compreender o significado disso, recorremos aos próprios textos de Leonor sobr...

Carmo da Cachoeira de 1800 até 1814

Carmo da Cachoeire: Leonor Rizzi e o poder do conhecimento histórico local Publicado neste site em 5 de fevereiro de 2009, o quadro intitulado “ Tabela Cronológica 9 – de 1800 até o Reino Unido ” , elaborado pela professora Leonor Rizzi , é mais do que uma sequência de datas: é um exercício de reconstrução paciente da história local a partir de vestígios dispersos. Em vez de olhar apenas para o “grande cenário” do Império português e das transformações políticas do início do século XIX, a autora acompanha, em detalhe, o que se passava na região que hoje reconhecemos como Carmo da Cachoeira : fazendas que se consolidam, capelas que se erguem, famílias que se fixam, instituições que se organizam. Esse tipo de pesquisa minuciosa, ancorada em registros paroquiais, inventários, sesmarias e documentação administrativa, devolve à comunidade algo que costuma ser monopolizado pelos manuais escolares: o direito de se reconhecer como sujeito da própria história. Ao relacionar acontecimentos lo...